110 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA: Com logomarca, Comissão oficializa preparativos para as comemorações em 2018

Em cerimônia que contou com a presença do professor Kokei Uehara, que presidiu a Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, a Comissão para Comemoração dos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil realizou no último dia 19, no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), a apresentação da logomarca oficial dando início, assim, aos preparativos para os festejos. Na ocasião, o artista plástico Kazuo Wakabayashi – autor da logomarca – e sua esposa Hikari Wakabayashi, também foram homenageados.

 

O presidente do Comitê Executivo da Comissão para a Comemoração dos 110 anos, Yoshiharu Kikuchi. Foto: Jiro Mochizuki

 

Estiveram presentes, entre outros, a cônsul geral adjunto Hitomi Sekiguchi; o deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB); o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Yasuo Yamada; o presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Akeo Yogui e o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Yokio Oshiro, além, é claro, da presidente do Bunkyo Harumi Goya, e Yoshiharu Kikuchi, respectivamente, presidente da Comissão e presidente do Comitê Executivo.

Aliás, Harumi Goya, que abriu a série de discursos, fez um agradecimento especial a Kikuchi que, embora tenha “relutado um pouco”, aceitou o cargo para presidir  o Comitê Executivo. “Não sei se é do conhecimento dos senhores,  enfrentamos um longo caminho até encontrar alguém com disposição para assumir o desafio de coordenar a organização desta comemoração”, lembrou Goya, ressaltando que apesar da “pesada incumbência”, o “otimismo” e o “espírito empreendedor” de Yoshiharu Kikuchi “tem contagiado toda equipe trazendo muita confiança para o sucesso desta comemoração”.

Para o presidente do Comitê Executivo, Yoshiharu Kikuchi, a comemoração dos 110 anos de imigração é um “momento histórico que abrirá as portas para o futuro, consolidando ainda mais nossa confiança neste país que nos acolheu”.

“O respeito e confiança conquistados nesses 109 anos se devem aos pioneiros que fizeram história, mas não podemos nunca nos esquecer das pessoas humildes que contribuíram para o nosso engrandecimento”, ressaltou Kikuchi, que pediu à comunidade que “tenha essa convicção e abrace essa causa para que os 110 anos seja um sucesso”.

 

O artista plástico Kazuo Wakabayashi – autor da logomarca. Foto: Jiro Mochizuki

 

União – Já a cônsul Sekiguchi, que “anunciou” o símbolo antes que ele fosse apresentado – porque o cartão de visitas de Yoshiharu Kikuchi já estava com a logomarca – explicou que “cada ano acumulado da história da imigração japonesa no Brasil possui um profundo significado e cada década representa um acontecimento importante”.

“A comemoração do ano que vem, na qual celebraremos 110 vezes este ciclo, tem um sentido ainda maior”, afirmou Sekiguchi, lembrando que, nos últimos anos, foram lançadas logomarcas para comemorar os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, a Olimpíada e Paralímpíada do Rio, e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio.

 

Renato Ishikawa, Ângela Hirata e Hitomi Sekiguchi. Foto: Jiro Mochizuki

 

“Cada um tem desempenhado um papel muito importante e gostaria que, o que está simbolizado nesta logomarca lançada na noite de hoje, seja uma síntese de tudo que vai acontecer no ano que vem, que seja um futuro brilhante dos 110 Anos e da comunidade nikkei junto com a sociedade brasileira”, destacou a cônsul, acrescentando que, “espero que os 110 anos sejam comemorados com a união de toda a comunidade nikkei, não só de São Paulo mas também do Brasil e que haja uma participação massiva dos jovens”.

Finalizando, Hitomi Sekichi disse que, entre os meses de março e maio, o governo japonês promoveu quatro reuniões para discutir detalhes de projetos para uma melhor cooperação com a comunidade nikkei. O resultado destas reuniões está na homepage do Consulado Geral do Japão em São Paulo. Por enquanto, o material está disponível apenas no idioma japonês, mas em breve será publicado também em português.

 

Hikari Wakabayashi recebe buquê de flores de Harumi Goya. Foto: Jiro Mochizuki

 

Liderança – Também presente na cerimônia, o deputado estadual Hélio Nishimoto justificou porque decidiu sair de sua base eleitoral, São José dos Campos, no Vale do Paraíba, para participar de um evento na Capital uma noite de sexta-feira. “É um noite especial. Trata-se de um momento hsitórico. Durante esses quase nove anos de convivência com a comunidade nikkei, aprendi muito e pude desfrutar de amizades muito preciosas. Durante esse tempo tenho compartilhado dessa alegria e tenho aprendido com vocês, principalmente com esse trabalho de liderança que é algo admirável, que a gente não vê em outro lugar, um trabalho tão bem feito de lideranças que se dedicam em favor de uma tradição e uma cultura e também de um serviço à sociedade como um todo”, destacou o parlamentar.

