AGRICULTURA: 47º Prêmio Kiyoshi Yamamoto homenageia destaques nikkeis

A Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto realizou, no último dia 10, no salão nobre do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – em São Paulo, cerimônia de outorga da 47ª edição do Prêmio. Com 52 anos de história e 47 edições realizadas, o evento é considerado o de maior lengevidade no setor agrícola do Brasil.

 

Kaoru Antonio Haramoto recebe o Prêmio das mãos do vice-presidente do Bunkyo, Osamu Matsuo. Foto: Jiro Mochizuki

 

Desde que foi instituído, o  Prêmio – cujo objetivo é homenagear pessoas que, nas suas respectivas atividades agropecuárias, tenham contribuído de modo relevante para o desenvolvimento técnico e econômico da agricultura brasileira – já agraciou 157 personalidades, sendo a a maioria constituído por produtores rurais da comunidade nikkei – alguns pesquisadores e professores também foram indicados.

 

Taku Takahachi recebe o Prêmio Kiyoshi Yamamoto de Osamu Matsuo. Foto: Jiro Mochizuki

 

Este ano foram agraciados Taku Takahachi, de Camapuã (MS), Takazi Ishiy, de Itajaí (SC) e Kaoru Antonio Haramoto, de Curitibanos (SC). Por motivo de doença, Takazi Ishiy não pôde comparecer. Curiosamente, os três homenageados nasceram no Estado de São Paulo: Taku Takahachi é de Paraguaçu Paulista; Takazi Ishiy, de Nova Granada, e Haramoto nasceu em Valparaiso.

Estiveram presentes na cerimônia o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi; o vice-presidente do Bunkyo, Osamu Matsuo (na ocasião representando a presidente Harumi Goya); o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e o diretor do Instituto Biológico, Antonio Batista Filho, além do neto de Kiyoshi Yamamoto, Luiz Toshio Yamamoto e o presidente da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto, Kunio Nagai.

 

O diretor do IB, Antonio Batista Filho: “Segunda vez que venho”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Em sua saudação, o cônsul lembrou que, no início do século 20, “quando os colonos japoneses se estabeleceram em terras brasileiras, os vegetais consumidos em São Paulo eram limitados a quiabo, mandioca, cenoura e pimentão, entre outros”. “Atualmente, temos uma abundante variedade de vegetais, legumes e frutas, que podem ser encontradas não só na Ceagesp, como em feiras livres e supermercados”, destacou Noguchi, explicando que “a mesa do brasileiro ficou colorida e diversificada, melhorando assim os hábitos alimentares e contribuindo para a promoção da saúde e do bem estar de toda a população”.

 

Roberto Rodrigues: “admiração pela cultura japonesa”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Admiração – Já o ex-ministro da Agricultura disse que era uma honra participar de um evento tão importante como a cerimônia de outorga do Prêmio Kiyoshi Yamamoto por duas razões. “Primeiro, porque tenho uma profunda admiração pela cultura japonesa e pela forma como essa raça extraordinária homenageia os seus heróis. Um país que não reconhece seus heróis não sabe de onde vem e quem não sabe de onde vem não sabe para onde vai”, discursou Rodrigues, revelando que o segundo motivo era justamente o fato de participar de uma premiação “de pessoas tão notáveis como os senhores Takahachi e Haramoto, que com tecnologia, patriotismo e dedicação constróem o futuro da agricultura brasileira”.

 

Cônsul: “Mesa dos brasileiros ficou colorida e diversificada”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Vandalismo – “O Brasil caminha para ser indiscutivelmente o campeão mundial da segurança no campo e, portanto, da paz mundial pois não há paz onde há fome. E é com o trabalho de homens como esses dois premiados e tantos outros que o Brasil atingirá essa condição que todos nós devemos buscar e nos orgulhar”, disse o ex-ministro, que criticou a invasão ocorrida no último dia 2 na fazenda Rio Claro, pertencente à empresa Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda., em Correntina, no extremo Oeste da Bahia.

