ARQUITETURA: MORRE NO RIO O PAISAGISTA HARUYOSHI ONO, DISCÍPULO E HERDEIRO DE BURLE MARX

O arquiteto Haruyoshi Ono, discípulo e herdeiro artístico do mais importante paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx (1909-1994), morreu na noite de domingo (22), aos 73 anos, no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, de uma hemorragia intracraniana. O corpo do paisagista foi cremado no Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária do Rio.

 

O arquiteto Haruyoshi Ono, que faleceu aos 73 anos. Foto: Reprodução

 

Carioca, filho de japoneses, Haruyoshi Ono estudava na então Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando ingressou como estagiário, em 1965, no escritório de Burle Marx. Na época, o renomado paisagista brasileiro estava executando um dos seus mais importantes projetos, o Parque do Flamengo.

Ao longo dos anos, a relação de parceria do mestre com seu discípulo foi se consolidando e Ono, sempre atuando na área de criação dos projetos, acabou se tornando sócio do escritório.  Depois da morte de Burle Marx, Haruyoshi se tornou o titular e deu continuidade à criação e elaboração de projetos em espaços públicos, comerciais e particulares, tanto no Brasil como no exterior.

O paisagismo do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, e da Vila dos Atletas, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, são alguns dos projetos recentes que levam a assinatura de Haruyoshi Ono. Ele esteve à frente também de obras em outras cidades e países, como uma área de 300 mil m² do Eixo Monumental, em Brasília, a Praça da Revolução, em Rio Branco (AC), e o Parque City Centre, em Kuala Lumpur, na Malásia.

Em nota, o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) lamentou a morte de Haruyoshi Ono, destacando seu papel como continuador da obra de Burle Marx. Amigo pessoal do paisagista, o arquiteto Luiz Fernando Janot, ex-presidente do IAB-RJ e membro do Conselho Federal de Arquitetura e Urbanismo (CAU), disse que Ono “conseguiu fazer uma releitura da criação de Burle Marx e imprimir personalidade própria aos desenhos. Foi um craque e criou trabalhos ótimos”.

No comunicado sobre o falecimento publicado em sua página no Facebook, o Escritório de Paisagismo Burle Marx informa que os filhos de Haruyoshi, Isabela e Julio Ono, bem como a esposa e também arquiteta Fátima Gomes, além do sócio Gustavo Leivas, permanecerão à frente dos projetos e do acervo paisagístico, dando continuidade ao legado do paisagista

 

(da EBC)

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One Comment

  1. Agradecemos de coração a publicação sobre Haruyoshi Ono ao Jornal Nippak/Redação.
    Quando o acontecimento nos apanha de surpresa, é difícil de se acreditar, de aceitar… Mesmo passados dias, nos momentos em que as mentes não estão ocupadas com obrigações, as lembranças nos assaltam. Imagino como estão todos. Pude ir ao velório com filhos, mas não consegui escrever. Por longo período festejamos Ano Novo: titia Ekiko (mãe de Haruyoshi e irmã da minha mãe Etsuko); Norihisa, o irmão mais velho; Haruyoshi com esposa Fátima e filhos Fernando, Isabela e Julio; Massahiro, seu irmão mais novo, com esposa Feliciana e filhos Bruno e Priscilla; eu com marido Jose, filhos Hideharu, Tadao e Tadaharu. Norihisa e Haruyoshi se esmeravam em finos pratos japoneses.
    Pude registrar no Boletim Rio Nikkei a inauguração de “100 Ipês” – em 19/6/2008, Praça Arnaldo Moraes, Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro – onde figuram, junto ao Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa no RJ, em foto de Julio Ono: ex-ministro Taro Aso, arquiteto paisagista Haruyoshi Ono, e Akiyoshi Shikada e Akio Miyamoto, respectivamente presidente e diretor de planejamento do Comitê do Centenário e Intercâmbio Brasil-Japão. Pelo correr dos anos, o diretor do Burle Marx e Cia. será lembrado carinhosamente pela beleza florida e envolvente dos 100 Tabebuia Chrysotricha!!
    Teruko Okagawa Monteiro

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