 

O deputado estadual Hélio Nishimoto, que fará 55 anos em 2018. Foto: Jiro Mochizuki

 

Dito isso, o deputado comentou que “ficou pensando em sua relação como toda essa história”. “É lógico que em 1908 eu nem esperava participar de tudo isso porque nasci em 1963, quando já haviam passado 55 anos dessa bonita história. Ou seja, uma metade da história que eu perdi e que só ouço falar e leio através dos livros. Sei que foram 55 anos de muita luta, de sacrifícios de muitos dos nossos antepassados, de dedicação intensa para que hoje a gente pudesse usufruir deste prestígio. Sei o quanto foi difícil, mas também podemos comemorar as conquistas, de tudo aquilo que foi feito e  colher os frutos, que ainda serão colhidos pelas novas gerações. Perdi 55 anos desta convivência desde o início da imigração, mas no ano que vem serão 110 anos e eu estarei completando 55 anos de idade. Perdi exatamente a metade, mas estou participando da outra metade integralmente. Estou muito satisfeito em poder conviver com todos vocês e poder fazer alguma coisa, ainda que pequena, na minha modesta opinião, para participar da história e fazer a diferença nesta história que contribuiu muito para o desenvolvimento do país”, esclareceu Nishimoto, que se colocou à disposição para “fazer algo que marque a história dos 110 anos da imigração e que através da união poder comemorar e perpetuar esta honra que nós temos, de pertencer à comunidade nikkei aqui no Estado de São Paulo e no Brasil”.

 

Wakabayashi recebe homenagem da Comissão. Foto: Jiro Mochizuki

 

O símbolo – A logomarca dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil criada pelo artista Kazuo Wakabayashi tem o desenho de dois orizurus (tipo de tsuru), simbolizando a harmonia entre os dois países – o vermelho representando o Japão e o amarelo o Brasil – e o número 110 logo abaixo. Em entrevista ao Jornal Nippak, Wakabayashi disse que relutou para aceitar o convite da comissão. “Mas como a presidente do Bunkyo e o Yoshiharu Kikuchi foram até minha casa, no bairro do Jabaquara [na zona Sul de São Paulo], não pude recusar”, revelou Wakabayashi, lembrando que “gostaria de não aceitar porque eu sou pintor e não um designer”.

Uma vez aceito o convite e depois de superar o conflito – se era capaz ou não – Wakabayashi explicou que demorou “uns dois dias” até decidir pelo tsuru. Já o desenho, conta, foi feito em coisa de uma hora e meia a duas horas.

 

Logo 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil. Foto: divulgação

 

Marca – O artista disse destacou que optou pelo tsuru não só pelo fato de já ser uma marca em seus trabalhos  como também representar simbolicamente uma nova fase em sua vida, de artista nipo-brasileiro. Usar cores alegres, como o amarelo e o vermelho, explica, foi uma forma de deixar para trás o passado sombrio da guerra vivido no Japão – Wakabayashi nasceu em 1931 e quando a guerra terminou, estava com 14 anos, época que começou a pintar, ainda no Japão. “Vim para o Brasil com 30 anos e aqui percebi um clima alegre, de calor humano e que acabaria por influenciar minha pintura”, destacou Wakayabashi, afirmando que “fiquei mais aberto ao uso de cores”.

 

Lideranças brindam com o casal Wakabayashi. Foto: Jiro Mochizuki

 

Rifa – Como antecipou o Jornal Nippak, a Comissão já está trabalhando na captação de recusos para as atividades, cujo ponto alto será a cerimônia dentro do Festival do Japão, em 2018. Segundo Yoshiharu Kikuchi, parte dos recursos necessários – cerca de R$ 3 milhões – devem vir da venda de rifas de três carros. Segundo apurou o Jornal Nippak, a comissão já conseguiu dois de duas montadoras japonesas diferentes. Kikuchi busca ainda, uma terceira empresa. Disse ainda que, nos próximos dias, as várias sub-comissões devem se reunir para definir cada qual seu calendário de eventos.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
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