 

Haramoto com a esposa Sueli e Teruco Kamitsuji (Bunkyo). Foto: Jiro Mochizuki

 

“Acho que a invasão não é aceitável sob nenhuma hipótese. É vandalismo, e um vandalismo  praticado sem nenhum aviso prévio. Destruíram o patrimônio de uma família honrada. É preciso garantir a ordem no Brasil e espero que as autoridades regionais, estaduais e federais identifiquem os culpados, quem bancou aquilo e porque foi bancado para que essas coisas não se repitam nunca mais”, disse Rodrigues.

 

Taku Takahachi com esposa, familiares e amigos. Foto: Jiro Mochizuki

 

Homenageados – Homenageado por seu cartaér empreendedor, capacidade administrativa e espírito público, Taku Takahachi foi agraciado com a Comenda de Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 2010 por seu pioneirismo, pesquisa e divulgação e incentivo à heveicultura (cultura da seringueira).

Atualmente, a principal atividade desenvolvida por suas três propriedades agrícolas é a cultura da soja com a cultura de precisão, onde cada hectare do solo é analisado e corrigido hectare por hectare com os elementos básicos necessários para aquele pedaço de terra, elevando bem acima a meta da propriedade.

 

Dona Kiko (esposa de Takahachi) com Teruco Kamitsuji. Foto: Jiro Mochizuki

 

“Minha sensação é de dever cumprido e de ter realizado um grande trabalho na região porque, no Mato Grosso do Sul, de 20 mil hectares que nós começamos com finacimento do Prodecer hoje nós estamos cultivando 50 mil hectares de soja”, disse.

 

Haramoto com familiares e amigos. Foto: Jiro Mochizuki

 

Inspiração – Já Kaoru Antonio Haramoto disse que espera servir de inspiração para as futuras gerações.  “Infelizmente, vi poucos jovens hoje aqui na cerimônia, mas é preciso pensar nos jovens, principalmente naqueles que estão começando agora na agricultura  porque eles são o nosso futuro”, disse Haramoto, cujos filhos, Douglas e Ricardo já estão assumindo os negócios da família.

Há 39 anos em Santa Catarina, Haramoto lembrou que seu avô, Hiroshi Haramoto, foi um dos agraciados na primeira edição do Prêmio Kiyoshi Yamamoto, em 1965, e que de lá para cá teve oportunidade de conhecer vários homenageados.

 

Haramoto com a esposa Sueli e Tokio Isobata. Foto: Jiro Mochizuki

 

“Fazer parte deste seleto grupo de premiados faz com que eu me sinta vitorioso e que todo esforço não foi em vão. Mas apesar de me sentir envaidecido preciso continuar trabalhando com a mesma vontade e dedicação. Tenho consciência que todas as minhas conquistas só foram possíveis porque nunca estive sozinho. É um privilégio dividir este mérito com todas as pessoas que caminham e caminharam comigo nos mais diversos momentos da  minha vida, começando pela minha esposa, Sueli, e pelos meus filhos, Douglas e Ricardo, bem como todos o colaboradores”, destacou Haramoto, que citou ainda o seu “primeiro e único chefe”, Mamoru Sassaki, da Planesul; Tokio Isobata e seu filho, Ricardo Isobata (já falecido), e seu sócio, Shuiti Hayashi.

O vice-presidente da Comissão, Alfredo Tsunechiro, encerrou a cerimônia.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
ALDO SHIGUTI

Últimos posts por ALDO SHIGUTI (exibir todos)

     

    Related Post

    SOFTBOL: Nikkei Curitiba é campeã da XVI Taça bras...   Realizado nos dias 28 e 29 de junho, na sede campestre do Nikkey Clube de Marília a XVI Taça brasil de Softbol Feminino Inter Clubes Sub 13,...
    KARATÊ: Atletas da Associação Shizuoka são destaqu... A IKGA-Brasil realizou nos dias 14 e 15 de novembro, no Ginásio Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu (PR), o 7º Campeonato Sul-Americano de Karate-do Go...
    TÊNIS DE MESA: Viver do esporte??? Apesar do curso de Educação Física não ser encarado por muitos como uma Faculdade/Curso Superior, nos dias de hoje a carteira do CREF - Conselho Regio...
    SAKURA: 18º Festival das Cerejeiras Bunkyos recebe...   Realizado nos dias 28 e 29, no Centro Esportivo Kokushikan Daiguku, no município de São Roque (SP) pelo Instituto Brasil-Japão de Integração...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *