110 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA: ‘Condutor do processo de revitalização’, Ikesaki também deve adotar a Praça da Liberdade

A novela envolvendo a revitalização da Praça da Liberdade – uma das ações da Prefeitura em conjunto com a comunidade nipo-brasileira como parte das comemorações dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil – parece estar próximo de um final. E feliz, ao que tudo indica. Pelo menos é que o que ficou acordado na reunião realizada no último dia 8, na Secretaria das Prefeituras Regionais, e que contou com a presença do titulat da pasta, Cláudio Carvalho, do vereador Aurélio Nomura (PSDB), do presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Hirofumi Ikesaki, do diretor de Segurança da entidade, Akio Ogawa, e dos arquitetos responsáveis pelo projeto, Candi Hirano e Thaís Watanabe.

 

Reunião realizada na Secretaria das Prefeituras Regionais selou acordo para a revitalização da praça. Foto: Aldo Shiguti

 

Na reunião, que foi acompanhada com exclusividade pelo Jornal Nippak, Ikesaki concordou em ficar responsável pela captação de recursos para o projeto, orçado agora em em cerca de R$ 340 mil. Em contrapartida, Nomura disse que a mudança de nome da praça para Praça da Liberdade Japão – uma reivindicação de Ikesaki – será reavaliada.

Conforme proposto pelo prefeito João Doria (PSDB)na quarta reunião realizada no dia 19 de fevereiro com os vereadores nikkeis e representantes da comunidade nipo-brasileira para discutir o assunto, Doria “desafiou” Ikesaki a liderar a captação de recursos que, do seu lado, tentaria estudar uma alternativa para reverter o veto.

O prefeito vetou a mudança atendendo a uma recomendação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp – órgão que  emite resoluções  sobre tombamentos de bens móveis e imóveis além de retificar, ratificar ou se restringer procedimentos administrativos destinados à normatização do bom uso do espaço urbano – que teria alegado razões históricas – a praça antes se chamava “Largo da Forca” pois até 1891 o local era palco de enforcamentos de criminosos e escravos.

 

Identificação – Diante do anúncio de Nomura, Ikesaki comemorou como uma conquista. “É algo que não vai acontecer duas vezes na minha vida. Muitas pessoas podem pensar que se trata apenas de mudar o nome, mas acredito que é muito mais do que isso. A mudança vai agregar um valor inestimável para a comunidade japonesa”, argumentou Ikesaki, lembrando que estabeleceu comércio no bairro – é um dos gigantes no ramo de cosméticos – ainda no início da década de 50. “Sempre achei que o bairro tinha que ter uma identificação a mais. Afinal, é o nosso bairro, onde os japoneses construíram sua base”, disse Ikesaki, que, conforme antecipou o Jornal Nippak, não só será o “condutor do processo” de revitalização da praça como também a adotará por um período de três anos, ficando responsável também por sua conservação.

De acordo com Akio Ogawa, que deve dar entrada na documentação necessária juntamente com a arquiteta Thaís Watanabe ainda nesta semana na Prefeitura Regional da Sé, a ideia é convidar as cinco principais entidades nikkeis – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil – a tomarem parte no projeto.

“Será um presente da comunidade para a cidade de São Paulo no ano que comemoramos os 110 anos da imigração japonesa no Brasil. Talvez o projeto mais representativo dessa celebração”, conta Ogawa, esclarecendo que o “movimento” para agregar o Japão à praça, além do aspecto comercial, será um legado para as próximas gerações.

 

Melhorias – Orçado inicialmente em R$ 4,5 milhões, o projeto previa também outras melhorias para o bairro. Depois de um novo estudo, o custo caiu para R$ 1,2 milhão e na penúltima apresentação, já bem reduzido, o valor passou para R$ 780 mil. Agora, com os atuais R$ 340 mil, Candi Hirano conta que chegou “no limite das necessidades e da possibilidade de se levantar esses recursos”.

“Ao invés de fazermos uma troca de todos os pisos, com obras e contrapisos, vamos fazer apenas uma revitalização e limpeza, e reviver a cor original, substituindo todos os que estiverem deteriorados”, justifica Candio Hirano, afirmando que ainda é necessário fazer o levantamento quantitativo das peças a serem trocadas. “Com o projeto definitivo poderemos dimensionar o custo mais efetivo”, conta, acrescentando que “dadas as circunstâncias de tempo e recursos, estamos limitando à área da praça”. Além da substituição dos ladrilhos danificados existentes no piso e da limpeza, o projeto prevê ainda a instalação de mobiliário urbano (colocação de bancos, floreiras e lixeiras). Outra sugestão é que o acesso para a praça da Liberdade passe a ser feita pela Avenida da Liberdade e não mais pela Rua Galvão Bueno. A ideia é fazer com que a área de permanência para a praça seja mais bem aproveitada, além de torná-la maior.

“Vamos também resolver alguns problemas que possam existir em relação a guias e sarjetas e naturalmente aquilo que for viável executar até junho”, explica o arquiteto, afirmando que o ritmo do trabalho será imposto pelo trâmite burocrático. Já a instalação de banheiros públicos e a troca de luminárias serão por meio de concessão.

 

Prefeito da Liberdade – Para Aurélio Nomura, a reunião “foi bastante produtiva”. “Acredito que, por tudo isso, o senhor Ikesaki merece não só o respeito de todos nós como merece, ainda mais, aquele título de ‘prefeito da Liberdade’. Com essa atitude ele mostra despojamento e preocupação, mas mostra principalmente, com essa sua posição através da Liberdade, uma condição de renovar essa expectativa com relação ao bairro. Ao se comemorar os 110 anos da imigração japonesa, ele vem com esse propósito de oferecer uma mudança e mais conforto para aquelas pessoas que visitam a Liberdade”, elogia Nomura, que também estuda a possibilidade de levar para a Praça da Liberdade, conforme antecipado pelo Nippak – o espetáculo Tao e Qual  – que deve ser apresentado no dia 21 de julho, na cerimônia oficial dos 110 anos, que acontece concomitamente ao 21º Festival do Japão, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, em São Paulo, e também no dia 22 de julho, no Auditório do Ibirapuera.

 

União – Concebido por Elisabeth Cayres – criadora do Percpan (Panorama Percussivo Mundial) – em parceria com o flautista Shen Ribeiro, o musical pretende contar a história dos dois povos através da música. Com produção de Bia Lessa e Alê Siqueira, o espetáculo, com cerca de 4 horas de duração, deve contar com artistas como a cantora Fernanda Takai, Shen Ribeiro, Coral Guarani, Camilo Carrara e o grupo Ilê Ayiê, além dos japoneses Takashi Numazawa, Tsubasa Imamura, Gocoo Tokyo Tribal Groove Orchestra e o grupo de taiko Kodo. Outras duas apresentações devem ocorrer no Japão, nos dias 28 e 29 de julho, no Teatro Bunkamur.

De acordo com Nomura, caso seja aprovado, a ideia é apresentar um espetáculo mais curto na praça que, a exemplo da apresentação no Auditório do Ibirapuera, também terá acesso gratuito ao público.

Para Ikesaki, o mais importante agora é mobilizar a comunidade. “Vamos ter que contar com a ajuda de todos. Todos juntos como se fosse o nosso bairro e que agora vai ter também o nome Japão. Cabe a nós torná-lo um bairro exemplar, mas para isso vamos precisar do apoio de todos”, convoca Ikesaki, que não ficará tranquilo até a reinauguração da praça, prometida para 18 de junho. E aí sim, com a placa “Praça da Liberdade Japão”.

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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