AERONÁUTICA: Juniti Saito: ‘Sempre gostei de trabalhar em equipe’

Antes de deixar o cargo que ocupou por oito anos, o tenente-brigadeiro do Ar Juniti Saito, 72 anos, destacou momentos que marcaram sua gestão. O oficial-general que mais tempo permaneceu à frente da instituição planeja agora retornar a São Paulo, estado onde nasceu, e dedicar mais tempo à família. Ele passou o comando da Aeronáutica ao tenente-brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, em cerimônia realizada no dia 30 de janeiro, na Base Aérea de Brasília. Na ocasião, Saito se despediu também do serviço ativo da FAB, depois de 55 anos dedicados à carreira militar.

 

Juniti Saito, que deixou o comando da Aeronáutica após oito anos: "Deixo um legado de harmonia" (foto: Agência Força Aerea)

Juniti Saito, que deixou o comando da Aeronáutica após oito anos: “Deixo um legado de harmonia” (foto: Agência Força Aerea)

 

Confira entrevista concedida à Agência Força Aérea:

 

Qual o legado que o senhor deixa após oito anos de comando?

Sempre gostei de trabalhar em equipe e de ouvir muito. Sempre temos algo a aprender, mesmo com aquele que tem ideias contrárias às suas. Então, posso dizer que deixo um legado de harmonia. Aprendi a conciliar o ambiente, talvez por ser o filho mais velho. Por que isso é importante? Ninguém consegue trabalhar e produzir bem num ambiente de desarmonia. Valorizar o trabalho de cada um, receber sugestões, analisar e tirar sempre um norte. Todos têm muita liberdade para falar e defender seu ponto de vista. Saio tranquilo, com paz interior e sem mágoas. Só tenho a agradecer à Força Aérea por ter me proporcionado essa oportunidade ímpar de comandá-la.

 

Os últimos anos foram de muitos projetos e reaparelhamento…

Fizemos muita coisa, mas sempre com trabalho em equipe. Eu não fui o único responsável por isso. Todos os setores contribuíram para alcançar os objetivos da Força Aérea.

Qual momento mais marcou sua gestão?

Do ponto de vista profissional, o projeto dos caças marcou muito. Estou saindo bastante feliz pela decisão. A Presidenta teve um ato de coragem ao dar um destino a um assunto que estava em discussão desde 1995. Eu comecei a trabalhar nesse projeto quando ainda era chefe do Estado-Maior do COMGAR [Comando-Geral de Operações Aéreas], porque os Mirages já estavam com a vida contada e era preciso substituir. Em um país de muitas prioridades como o Brasil, o assunto aeronave de combate foi ficando de lado. O importante era avião de transporte ou helicóptero para atender calamidades. Outro projeto que me deixa muito feliz é o KC-390. Muitos países estão interessados. Estamos incentivando a nossa indústria de defesa. Qualquer país que se propõe a ser independente precisa de uma base industrial de defesa forte.

 

Para Saito, ninguém produz bem num ambiente de desarmonia (foto: Agência Força Aérea)

Para Saito, ninguém produz bem num ambiente de desarmonia (foto: Agência Força Aérea)

 

 

O que o senhor tem a dizer sobre o novo comandante?

Eu o conheci quando ele estava no primeiro ano da Academia em 1972, eu estava em Natal, onde eu era instrutor. Mas tivemos oportunidade de conviver por mais tempo quando fomos criar o 3º/10º Grupo de Aviação em Santa Maria, Esquadrão Centauro. Eu era major e estava na função de operações. Ele foi um dos candidatos designados para compor a equipe. Foi quando pude ver a capacidade dele. Eu sempre digo que a gente conhece um oficial que tem potencial, não como coronel, mas como tenente. Trabalhamos lá dois anos na criação da unidade. Quando fui designado para ser instrutor no Paraguai e poderia levar um oficial, tenente ou capitão, eu não tive dúvidas: convoquei o Rossato para ir comigo. Passamos sete meses ministrando instrução com mais três sargentos. Desde então, acompanho a carreira dele. Trabalhou comigo na Base Aérea de Canoas, foi chefe do meu Estado-Maior no CATRE [Comando Aéreo de Treinamento] e depois no COMGAP [Comando-Geral de Apoio]. É um oficial brilhante. Ele era o mais antigo e foi isso que valeu. O Brigadeiro Rossato chegou no momento certo e na hora certa naquele lugar.

(Agência Força Aérea)

 

 

 

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One Comment

  1. Exemplo e Incentivo: Deus abençoe MUITO e SEMPRE o tenente-brigadeiro do Ar Juniti Saito!!

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