108 ANOS: Cerimônia na Assembleia homenageia imigração japonesa

Na sessão solene em comemoração aos 108 Anos da Imigração Japonesa no Brasil realizada nesta segunda-feira (13), no Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, quem acabou “roubando” a cena foi o cantor Joe Hirata, um dos homenageados da noite. Primeiro estrangeiro a conquistar o título do Nodojiman da NHK, em 1994, Joe Hirata interpretou dois de seus sucessos que marcaram sua carreira: “Sonho de um brasileiro” e “Kampai”.  A “canja” serviu para esquentar, literalmente, a plateia numa noite em que os termômetros registravam 5º graus na fria capital paulista.

 

Cerimônia na Assembleia Legislativa homenageia os 108 anos da imigração. Foto: Jiro Mochizuki

Cerimônia na Assembleia
Legislativa homenageia os 108 anos da imigração. Foto: Jiro Mochizuki

 

A cerimônia, que pelo segundo ano consecutivo foi realizada na Alesp, foi uma realização conjunta da deputada federal Keiko Ota (PSB), dos deputados estaduais Jooji Hato (PMDB) e Hélio Nishimoto (PSDB) e dos vereadores Masataka Ota (PSB) e George Hato (PMDB). A sessão foi aberta pelo presidente da Assembleia, deputado Fernando Capez (PSDB), que  em seguida passou a presidência  para os deputados Jooji Hato e Hélio Nishimoto. Além dos proponentes da homenagem, a Mesa foi composta ainda pelo cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; pelo presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, Sergio Hiroshi Oyama e pela presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Harumi Goya.

Cada parlamentar indicou uma personalidade da comunidade para ser homenageada. Além de Joe Hirata, também foram homenageados o fundador da Associação Hibakusha Brasil pela Paz, Takashi Morita, indicado pelo deputado Hato; o presidente da Associação Okinawa do Brasil, Eiko Shimabukuro, indicado pelo deputado Nishimoto; Shuken Matsudo, diretor da Associação Okinawa do Brasil, indicado pelo vereador Ota, e a professora de karaokê, Satie Akamine, indicada pelo vereador George Hato.

 

Assembleia Legislativa recebeu evento pelo segundo ano consecutivo. Foto: Jiro Mochizuki

Assembleia Legislativa recebeu evento pelo segundo ano consecutivo. Foto: Jiro Mochizuki

 

Jooji Hato disse que a comunidade tem uma “imensidão de líderes” que se destacaram em suas respectivas áreas de atuação, “mas tivemos a difícil missão de escolher apenas cinco expoentes”.

“Trata-se de uma singela homenagem aos que aqui chegaram a bordo do navio Kasato Maru”, completou seu filho, o vereador George Hato, acrescentando que “o primeiro grupo enfrentou inúmeras dificuldades para se adaptar”. “Passados 108 anos, fica claro os benefícios que ambos os países tiveram com a imigração”, afirmou George. Já a deputada Keiko Ota destacou que “nossos antepassados devem estar abençoando e felizes poir estarmos aqui relembrando os 108 anos”.

 

A professora Satie Akamine. Foto: Jiro Mochizuki

A professora Satie Akamine. Foto: Jiro Mochizuki

 

Fazer a diferença – Para o deputado  Nishimoto, a sessão alusiva à imigração, seja na Câmara Municipal ou na Assembleia, “é sempre um momento muito aguardado pois temos motivos para celebrar este encontro”.

“A despeito da atual situação em que o país se encontra, o Brasil é um bom país e temos a cultura japonesa”, disse Nishimoto, que conclamou a “terceira geração” a “levar adiante o compromisso de fazer a diferença na sociedade brasileira”. “Nossa geração desfruta dos benefícios deixados pelas primeiras gerações. Temos gratidão por eles terem se sacrificado para que pudéssemos chegar onde chegamos e agora precisamos dar continuidade a esta bela história”, disse.

 

Shuken Matsudo. Foto: Jiro Mochizuki

Shuken Matsudo. Foto: Jiro Mochizuki

 

Em seu discurso, o presidente do TJM SP, Sergio Oyama falou sobre o “orgulho de ser filho do grande povo japonês”. Já Takahiro Nakamae disse que, desde que assumiu a função de cônsul em São Paulo sentiu o “profundo respeito depositado nos nipo-brasileiros pela sociedade brasileira”. Ele lembrou que este ano o país receberá os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, e como os próximos Jogos serão no Japão, em 2020, “há uma grande expectativa de um aprofundamento ainda maior do intercâmbio entre os dois países através do esporte”.

 

O presidente do TJM SP, Sergio Oyama. Foto: Jiro Mochizuki

O presidente do TJM SP, Sergio Oyama. Foto: Jiro Mochizuki

 

Depoimentos – Eiki Shimabukuro, que discursou em nome dos homenageados, estendeu a homenagem “a todos os pioneiros, que enfrentaram todos os tipos de adversidades”. “Os pioneiros nos deixaram um legado de trabalho, ética e moral”, disse Eiki Shimabukuro que, pessoalmente, também compartilhou sua homenagem com todos os “anônimos” que dão suporte às entidades em que atua, a Associação Okinawa Kenjin do Brasil, Centro Cultural Okinawa do Brasil, Kenren e Bunkyo. “Sem o trabalho deles essas entidades não funcionariam. São esses abnegados que ajudam a preservar a cultura japonesa”, destacou Eiki.

 

Eiki Shimabukuro e Naoe Shimabukuro. Foto: Jiro Mochizuki

Eiki Shimabukuro e Naoe Shimabukuro. Foto: Jiro Mochizuki

 

Joe Hirata disse que ficou bastante emocionado. “É a primeira vez que recebo uma homenagem deste tipo e só tenho a agradecer a deputada Keiko Ota e a toda comunidade pelo apoio”. Para a professora Satie Akamine, “tudo que faço é de coração e por isso nem em sonho esperava receber tamanha homenagem”.

 

Joe Hirata e sua esposa, Danielle. Foto: Jiro Mochizuki

Joe Hirata e sua esposa, Danielle. Foto: Jiro Mochizuki

 

Para Takahi Morita, a homenagem é um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo grupo dos sobreviventes das bombas atômicas, principalmente junto aos  mais jovens. “Procuramos passar que os conflitos e as guerras só trazem infelicidade e que é sempre melhor resolver as questões através do diálogo”, disse Morita, explicando que hoje residem no Brasil 102 sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

 

Takashi Morita e sua filha, Yasuko Saito. Foto: Jiro Mochizuki

Takashi Morita e sua filha, Yasuko Saito. Foto: Jiro Mochizuki

 

Coquetel – Apesar de comemorar o “êxito” do evento, o deputado Hélio Nishimoto lamentou que no mesmo horário do coquetel,  ocorreram  o encerramento de outros eventos na Casa, que prejudicaram o curso da festa no Hall Monumental, com a presença de um grande número de pessoas não convidadas nos festejos dos 108 anos da Imigração Japonesa no Brasil.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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