AGRICULTURA: Homenageados destacam importância do 45º Prêmio Kiyoshi Yamamoto

A Comissão Organizadora do Prêmio Kiyoshi Yamamoto realizou, no último dia 27, no Salão Nobre do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – cerimônia de outorga aos homenageados da 45ª edição. Este ano, o evento celebrou os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, o Centenário da Instalação do Consulado Geral do Japão em São Paulo e o 60º aniversário de fundação do Bunkyo, além dos 50 anos da instituição do Prêmio.

 

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, discursa durante cerimônia (Foto: Jiro Mochizuki)

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, discursa durante cerimônia (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Estiveram presentes o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; a presidente do Bunkyo, Harumi Goya; o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Mikihisa Motohashi e o presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Yoshiharu Kikuchi, além de Luiz Toshio Yamamoto (neto de Kiyoshi Yamamoto) e amigos e familiares e dos homenageados.

Para comemorar o seu Jubileu de Ouro, durante a cerimônia foi lançado o livro Prêmio Kiyoshi Yamamoto – Contribuição da Comunidade Nikkei para a Agricultura Brasileira. Na ocasião, também foram homenageados os ex-presidentes da Comissão Organizadora do Prêmio Kiyoshi Yamamoto a partir de 1999.

 

Luiz Toshio Yamamoto, neto de Kiyoshi Yamamoto, recebe exemplar do livro entregue por Guenji Yamazoe (Foto: Aldo Shiguti)

Luiz Toshio Yamamoto, neto de Kiyoshi Yamamoto, recebe
exemplar do livro entregue por Guenji Yamazoe (Foto: Aldo Shiguti)

 

Desde que foi criado, em 1965, o Prêmio Kiyoshi Yamamoto já atingiu a marca de 152 homenageados em 45 edições. “Sendo, em sua maioria, produtores rurais – incluindo alguns professores e pesquisadores não nikkeis – que contribuíram para o desenvolvimento da agricultura”, explicou o presidente da Comissão Organizadora, engenheiro Guenji Yamazoe. Segundo ele, o Prêmio é considerado hoje o evento mais antigo e de maior longevidade no setor agropecuário no Brasil. “O objetivo é prestar uma homenagem às personalidades que se destacam na agricultura”, disse Yamazoe, que lembrou os perfis dos homenageados deste ano: um pesquisador (Hiroshi Noda), um produtor rural (Riogo Amaya) e um empresário (Pedro Mizutani). “O que mostra a grande abrangência do Prêmio e sua amplitude”, observou.

 

O presidente da Comissão Organizadora, Guenji Yamazoe (Foto: Jiro Mochizuki)

O presidente da Comissão Organizadora, Guenji Yamazoe (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Líder – Em seu discurso, a presidente do Bunkyo lembrou que a Comissão Organizadora trabalhou “intensamente em duas frentes”. “Primeiro, na seleção dos candidatos, que envolve a participação de entidades. Depois, pelo fôlego para a publicação do livro comemorativo, que destaca  a contribuição dos japoneses para o  desenvolvimento da agricultura”, justificou Goya, acrescentando que o livro ressalta a trajetória de um grande líder da comunidade nikkei, “que atuou fortemente para o intercâmbio Brasil-Japão no período pós-guerra e também na fundação desta entidade”.

Já o cônsul Takahiro Nakamae destacou a importância do Brasil no cenário mundial e a contribuição dos imigrantes japoneses para o desenvolvimento da agricultura, especialmente na produção de frutas, flores e hortaliças, além da introdução de novas tecnologias.

 

A presidente do Bunkyo, Harumi Goya (Foto: Jiro Mochizuki)

A presidente do Bunkyo, Harumi Goya (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Em seguida, o engenheiro agrônomo Hiroshi Noda, de 71 anos de idade, abriu a série de discursos dos homenageados. Paulista, Hiroshi Noda inicialmente agradeceu as duas entidades responsáveis por sua indicação, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Sociedade Nipo-Brasileira de Manaus.

Indicado por sua destacada atuação na região amazônica, voltada à prática de agricultura sustentável, sua visão humanista e de profundo respeito aos agricultores, Hiroshi Noda dedicou o prêmio aos imigrantes japoneses “que trouxeram para o Brasil todo o seu conhecimento na agricultura”.

