HAICAI BRASILEIRO

Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô (1644-1694). O haicai caracteriza-se por descrever, de forma breve e objetiva, aspectos da natureza (inclusive a humana) ligados à passagem das estações. Hoje, no mundo inteiro, pessoas de todas as idades e formações escrevem haicais em suas línguas, atestando a universalidade dessa forma de expressão.

Envie seus haicais (no máximo três de cada tema sugerido) digitados ou em letra legível, com nome (mesmo quando preferir o uso de pseudônimo), endereço e RG.

Cada pessoa pode participar com apenas uma identidade.

A seleção dos trabalhos é feita pelos haicaístas Edson Kenji Iura Francisco Handa.

Envie suas cartas para:

Haicai Brasileiro

A/C Jornal Nippak

Rua da Glória, 332

CEP 01510-000 São Paulo-SP

E-mail: jornaldonikkey@yahoo.com.br

Cc. ashiguti@uol.com.br


Técnica e disciplina (1)

 

Para os principiantes nesta composição, a pergunta fundamental pode ser algo como: Quais são os elementos mais importantes para se fazer um haicai? De antemão, sabem que o haicai prescinde de um título. Sabem também que o seu corpo poético é construído em forma de um terceto. Para alguns, isso é suficiente. Se fosse verdade, todo terceto seria um haicai? Não é assim, se levarmos em consideração a história deste poemeto, originário do Japão.

O haicai, que os japoneses, como todos os outros chamam de haiku, em sua forma tradicional leva em consideração o uso do kigô. Alguns pensam que o kigô é semelhante a tema, ou assunto a ser abordado. Nem sempre ocorre desta maneira, podendo o tema ser diferente ao kigô apresentado.

Nada existe de igual na poesia do ocidente, por isso o kigô também se torna difícil de ser entendido em sua função. Quando se trata do principiante, a teoria a seu respeito pode criar mais dificuldades do que entendimento. Assim, simplesmente se usa o kigô apresentado pelos mestres ou pelo orientador da coluna no jornal. Por que o kigô? Por que o não kigô? São questões bizantinas que agradam aos especulares da filosofia e menos aos poetas.

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
FRANCISCO HANDA

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    TEMAS DE MAIO

     

    resized_haicai

     

     

    Céu azul profundo – Fruta-de-conde – Capivara

     

    Céu azul profundo –

    Um pobre na Liberdade

    dormindo na rua.

    Benedita Azevedo

    Magé, RJ

     

    susto à noitinha

    no arrozal do banhado

    chegam capivaras

    Carlos Viegas

    Brasília, DF

     

    Céu azul profundo –

    um casal de velhinhos

    passa, mão na mão

    Cassia Carvalho-Maccari

    St. Laurent du Var, França

    Bem perto da casa

    a família de bugios.

    Frutas-de-conde.

    Danita Cotrim

    São Paulo, SP

    Janelas abertas

    enquanto tiro um cochilo –

    céu azul profundo

    Franklin Magalhães

    Goiânia, GO

     

    Doçura de mel –

    ficou na boca o gostinho

    da fruta-de-conde

    Franklin Magalhães

    Goiânia, GO

     

    Ronco no sombreado

    após banho no lamaçal.

    Casal de capivaras!

    Irene M. Fuke

    São Paulo, SP

     

    céu azul profundo

    o silêncio de domingo

    mais acolhedor

    José Marins

    Curitiba, PR

    Portão aberto –

    Lá no fundo do quintal

    Céu azul profundo

    João Toloi

    Guarulhos, SP

     

    Fruta-de-conde

    cremosa, cheia de sementes –

    Sabor sem par.

    Mario Isao Otsuka

    São Paulo, SP

    Céu azul profundo –

    À sombra do arvoredo

    cochila o roceiro.

    Mahelen Madureira

    Santos, SP

     

    Céu azul profundo –

    o som do monomotor

    à tarde se vai

    Neide Rocha Portugal

    Bandeirantes, PR

     

    As frutas-de-conde

    que apalpo todos os dias

    me enganam ainda 

    Neide Rocha Portugal

    Bandeirantes, PR

     

    céu azul profundo –

    a ave que passa gritando

    me leva junto

    Rose Mendes

    Ilhabela, SP

     

    ao clarão do dia

    no espelho destas águas

    céu azul profundo

    Seishin

    São Roque, SP

     

    Tantos nome pra ela,

    fruta-de-conde na fruteira

    delicia a nona.

    Sílvio Gargano Júnior

    Batatais, SP

     

    Céu azul profundo

    Com altura infinita

    Levanto os braços.

    Yone

    São Paulo, SP

     

    Hoje como sempre

    sob o céu azul profundo

    pastam animais.

    Zekan Fernandes

    São Paulo, SP

     

     

    Temas de julho (postar até 10 de junho)

    Jardim seco – Coruja – Vinho quente

    Temas de agosto (postar até 10 de julho)

    Praia de inverno – Morango – Gripe

     

    [Artigo de Francisco Handa]

     

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