ABUSO DE AUTORIDADE: Keiko Ota diz estar ‘arrependida’. Para Nishimori, é momento de acabar com a corrupção’

Nishimori, único parlamentar nikkei que votou contra a emenda. Foto: divulgação

Nishimori, único parlamentar nikkei que votou contra a emenda. Foto: divulgação

Único deputado federal nikkei a votar contra a emenda que prevê punição a juízes e procuradores por abuso de autoridade, Luiz Nishimori (PR-PR) disse à reportagem do Jornal Nippak que “o momento agora é de acabar com a corrupção”. Procurado nesta terça-feira (6) pelo Jornal Nippak para comentar o assunto, Nishimori disse estar “muito tranquilo”. “Acho que fiz o certo”, disse ele, referindo-se à votação ocorrida no plenário da Câmara dos Deputados na madrugada do dia 30, quando os parlamentares aprovaram o Projeto de Lei 4850/16, que prevê um pacote de medidas contra a corrupção, entre elas a tipificação do caixa dois como crime eleitoral, a criminalização do eleitor pela venda do voto e a transformação em crime hediondo do ato de corrupção que envolva valores superiores a 10 mil salários mínimos.

A proposta, que contou com apoio de mais de 2 milhões de assinaturas de cidadãos, surgiu a partir de uma campanha feita pelo Ministério Público Federal intitulada Dez Medidas Contra a Corrupção. Na votação, no entanto, foram retiradas seis das dez medidas sugeridas pelo MPF e outros itens foram incluídos.

 

Manobra – Com as alterações, a ideia original do texto foi totalmente “danificada”, na avaliação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Uma das propostas mais polêmicas, o destaque apresentado pelo PDT cria a punição para juízes e membros do MPF por abuso de autoridade. A proposição foi aprovada por 313 votos a favor, 132 contra e cinco abstenções. Entre os parlamentares nikkeis, Nishimori votou contra o destaque enquanto Keiko Ota (PSB-SP) e Hidekazu Takayama (PSC-PR) votaram a favor.

A manobra provocou reações da força-tarefa da Lava Jato e da população, que neste domingo (4) saiu às ruas de todo país em protesto. O próximo passo será dado pelo Senado.

Em função da repercussão, no dia seguinte à votação, a assessoria de Nishimori divulgou uma nota de esclarecimento na qual afirma que o deputado “sempre deixou claro que era a favor das 10 medidas contra a corrupção e contra a anistia do Caixa 2”.

“Na votação do projeto 4850/16 que se estendeu pela madrugada o deputado confirmou seu apoio e votou contra a emenda que prevê a responsabilização de Juízes e membros do MP por crimes de responsabilidade”, diz a nota.

 

Lei de Gérson – “O Brasil está amadurecendo e a tendência é melhorar, mas para isso precisamos acabar com essa cultura da ‘lei de Gérson’”, confirmou Nishimori à reportagem do Nippak. “Até entendo algumas reclamações de alguns colegas parlamentares ao votarem a favor da emenda [que prevê punição para juízes e procuradores por abuso de autoridade] por acharem que em alguns casos o Ministério Público está passando do limite, pois, em alguns municípios, os prefeitos não conseguem fazer nada. Mas o momento não é para discutor isso. O país está discutindo a respeito da corrupção. Em relação ao MP precisamos tomar outras medidas para que não ocorram excessos”, disse Nishimori, acrescentando que “a corrupção, que já está enraizada no Brasil há quase 15 anos, é que está estragando o país”.

“Precisamos tomar medidas para que isso nunca mais ocorra”, disse o parlamentar, explicando que concorda com a opinião do senador Álvaro Dias (PV-PR), que afirma que o problema do Brasil “não é o excesso de abuso de autoridade e sim o abuso da prática da corrupção”.

 

Para a deputada Keiko Ota, “não foi o momento oportuno”. Foto: divulgação

Para a deputada Keiko Ota, “não foi o momento oportuno”. Foto: divulgação

 

Keiko Ota – Duramente criticada nas redes sociais, a deputada Keiko Ota disse estar “arrependida” e pediu “perdão”. Nesta quarta-feira (7), em entrevista ao Nippak, Keiko disse que “na hora, tive a convicção de que aquilo que estava fazendo era o certo”. “Mas após nosso Departamento Jurídico analisar o teor do que foi votado, vi que estava equivocada. Não concordo com o destaque que coíbe a atuação do Ministério Público, quem conhece a minha luta sabe disso”, justificou Keiko, acrescentando que “votei num momento de correria”. “Estava tumultuado. Foi um momento inoportuno, se tivesse tido um pouco mais de tempo para ouvir as pessoas teria separado o joio do trigo”, lamentou a deputada, acrescentando que “luto pelo fim da impunidade e quando vi ‘abuso de autoridade’, pensei logo no cidadão”.

“Não era momento de manifestar daquele jeito. Graças ao [juiz Sérgio] Moro estamos purificando o Congresso. Tenho que respeitar os pais de família”, disse Keiko, que após a repercussão negativa postou um vídeo no qual explicava sua opção. As críticas, porém, aumentaram e o vídeo foi retirado do ar. “Apanhei muito”, admitiu a deputada, destacando que “jamais votaria a favor da corrupção, jamais votaria contra a Lava Jato e jamais votaria contra o Ministério da Justiça, que é nosso parceiro no processo do Código Penal”.

“Não foi o momento oportuno de discutir a questão [do abuso de autoridade]. Quero humildemente pedir perdão a todos que me deram seu voto de confiança, ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça, às vítimas de violência que sempre acompanharam minha trajetória e à comunidade japonesa, que sempre me abriu as portas.”, disse a deputada, revelando que “para evitar que isso jamais aconteça novamente”, pretende apresentar nos próximos dias projeto de resolução para que temas e emendas inseridas durante a votação tenha mais tempo de ser discutida”.

 

 

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    2 Comments

    1. a deputada Keiko Ota disse estar “arrependida” !?!?
      Isso foi devido à repercussão que teve a grande revolta da população brasileira indignada com essas decisões tomadas na calada da noite! Foi uma grande traição à confiança depositada nela!

    2. Arrependida?isso é uma vergonha,ou seja ela vota sem ler.
      Mas não tem problema né?ela já garantiu aposentadoria depois de dois mandatos.

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