120 ANOS DE AMIZADE: ‘Tínhamos grandes esperanças nessa viagem’, diz Nishimori

O atual presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, deputado Luiz Nishimori (PR-PR) criticou a decisão da presidente Dilma Rousseff (PT) de cancelar as visitas que faria esta semana ao Vietnã e ao Japão. A viagem a Paris, palco da 21º Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-21), foi mantida.

 

Dilma cumprimenta o príncipe Akishino, que veio ao Brasil como representante da família imperial (Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)

Dilma cumprimenta o príncipe Akishino, que veio ao Brasil como representante da família imperial (Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)

 

Para Nishimori, “foi uma pena”. “Foi a segunda vez que ela cancelou a viagem ao Japão em cima da hora”, explicou ele, reportando-se ao ano de 2013, quando Dilma cancelou a visita que faria ao Japão para acompanhar as manifestações que tomaram conta do país.

“Tanto a Embaixada do Japão no Brasil como o Itamaraty estavam muito empenhados nessa viagem, que poderia alavancar alguns projetos, principalmente na área da Agricultura”, reclamou Nishimori, acrescentando que “depositávamos uma grande esperança nessa viagem pois iria fortalecer ainda mais as relações bilateriais já que em 2015 comemoramos os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão”.

“A vinda do primeiro-ministro Shinzo Abe e, mais recentemente, a de Suas Altezas Imperiais, o príncipe Akishino e a princesa Kiko, mostraram que o Japão tem boa vontade e quer ajudar o Brasil”, disse o parlamentar, lembrando que, durante a visita de Akishino e Kiko em Brasília, a presidente Dilma Rousseff fez o casal esperar cerca de 20 minutos. “Certamente isso não passou despercebido pelo governo japonês”, contou o deputado, afirmando que ainda não teve oportunidade de conversar com autoridades japonesas, “mas com certeza o cancelamento pegou muito mal”.

“É uma opinião minha, mas atitudes como essa acabam causando uma certa frustração. Principalmente porque a presidente alegou questões que interessam mais a ela”, disse Nishimori. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) creditou o cancelamento das viagens às dificuldades financeiras da União.

De acordo com a Secom, desde 1º de dezembro o governo não pode mais empenhar novas despesas discricionárias, com exceção das essenciais ao funcionamento do Estado e ao interesse público. O impedimento ocorre porque a revisão da meta fiscal ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional. O Palácio do Planalto informou que, devido a este motivo, o Tribunal de Contas da União obriga o governo a contingenciar as verbas discricionárias.

 

Desculpa – “Essa desculpa não serve. Isso é um problema interno. Questão de âmbito internacional não pode ser tratada desta forma. É um assunto sério e deveria ser tratado com seriedade. Só seria justificável se fosse por um motivo de doença. Do ponto de vista japonês, quando se assume um compromisso, ele deve ser honrado. Foi uma atitude muito irresponsável”, alfinetou Nishimori, afirmando que “particularmente, fiquei muito sentido”. “Imagina como será para agendar quando ela realmente for?”, indagou o presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão.

Para o deputado William Woo (PV-SP), o cancelamento “teve a ver com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e a não aprovação do Orçamento”. Já Walter Ihoshi (PSD-SP) disse que, por parte dos japoneses “a expectativa era muito grande”. “Mesmo porque essa viagem já estava prevista para 2013 mas, em função de infortúnios, teve que ser cancelada”, lembrou Ihoshi, que destacou o trabalho do embaixador do Japão Kunio Umeda para que a viagem se concretizasse. “Apesar de ser um ano simbólico, a vinda do primeiro-ministro [Shinzo Abe], e de membros da família imperial, ainda que simbólica, demonstra o carinho e a importância que os japoneses dão para o Brasil. Mas temos que entender que a situação dela, infelizmente, mudou muito”, destacou Ihoshi, lembrando que, “pela primeira vez tivemos a prisão de um senador”. “O ajuste fiscal, cortes… Toda essa situação está mexendo com o humor do Congresso. As circunstâncias a obrigaram ficar. Infelizmente, mais uma vez foi com o Japão”, ponderou Ihoshi.

Procurado pela reportagem do Jornal Nippak, a deputada federal Keiko Ota (PSB-SP) preferiu não comentar o assunto.

 

Crise – O roteiro inicial previa a saída da presidenta de Paris diretamente para cumprir agenda com empresários no Vietnã na terça (1º)  e quarta-feira (2). Depois, seguiria para o Japão, onde pretendia, entre outros temas, conversar sobre a retomada da venda de carne processada bovina brasileira, que está embargada pelos japoneses desde 2012.

É a segunda vez que Dilma Rousseff suspende uma visita ao Japão. Em 2013, a presidenta cancelou a viagem por conta das manifestações que tomaram as ruas do país no período. Este ano, o cancelamento ocorre em meio a uma grave crise política.

 

ALDO SHIGUTI

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ashiguti@uol.com.br
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