ARTES MARCIAIS: Atleta de karatê busca patrocínio para disputar Paralimpíada de 2020

Jonas Amaral de Freitas, de 24 anos, encontrou nas artes marciais, mais especificamente no karatê, uma forma de superar sua deficiência. Sem uma das pernas – a esquerda – amputada quando tinha 16 anos, resultado de uma “brincadeira mal sucedida’ – levou oito tiros após jogar pedras em um carro na Rodovia BR 116 – Jonas conta que sempre gostou de artes marciais “mas nunca teve oportunidade de praticar”. Por uma dessas ironias do destino, a oportunidade veio justamente após o forte golpe que mudou sua vida.

 

Jonas durante demonstração dos alunos do sensei Flávio Vicente de Souza no 15º Okinawa Festival. Foto: Aldo Shiguti

 

Morador de Embu das Artes, na Grande São Paulo, chegou a praticar outros esportes no ginásio municipal Herminio Espósito como tênis de mesa, jiu jitsu e taekwondo, mas “se apaixonou” pela história e técnica do karatê, em especial o estilo goju-ryu, desenvolvido por Chojun Miyagi. Em abril deste ano, Jonas conheceu o sensei Flávio Vicente de Souza, da Associação Okinawa Shorin-Ryu Karatê Jyureikan do Brasil e Okinawa Kobudo Jinbukai – Filial do Brasil, e se interessou pelo kobudo.

7º Dan Karatê e 5º Dan Kobudo, sensei Flavio Vicente de Souza viu potencial em Jonas. Tanto que o colocou para treinar em sua academia como bolsista, isto é, isento de mensalidade. Os treinos acontecem as quintas e sábados, na Associação Okinawa Kenjin do Brasil, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

 

Jonas e o sensei Flávio Vicente de Souza na Associação Okinawa. Foto: Aldo Shiguti

 

Agora, Jonas busca patrocínio para poder realizar seu sonho: disputar os Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão. “Como o para-karate ainda é algo novo, não sei exatamente em que categoria vou me encaixar”, disse Jonas, que em abril deste ano fez uma exibição durante o Arnold Classic South America, realizado no no Transamérica Expo Center e que contou com a presença do próprio ator Arnold Schwarzenegger.

Se não der para competir na categoria para atletas com deficiência nos membros inferiores, Jonas revela que já tem um “plano B”, que inclui tentar se adaptar à categoria de cadeirantes. “Para mim é um sonho disputar os Jogos Paralímpicos. Quero mostrar que qualquer pessoa pode praticar karatê, como o mestre Watanabe, que começou a praticar com 50 anos de idade e foi um dos grandes senseis do Brasil”, disse Jonas.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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