110 ANOS DA IMIGRAÇÃO: Doria anuncia selo comemorativo e cria comissão para revitalizar o bairro da Liberdade

O prefeito João Doria (PSDB) anunciou novidades na segunda reunião realizada no último dia 14, em seu gabinete, com os vereadores nikkeis – Aurélio Nomura (PSDB), Ota (PSB), George Hato (PMDB) e Rodrigo Goulart (PSD) – e representantes da comunidade nipo-brasileira para definir o cronograma de ações para os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. De acordo com Doria, que pouco antes havia se reunido com o embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada – que gentilmente permaneceu para participar da segunda reunião – com o cônsul geral do Japão em São Paulo , Yasushi Noguchi e com o secretário de Relações Internacionais, Júlio Serson – o presidente dos Correios, Guilherme Campos, aprovou a ideia lançada pelo próprio prefeito na reunião anterior – realizada no dia 17 de novembro –, de lançar um selo comemorativo alusivo à data.

 

Doria anuncia selo comemorativo e revitalização do bairro da Liberdade. Foto: Aldo Shiguti

 

“Na última reunião, o vice-prefeito Bruno Covas, ficou incumbido de falar com o presidente dos Correios sobre a emissão de um selo comemorativo e foi confirmado que seremos atendidos, ou seja, nós teremos o selo comemorativo dos Correios emitido exclusivamente para a celebração dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil”, disse Doria, destacando que “selo é sempre um fator histórico e também os japoneses gostam muito de selos”.

O prefeito também propôs a criação de uma comissão para cuidar da revitalização do bairro da Liberdade, que será formada por quatro representantes da Prefeitura, o secretário de Relações Internacionais, Júlio Serson; o secretário de Cultura, André Sturm; o prefeito da Regional da Sé, Eduardo Odloak e o presidente da Agência SP Negócios, Juan Quirós – que serão coordenados pelo secretário das Prefeituras Regionais, Cláudio Carvalho  – e por quatro representantes da comunidade nikkei.

 

O embaixador com o prefeito João Doria e o vice, Bruno Covas (à esquerda): confiante no sucesso. Foto: Aldo Shiguti

 

Os nomes sugeridos pelo líder do Governo na Câmara Municipal foram os do presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Hirofumi Ikesaki – que não esteve presente na reunião – o da presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Goya; seu sobrinho, Diogo Nomura Neto – como uma estratégia para atrair a participação dos jovens – e o de Roberto Yoshihiro Nishio, presidente da Fundação Kunito Miyasaka. Goya, que já preside a Comissão para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, pediu para que o diretor executivo da mesma comissão, Yoshiharu Kikuchi, ocupasse o seu lugar, sugestão acatada por todos.

 

As presidentes da JHSP, Ângela Hirata, e do Bunkyo, Harumi Goya. Foto: Aldo Shiguti

 

Tao e Qual – A primeira reunião dos membros desta comissão está marcada para o dia 8 de janeiro de 2018. Conforme antecipado pelo prefeito, a pauta da reunião deve ser “as necessidades específicas do bairro do ponto de vista do legado”, incluindo melhorias como iluminação, segurança e limpeza.

Doria também solicitou ao presidente da SPTuris, David Barioni, fazer parte da já instalada Comissão para as Comemorações dos 110 Anos.

O presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, Léo Ota, também anunciou projetos referentes aos 110 anos, que inclui a realização do musical Tao e Qual, com artistas brasileiros e japoneses, além da construção de um restaurante japonês no Pavilhão Japonês e que deve contar com a colaboração do chef Jun Sakamoto e do proprietário do Restaurante Kinoshita, Marcelo Fernandes. Com lançamento previsto para 2018, o projeto leva a assinatura do arquiteto paulistano Eiji Hayakawa e prevê a criação de um restaurante de frente para o lago do parque do Ibirapuera, além de um espaço multiuso para palestras, seminários e outros eventos.

