110 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA: Doria propõe criação de Comitê Gestor de Funding e pede apoio financeiro do governo japonês

Na terceira reunião dos vereadores nikkeis com representantes do governo e da comunidade japonesa como ações da Prefeitura de São Paulo para as comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, realizada no último dia 30, na sala de reuniões do Gabinete do Prefeito, João Doria (PSDB) sugeriu a criação de um Comitê Gestor de Funding, responsável por oportunizar recursos para a execução dos projetos para a festividade. Além da captação, o Comitê será responsável também pela fiscalização desses recursos. Doria sugeriu que, além do titular e de um adjunto, o Comitê inclua pessoas que tenham “capilaridade dentro da comunidade empresarial japonesa”, além de estabelecer missão, prazos e metas para os projetos.

 

Doria propõe Comitê Gestor de Funding e aporte do governo japonês. Foto: Aldo Shiguti

 

“Na próxima reunião, é prudente que se tenha esse grupo gestor e se indique um titular e um adjunto, mas é fundamental que dirigentes de empresas japonesas façam parte deste Comitê, são eles que terão autoridade suficiente para viabilizar o projeto”, explicou Doria, lembrando que “todas as experiências que tivemos aqui com comunidades internacionais só evoluíram porque o comitê financeiro foi bem formado e tinha prazo para concluir essa missão”.

 

Julio Serson (relações Internacionais), Doria, Yasushi Noguchi e Cláudio Carvalho (Prefeituras Regionais). Foto: Aldo Shiguti

 

Frustração – “Quando não existe [o Comitê Gestor de Funding] cria-se, inclusive, uma enorme frustração porque se mobiliza, criam-se boas ideias e depois elas não são executadas porque não existiram recursos suficientes”, disse o prefeito, que aproveitou para dar uma “cutucada” também no governo japonês.

“É importante que o governo japonês defina um valor para as ações dos 110 anos da imigração como forma de reconhecer o Brasil, especificamente a cidade de São Paulo, como extensão do Japão”, afirmou Doria, acrescentando que, “é razoável que o governo japonês faça parte deste investimento e na próxima reunião traga uma moldura deste valor”.

A intervenção de Doria aconteceu praticamente no final da reunião, após apresentação de dois estudos preliminares de requalificação do bairro da Liberdade – a cargo dos arquitetos Candi Hirano, Renato Conde e Cristina Wakamatsu. Leo Ota, presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, também apresentou um projeto de revitalização do Pavilhão Japonês.

Estiveram presentes nesta terceira reunião os vereadores Aurélio Nomura (PSDB), George Hato (PMDB) e Rodrigo Goulart (PSD), o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, a presidente da Comissão para a Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa, Harumi Arashiro Goya, o presidente do Comitê Eexecutivo, Yoshiharu Kikuchi,  a presidente da Japan House São Paulo, Ângela Hirata e os secretários municipais Julio Serson (Relações Internacionais) e Claudio Carvalho (Prefeituras Regionais), além do presidente da São Paulo Turismo, Davi Barioni, entre outros.

 

O arquiteto Candi Hirano apresentou um estudo preliminar. Foto: Aldo Shiguti

 

Liberdade – Entre as propostas apresentadas pelo arquiteto Candi Hirano estão a revitalização das calçadas (consertos com a relocação de ladrilhos quebrados e reparos gerais); elevação dos níveis das ruas até as calçadas (em parte da Rua dos Estudantes, Rua Galvão Bueno e Praça da Liberdade); instalação de mobiliários urbanos (bancos, floreiras, mesainhas tabuleiros, plantio de mudas de cerejeiras na Av. Liberdade, Rua Tomás Gonzaga, Rua Galvão Bueno, Rua dos Estudantes, Rua da Glória e Praça da Liberdade); revitalização da luminárias (limpeza, pinturas e substituição de lâmpadas por lâmpadas de led); sistematização e padronização das barracas da Feira de Arte, Artesanato e Cultura da Liberdade, popularmente conhecida como Feirinha da Liberdade.

