ARTES: Artista Mariko Mori inaugura escultura monumental no Rio

Reconhecida internacionalmente por combinar ciência, tecnologia e natureza em seus trabalhos, a artista plástica japonesa Mariko Mori se propôs um desafio: conectar os seis continentes do planeta através da arte, instalando em cada um deles uma obra permanente de grande porte. Depois de fincar a escultura monumental Sun Pillar na Ilha de Miyako, no Japão, em 2011, ela escolheu o Rio de Janeiro como o cenário da segunda etapa de seu ousado projeto. E inaugura, em evento para convidados no dia 2 de agosto,  a obra Ring: One With Nature, um imenso e flutuante anel luminoso em acrílico, com 3 metros de diâmetro e duas toneladas, no pico da cascata Véu da Noiva, em Muriqui (Mangaratiba), a 58 metros de altura.

 

Escultura é um imenso e flutuante anel luminoso com três metros de diâmetro e duas toneladas. Foto: Divulgação.

Escultura é um imenso e flutuante anel luminoso com três metros de diâmetro e duas toneladas. Foto: Divulgação.

 

A obra recebeu a chancela do Celebra – Programa de Cultura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e foi viabilizada através da Faou Foundation, de Nova York. A cerimônia de inauguração está prevista para às 13h, com a participação da cantora baiana Virginia Rodrigues. A obra estará aberta ao público a partir do dia seguinte.

Mariko Mori está radicada desde 1992 em Nova York, onde estudou arte no programa de estudos independentes do Whitney Museum, após se formar no Chelsea College of Art & Design, em Londres. Seus trabalhos ganharam dimensão internacional desde os anos 1990, quando começou a produzir vídeos e fotografias de grandes formatos, sendo muitas vezes ela própria a protagonista de narrativas sobre temas futurísticos e fantásticos, inspiradas no conceito budista de que todas as coisas do universo estão conectadas.

É hoje a artista japonesa contemporânea de maior visibilidade no ocidente, realizando mostras concorridas e integrando o acervo de importantes instituições como MoMA e Guggenheim, em Nova York, e o Centro Georges Pompidou, em Paris.

No Brasil é conhecida desde 2002, quando participou da Bienal de São Paulo. Em 2011, fez sua primeira individual no país, apresentado a mostra Oneness nos CCBB de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Somente no Rio, mais de 500 mil visitantes conferiram a exposição ao longo de dois meses, alcançando o primeiro lugar nos rankings de visitação de mostras de arte contemporânea no mundo.

 

Ring – Ring é o segundo e mais ambicioso trabalho de Mariko Mori criado através da Faou Foundation, instituição fundada pela artista com a missão de presentear o mundo com trabalhos site-specific, em espaços ecológicos únicos, a fim de promover consciência ambiental. O primeiro, em 2011, foi a escultura Sun Pillar, em Seven Light Bay, na Ilha de Miyako, no Japão, como parte do projeto intitulado Primal Rhythm, que prevê ainda uma segunda obra, Moon Stone, programada para 2020.

O grande anel de acrílico mudará de cor de acordo com a incidência da luz do sol, passando por colorações que vão do azul ao dourado, e será fixado no alto da cachoeira por duas hastes de aço, posicionadas na parte posterior da obra e pintadas de verde-acinzentado para passarem desapercebidas em meio à mata local. No solstício do inverno, o anel ficará alinhado com o sol.

Ring se apresenta como um símbolo de união entre a humanidade e a natureza, incentivando a proteção ambiental por meio da arte. Por conta dessa representação, a obra recebeu a chancela do Celebra – Programa de Cultura dos Jogos Rio 2016. Coube à Nissan, patrocinadora oficial dos Jogos, os recursos necessários para a sua viabilização. “Anel significa unidade, eternidade e completude. É um verdadeiro privilégio apresentar este trabalho durante um momento de unidade internacional, que são os Jogos Olímpicos”, entusiasma-se Mariko Mori, que já se encontra no Rio de Janeiro para comandar a complexa operação de assentamento da obra.

A realização de Ring contou com o apoio adicional de John S. Jr. Wadsworth, da Rosenkranz Foundation, da The Hayden Family Foundation, de Wilbur L. Ross, Jr., da Japan House e da Prefeitura de Mangaratiba.

A obra é uma doação da Faou Foundation para o INEA (Instituto Estadual do Ambiente) e o Estado do Rio de Janeiro.

 


 

Mariko Mori é considerada uma das artistas mais importantes do Japão

Mori é atualmente a artista japonesa mais conhecida no ocidente. Foto: David Slms

Mori é atualmente a artista japonesa mais conhecida no ocidente. Foto: David Slms

Mariko Mori é considerada uma das artistas mais importantes surgidas no Japão nos últimos 50 anos. Mostras individuais das obras de Mori têm sido organizadas por instituições em todo o mundo, incluindo a Royal Academy of Arts e Serpentine Gallery, ambas em Londres, Reino Unido; Centre Georges Pompidou, Paris, França; Museu de Arte Contemporânea de Tóquio e Espace Louis Vuitton, em Tóquio, Japão; Prada Foundation, em Milão, Itália; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles, Estados Unidos; Museu de Arte Contemporânea, Chicago, Estados Unidos; Brooklyn Museum of Art, Nova York, Estados Unidos; Art Gallery of Western Australia, Perth; Kunsthaus Bregenz, Bregenz, Áustria; Aros Aarhus Kunstmuseum, Aarhus, Dinamarca; e Groninger Museum, Groningen, Holanda.

Seu trabalho está nas coleções do Museu Solomon R. Guggenheim e Museu de Arte Moderna de Nova York; Centre Georges Pompidou, Paris; Fondation Louis Vuitton, Paris; Prada Foundation, Milão; Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles; Museu de Arte Contemporânea, Chicago; Museu de Israel, em Jerusalém; e Pinchuk Arts Centre, Kiev.

Ela também participou das principais bienais ao redor do mundo, como Veneza, Istambul, Sydney, Xangai, São Paulo e Cingapura. Em 2013, como parte de uma parceria entre o Teatro La Fenice, em Veneza, e Bienal de Veneza, Mori foi convidada para desenhar os figurinos e cenários para uma produção da ópera Madame Butterfly.

Mariko Mori criou a Faou Foundation em 2011. É representada por Sean Kelly, em Nova York, e pela SCAI Bathhouse, em Tóquio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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