 

Yoshiharu Kikuchi (diretor executivo da Comissão) e Roberto Nishio. Foto: Aldo Shiguti

 

Já o musical, em parceria com o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – entidade responsável pela realização do Festival do Japão – pretende contar a história dos dois povos através de artistas brasileiros e japoneses. Concebido por Beth Cayres – criadora do Percpan (Panorama Percussivo Mundial) – um dos mais conceituados festivais de música percussiva do mundo – em parceria com o flautista Shen Ribeiro, o musical deve ocorrer no dia 21 de julho, no São Paulo Exhibition & Convention Center (zona Sul de São Paulo), como parte da cerimônia oficial das comemorações dos 110 Anos, que será realizada concomitantemente com o 21º Festival do Japão.

Produzido pela diretora teatral Bia Lessa e o produtor musical Alê Siqueira, a ideia é apresentar o musical também no Auditório do Ibirapuera. Outras duas apresentações devem ocorrer no Japão.

Por fim, o vereador Rodrigo Goulart anunciou que a mudança de nome da Praça da Liberdade para Praça da Liberdade-Japão, só aguarda a sanção do prefeito. Doria, por sua vez, prometeu apoiar o projeto.

 

Marcelo Fernandes (Kinoshita) e o chef Jun Sakamoto. Foto: Aldo Shiguti

 

Jovens – O embaixador Akira Yamada agradeceu a atenção e o empenho do prefeito João Doria e explicou que, “na qualidade de embaixador do Japão no Brasil, é nosso anseio prover as celebrações de intercâmbio entre o Brasil e o Japão por ocasião dos 110 Anos da Imigração Japonesa. Hoje estamos passando pela transição de gerações de nipo descendentes e uma geração de jovens está contribuindo para o fortalecimento das relações nipo-brasileiras. Estou emocionado de ver tanta gente discutindo a celebração dos 110 anos da imigração japonesa”, conclui o embaixador, afirmando estar seguro do sucesso do evento.

O encontro realizado no gabinete do prefeito contou com a presença do vice-prefeito, Bruno Covas; de secretários municipais, entre eles o de Relações Internacionais, Julio Serson e o de Prefeituras Regionais, Claudio Carvalho, da presidente da Comissão para as Comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Harumi e do diretor executivo, Yoshiharu Kikuchi; da presidente da Japan House São Paulo, Ângela Hirata; do presidente da SPTuris, Davd Barioni, do produtor cultural Jo Takahashi, do chef Jun Sakamoto e do proprietário do Restaurante Kinoshita, Marcelo Fernardes, entre outros.

 

Rodrigo Goulart, Ota, George Hato, Hitomi Sekiguchi e Aurélio Nomura. Foto: Aldo Shiguti

 

Preliminar – Antes, na reunião com o embaixador e o cônsul, Doria disse que a pauta discutida compreendeu três áreas basicamente. Primeiro, a de desenvolvimento de negócios entre o Japão e o Brasil, isto é, como incrementar a relação de negócios bilaterais entre os dois países, “tanto do Brasil para o Japão como do Japão para o Brasil considerando São Paulo como o maior eixo de investimentos japoneses na América Latina – e não apenas no Brasil”.

O segundo item discutido na reunião, conduzida em inglês, se referiu aos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, que será celebrado no ano que vem e São Paulo. “Como já ocorreu nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, em 2008, São Paulo deseja  fazer com que este evento tenha uma projeção internacional e não apenas no Brasil e no Japão, mas também em outras localidades”, lembrou Doria, destacando que o terceiro aspecto foi o “possível legado de corporações japonesas em São Paulo, ou seja, como fazer o legado na revitalização em parte da nossa cidade, exatamente como outras comunidades internacionais tem feito”.

“Comunidades europeias, portuguesa, espanhola, britânica e sueca, assim como a chinesa e a coreana, países que hoje são investidores no legado da cidade não apenas no investimento bilateral, mas no investimento para a cidade. E a nossa escolha foi exatamente pelo bairro da Liberdade, o mais bem configurado bairro de uma imigração internacional na nossa cidade, sem nenhuma desobediência ou respeito pelas imigrações italiana ou portuguesa, que também são muito grandes, mas o bairro da Liberdade é o único das comunidades internacionais bem caracterizado e ainda bem protegido dessa relação do Japão com a cidade de São Paulo”, explicou o prefeito, acrescentando que “nossa ideia é de que maneira a comunidade empresarial japonesa, junto com a cidade de São Paulo e com a Prefeitura – e obviamente o apoio do governo japonês  – podem estabelecer programas de melhorias no bairro”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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