18º FESTIVAL DO JAPÃO: Comissão elege segurança e conforto como prioridades

Considerado o maior festival de cultura japonesa do mundo, a 18ª edição do Festival acontece nos dias 24, 25 e 26 de julho no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (antigo Centro de Exposições Imigrantes), na zona Sul de São Paulo, com muitas novidades. Realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), o evento terá como principal novidade a readequação ao espaço, que desde 2013 é administrado pela GL events do Brasil, braço da multinacional francesa GL events. Com a ampliação e modernização do São Paulo Expo, o complexo será o maior centro de exposições do país em área coberta.

 

Este ano, o Festival do Japão passará por um teste no agora reformado São Paulo Expo (Foto: Aldo Shiguti)

Este ano, o Festival do Japão passará por um teste no agora reformado São Paulo Expo (Foto: Aldo Shiguti)

 

Com isso, toda a praça de alimentação e o palco principal, que antes ocupavam a área descoberta, serão deslocados para dentro do pavilhão, que a partir deste ano vai concentrar todas as atividades do Festival. Os preparativos foram revelados nesta segunda-feira (22) com exclusidade ao Jornal Nippak por Yasuo Yamada e Toshio Ichikawa, presidente e vice, respectivamente, da Comissão Executiva.

Segundo Yamada, a ideia é fazer com que as mudanças não prejudiquem o conforto e a segurança dos visitantes. “Não estamos medindo esforços para oferecer ao público o que há de melhor em termos de entretenimento, cultura e gastronomia”, conta o presidente da Comissão Executiva.

Para Ichikawa, a prioridade foi acomodar os kenjinkais dentro do pavilhão. O trabalho, explica, está exigindo criatividade e também investimentos. Para se ter uma ideia, foram necessários investimentos extras na ordem de mais de R$ 50 mil – que serão pagos pelas próprias associações – somente com a aquisição de exaustores.

A praça de alimentação, aliás, está merecendo uma atenção especial da Comissão. Para suprir a falta da arquibancada, que foi demolida e servia para desafogar a praça de alimentação, a área da gastronomia terá 1600 cadeiras. “Também estamos providenciando cerca de 600 mesas, daquelas em que se come em pé”, antecipou Ichikawa, acrescentando que a proposta é fazer com que mais pessoas possam circular pelo local.

 

O vice Toshio Ichikawa e o presidente Yasuo Yamada (Foto: Aldo Shiguti)

O vice Toshio Ichikawa e o presidente Yasuo Yamada (Foto: Aldo Shiguti)

 

280 queimadores – Mesmo com as mudanças, a expectiva é pelo menos repetir a presença de público da edição passada, quando a festa foi visitada por cerca de 180 mil pessoas. Vale lembrar que em 2014 o evento “sofreu” a concorrência da Copa do Mundo, quando o Brasil enfrentou a Alemanha nas quartas de final.

De olho na segurança dessa multidão – , Ichikawa informa que, além da presença do pessoal do Corpo de Bombeiros, a Comissão Executiva também está preparando sua própria brigada. Para capacitar os voluntários, no dia 9 de julho, feriado no Estado de São Paulo, haverá um curso de como proceder em caso de emergência. “A ideia é fazer com que também os presidentes dos kenjinkais participem”, destaca Yamada, explicando que, nos três dias, serão paroximadamente 280 queimadores funcionando simultaneamente. “O Festival do Japão é único. Nenhum outro evento reúne tantas barracas de alimentação como o Festival do Japão. Temos que estar preparados”, afirma ele, lembrando que no último dia 20 foi realizada uma palestra no Centro Social Tochigi do Brasil sobre alimentação e que contou com a presença de cerca de 170 participantes.

 

De todos – Segundo Ichikawa, o objetivo é justamente envolver os kenjikais também na organização do evento. “Queremos que os kenjikais se conscientizem que o Festival do Japão não é do Kenren, mas de responsabilidade de todos, incluindo a comunidade nikkei”, diz, lembrando que o evento conta com 18 anos de história.

“O Festival foi criado em função dos kenjinkais e, hoje, além de se tornar uma referência da terra natal dos antepassados para as novas gerações e também uma vitrine para a sociedade brasileira, o Festival virou inspiração para muitos outros festivais. Por isso, não podemos falhar. Temos que mostrar nossa capacidade de organizar um evento deste porte mesmo em época de crise”, argumenta Ichikawa, afirmando o desafio maior “será o de zerar as despesas para podermos realizar a 19ª edição”.

 

Déficit – E os desafios prometem ser muitos. “No ano passado, apesar de todas as dificuldades, ainda conseguimos reverter a situação”, conta Ichikawa, explicando que o Festival do Japão deste ano está orçado em R$ 3 milhões.

Por isso, os preparativos começaram tainda em agto do ano passado. “Apresentamos para todos os presidentes dos kenjikais uma previsão orçamentária para o 18º Festival do Japão que considerava um déficit de R$ 170 mil e mesmo assim todos votaram pela continuidade do projeto. Assim, formamos uma Comissão Provisória que, ao mesmo tempo em que visitávamos as empresas para agradecer o apoio no 17º Festival, já assegurávamos a realização do 18º”, conta Yamada.

 

Mudanças – A situação começou a mudar – para pior – após o carnaval. “O ajuste fiscal anunciado pelo governo federal impactou os governos das três esferas do poder”, disse Ichikawa.

Não bastasse, o ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo só aprovou o relatório do 17º Festival do Japão em fevereiro deste ano. “Quando apresentamos o projeto para este ano o cenário já não estava bom”, conta Ichikawa que lamenta ainda a dificuldade em conseguir recursos através das emendas parlamentares, como era de praxe.

“Ainda estamos correndo atrás das emendas municipais para a liberação do palco”, avisa, afirmando que a boa notícia foi a aprovação, no início deste ano, do projeto para  captar recursos com base na Lei Rouanet. Ainda assim, houve uma certa concorrência com a criação da Comissão Nacional dos 120 Anos do Tratado de Amizade, que também está levantando fundos para suas atividades.

 

Palco principal, com a arquibancada ao fundo: só na lembrança (Foto: Aldo Shiguti)

Palco principal, com a arquibancada ao fundo: só na lembrança (Foto: Aldo Shiguti)

 

Água e luz – Isso, lamenta Yamada, sem contar nas despesas, que aumentaram. No ano passado, em três semanas, somente as contas de água e luz foram responsáveis por cerca de R$ 200 mil do orçamento. “Para este ano esperamos um aumento de 40%”, conta Yamada, afirmando que “um prejuizo na casa dos três dígitos” colocará em risco a continuidade do evento em 2017. “Mas ainda não estamos pensando nisso. Nossa maior preocupação no momento é fazer com que todos os visitantes se sintam bem nesse Festival”, garante Ichikawa.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

 

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