 

Pedro Mizutani recebe placa das mãos de Mikihisa Motohashi (Foto: Jiro Mochizuki)

Pedro Mizutani recebe placa das mãos de Mikihisa Motohashi (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Crise – Indicado ao Prêmio Kiyoshi Yamamoto por seu empreendedorismo e por revitalizar a cultura de chá na região de Registro, Riogo Amaya contou a trajetória de sua família no Brasil, que teve início em maio de 1919, com a vinda de seus avós, primeiro para o Rio de Janeiro, e depois para Registro. “O Brasil era visto como uma terra que o ano inteiro era produtiva e com trabalho poderia ser frutífera em abundância”, disse Amaya, lembrando que seu pai nasceu durante a viagem de navio.

Segundo ele, seu tio Antonio – o segundo médico japonês formado no Brasil na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro – foi um dos grandes incentivadores para que os irmãos se dedicassem à produção de chá preto em Registro. “Na época, o consumo de chá preto era apreciado pelos diplomatas do exterior”, conta Riogo, que assumiu a direção fabril em 1986, aos 32 anos de idade.

“O nosso auge na produção de chá preto foi na safra de 2011 e 2012, quando chegamos a fabricar 1200 toneladas do produto, sendo que 92% era para exportação e apenas 8% era destinado para o consumo interno.

 

Hiroshi Noda recebe entregue pelo cônsul Takahir Nakamae (Foto: Jiro Mochizuki)

Hiroshi Noda recebe entregue pelo cônsul Takahir Nakamae (Foto: Jiro Mochizuki)

 

A situação começou a mudar após a valorização do Real e o crescente custo Brasil, que tornou o comércio “insustentável”. “O câmbio dos grandes concorrentes como a Índia, Quênia e a China era muito inferiores ao nosso. Apesar de termos chá preto de ótima qualidade, o nosso custo encontrava-se fora da Bolsa Mundial do Chá em que os grandes embaladores negociavam e comparavam a matéria-prima para fabricar os blends das marcas”, explicou, acrescentando que “mesmo assim continuamos trabalhando acreditando no nosso produto”. “Desde 2012 trabalhamos no vermelho e tivemos que reduzir drasticamente o número de funcionários e custos fixos para uma nova realidade, que levou à paralisação da compra de folhas de chá de nossos fornecedores”, conta Riogo, explicando que “o total de nossa produção é de 70 alqueires e hoje estamos trabalhando com 30%”. “Os outros 70% estão no abandono”, observou o produtor, que pediu desculpas aos fornecedores de “folha verde, pois as condições ficaram insustentáveis”.

A crise, conta, abriu caminho para a descoberta da fabricação do chá verde, que utiliza o mesmo processo do chá preto. Os primeiros testes foram feitos em 2012 e no ano seguinte o produto começou a ser comercializado. “A nossa esperança é ver nosso processo fabril funcionando a pleno vapor, recebendo as folhas verdes dos fornecedores. Estamos prontos para essa virada de mercado, pois mantivemos nosso processo fabril intacto e temos capacidade de receber 6000 toneladas da folha verde de boa qualidade por safra”.

No entanto, a retomada do crescimento não é a única preocupação da família no momento. “O que nos preocupa é a especulação imobiliária na nossa área de plantio que vem aumentando vertiginosamente além do desmatamento e a ocupação desenfreada trazendo sérios prejuízos para o que há de mais sagrado para a produção de chá, que é a plantação”, diz Riogo.

 

Riogo Amaya recebe placa entregue por Harumi Goya (Foto: Jiro Mochizuki)

Riogo Amaya recebe placa entregue por Harumi Goya (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Lenços – Atual vice-presidente do grupo Raizen (Fusão de Cosan com Shell) e membro de Conselho da Cosan-Indústria de Álcool e Açúcar, CTC-Centro de Tecnologia Canavieira, Iogen e Única-União das Indústrias de Cana-de-Açucar, o paulista Pedro Mizutani foi indicado para receber o Prêmio Kiyoshi Yamamoto deste ano pelo apoio e sustentação aos pequenos e médios produtores de cana-de-açucar com ênfase na preservação do meio ambiente.

Ao Jornal Nippak, disse que se trata de um prêmio inédito dentro da comunidade nipo-brasileira. “A cana-de-açucar nunca recebeu qualquer tipo de premiação da comunidade japonesa, principalmente vindo do Bunkyo”, disse Mizutani, acrescentando que o prêmio representa um incentivo a mais “para todos nós do setor”. “Como disse o próprio cônsul, o Brasil é um país imenso, maravilhoso e que tem uma competitividade muito grande na agricultura. E é por isso que temos que lutar, para sermos fortes e sustentáveis”, esclareceu Mizutani, que em sua fala explicou que também a agroindústria não está imune à crise que o país atravessa. “Nas dificuldades, ou você chora ou vende lenço. Nós preferimos vender lenços”, destacou.

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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