ARTES MARCIAIS: Mestres de karatê comemoram inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos de 2020

Akira Saito: “A tradição pode e deve ser (Aldo Shiguti) cultivada nos treinamentos”. Foto: Facebook/Akira Saito

Akira Saito: “A tradição pode e deve ser (Aldo Shiguti)
cultivada nos treinamentos”. Foto: Facebook/Akira Saito

 

O Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou, no último dia 3, a inclusão do surfe, skate, beisebol/softbol, escalada e karatê como modalidades olímpicas em 2020 nos Jogos de Tóquio 2020. Professores entrevistados pelo Jornal Nippak comemoram a decisão do COI. Para Akira Saito, renshi-shihan (mestre) 5º dan karate-do Goju-ryu, “a inclusão do karatê no programa olímpico é um sonho já antigo para muitos praticantes”. “Para quem acredita em evolução, os Jogos Olímpicos representam o que há de melhor nos esportes de alto rendimento. Por isso vejo com muita alegria, após tantos anos, a nossa modalidade ser incluída e principalmente por ter sido a votação do COI na nossa casa”, disse Saito, campeão Mundial em 2013, referindo-se ao fato de a decisão ter sido anunciada durante o congresso da entidade realizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

 

 

Mestres comemoram inclusão do karatê no programa dos Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio. Foto: Aldo Shiguti

Mestres comemoram inclusão do karatê no programa dos Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio. Foto: Aldo Shiguti

 

Flavio Vicente de Souza, 7º dan, da Associação Okinawa Shorin-Ryu Jyureikan do Brasil e Okinawa Kobudo Jinbukai do Brasil, também comemorou, “mas com moderação”. Para ele, a inclusão do karatê nas Olimpíadas será muito bom para maior divulgação da modalidade como esporte, mas faz ressalvas.

“Espero que o karatê seja apreciado com moderação; seja moderado para não trocar a doutrina por regulamentos; seja moderado para não dizer sim ao esporte e não a filosofia; seja moderado para não considerar um ponto maior que a eficácia de um golpe; seja moderado para não confundir performance de um atleta com o desempenho de karateca ; seja moderado para não fazer análise de um praticante, pelos podiuns que ele possui”, enumera.

 

Comitê Olímpico Internacional anunciou a inclusão do karatê no programa olímpico de 2020. Foto: Aldo Shiguti

Comitê Olímpico Internacional anunciou a inclusão do karatê no programa olímpico de 2020. Foto: Aldo Shiguti

 

Bailado – Um dos mestres mais conceituados do estilo Goju-ryu e único hanshi 10º dan no Brasil, Yasunori Yonamine também comemorou a inclusão do karatê como esporte olímpico. Do seu jeito, mas comemorou. Pai de cinco filhos (Hatsumi, Yumi, Naomi, Yuka e Kunihiko), todos praticantes de karatê – Hatsumi é tecnica da Seleção Brasileira e Yumi da Seleção Paulista – Yonamine concorda que a divulgação será bom para a modalidade, mas revela que uma de suas preocupações é quanto a “essência” da arte marcial. Segundo ele, hoje se pratica mais o karatê de competição em detrimento do karatê tradicional, aquele que nasceu na ilha de Okinawa. “Karatê não é dança e o que se vê atualmente é mais bailado”, diz Yonamine, que receia que os praticantes se distanciem cada vez mais do “verdadeiro karatê”.

Aos 75 anos – sendo 12 como árbitro internacional – Yonamine, que também tem duas netas (Nicole, de 20 anos, e Monique, de 18) na Seleção Brasileira que disputará o Campeonato Mundial na Áustria, de 25 a 30 de outubro, destaca que hoje o julgamento é pouco criterioso. Para ele, avalia-se muito o “gostei e não gostei” quando o correto seria avaliar a qualidade. “A preocupação não deve ser a de fabricar campeões e sim o de transmitir o verdadeiro karatê”, explica.

 

 

Comitê Olímpico Internacional anunciou a inclusão do karatê no programa olímpico de 2020. Foto: Aldo Shiguti

Flavio Vicente de Souza: “Luto para manter a tradição”. Foto: Aldo Shiguti

 

Investimento – Já para Akira Saito, “a tradição pode e deve ser cultivada nos treinamentos, no seu dia a dia”. Para ele, o que falta é um investimento “mais sério” no esporte.

“Um atleta que disputa uma competição de alto nível necessita não só de patrocínio para pagar a ‘passagem e o hotel’. Ele precisa de uma infraestrutura séria, com condições em que possa se dedicar 100% à sua preparação, todos os dias, durante o ano todo. Vendo os comentários sobre os atletas que estão disputando as Olimpíadas no Rio, percebo que a grande maioria do público do Brasil, incluindo governos, mídia, empresas, acha que um atleta por estar lá na disputa, tem a obrigação de “render” como os outros atletas”, destaca Saito, explicando que “só que a receita na verdade é simples”.

“Para termos resultados é preciso investir desde cedo na base. Dar às crianças a oportunidade de poder praticar as modalidades, mas depois ter toda uma infraestrutura para acolher estes talentos e dar-lhes suporte para se tornar atletas de verdade. O Brasil iniciou um tímido trabalho, torcemos que isto não tenha sido só para os Jogos do Rio, e que para os Jogos de Toquio 2020, cheguemos com força total”.

 

Yasunori Yonamine: “Karatê não é dança”. Foto: Aldo Shiguti

Yasunori Yonamine: “Karatê não é dança”. Foto: Aldo Shiguti

 

Orientações – Para Flavio Vicente, que de dois em dois anos traz professores de Okinawa e do Japão para seminários e congressos no Brasil com o objetivo de manter a tradição do karatê-do, tanto o karatê-do como o karatê esporte ajudam a dar mais visibilidade ao esporte. No entanto, destaca que “o que não pode ocorrer é divulgar apenas a parte competitiva e não transmitir mais o budo, o reiguisaho, enfim, o ensinamento da arte marcial do budo”.

Para os iniciantes, o professor orienta sempre “verificar o histórico e currículo do professor, se a entidade dele está filiado a Federação ou Confederação de Karatê e se segue uma linhagem que tenha uma matriz no Japão ou mesmo filiada a alguma entidade no Japão”. Para ele, porém, o momento é de comemorar a boa notícia. “Vamos investir e praticar tanto o karate esporte como o karate-do budo, que transformam pessoas em um cidadão de bem para a sociedade”, diz.

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    One Comment

    1. Muito aprimoramento e grandes alegrias na trajetória do KARATÊ!!! Cada vez maior!!!

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