Apesar do pouco tempo que teve para elaborar o estudo, Hirano destacou que o objetivo é “suscitar” reflexões. “É importante que sempre procuremos revigorar aqueles valores que de alguma forma a cidade reconhece como significativos para a sua própria cultura urbana”, disse o arquiteto, que destacou também a importância da “mixagem entre tecnologia, cultura e os vários hábitos que precisam ser coordenados ou de alguma forma deixar um pouco mais humanizadas tornando possível a convivência entrre as pessoas”.

Já Renato Conde e Cristina Wakamatsu, que gostariam de ter um pedacinho do Japão em São Paulo, propuseram a construção de um Distrito Turístico (fomento ao setor hoteleiro, gastronômico, cultural e de entretenimento) delimitado geograficamente pelas Ruas Dr. Siqueira Campos, Tamandaré e Conselheiro Furtado e pela Avenida Liberdade. Dividido em fases, o projeto prevê intervenções no Largo da Pólvora,  Jardim Japonês e a Praça da Liberdade; intervenções nas calçadas (aumento de suas dimensões, readequação de piso e etc), intervenções no viário, instalação de mobiliários urbanos, instalação de letreiros e comunicação visual e atração de âncoras de comércios e negócios; requalificação da Praça da Liberdade e a criação de um Centro de Recepção de Visitantes com banheiro público, café e balcão de informações turísticas.

 

Vereadores nikkeis presentes na terceira reunião sobre os 110 anos. Foto: Aldo Shiguti

 

Pavilhão – O presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, Leo Ota também apresentou um projeto de requalificação do Pavilhão Japonês, como parte integrante das comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa.

Segundo ele, a ideia é transformar o Pavilhão em um eixo de discussão e referência em cultura, tecnologia e meio ambiente e emprego de tecnologias de ponta como sistema de purificação da água do lago, uso de fontes alternativas de energia e tratamento do esgoto in loco. A proposta prevê ainda a criação de um novo polo arquitetônico, cultural e gastronômico em São Paulo, inversão dos antigos usos do Pavilhão Japonês e transformação do Edifício principal em Pavilhão de Exposição e do atual Salão de Exposição em um Espaço Multiuso/Restaurante.

Presente do governo japonês e da comunidade nipo-brasileira à cidade por ocasião das comemorações do quarto centenário de São Paulo, em 1954,Ota lembrou que o Pavilhão Japonês esteve presente na implementação do plano piloto do arquiteto Oscar Niemeyer. “Como a Prefeitura está prestes a lançar o edital de licitação de desestatização oferecendo à iniciativa privada a gestão do Parque do Ibirapuera, gostaria de ressaltar a importância do apoio institucional da Prefeitura de São Paulo em manter essa homenagem que pertence a ela e que é administrada pela comunidade japonesa”, observou Ota, que convidou o músico Shen Ribeirto a falar sobre o ciclo de concerto de música clássica japonesa previsto para ter início este mês.

 

Shen Ribeiro, Renato Ishikawa e Leo Ota. Foto: Aldo Shiguti

 

Raízes – Para o prefeito, as atividades festivas terão um investimento menor do que as atividades “construtivas” ou “revitalizadoras”. “Essas vão exigir um pouco mais de investimentos porque os japoneses não são nômades, os japoneses sempre foram de deixar legado. A história nos mostra que os japoneses têm raízes. Eles constroem troncos sólidos e copas que oferecem sombra e e referência”, disse Doria, afirmando que “a imagem que tenho quando se fala de Japão é solidez”. “E solidez é legado”.

Já o vereador Aurélio Nomura disse que “estamos avançando dentro deste projeto”. “Acredito que a cidade de São Paulo fará uma comemoração  marcante. É interessante porque, ao comemoramos os 110 anos da imigração japonesa, estamos levando essa bandeira de mudança do nosso país relembrando o trabalho e o legado dos nossos maiores, dos nossos pais, avós e bisavós que vieram a esse país e com muito trabalho, muita dedicação, com sangue, suor e lágrimas ajudaram a construir esta nação”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
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