ARTES: MHIJB apresenta a exposição ‘Tomoo Handa – 100 Anos de Brasil’

Pintor, desenhista, historiador, escritor e jornalista, Tomoo Handa (Utsunomiya, Japão, 1906 – Atibaia, SP, 1996) desembarcou no Brasil em 1917, com apenas 11 de idade.  Fixou residência em Porto Martins, interior de São Paulo, e de lá seguiu para a fazenda Santo Antônio, próxima a Botucatu, para trabalhar na lavoura de café. Em 1921, mudou para a capital, onde iniciou sua formação artística na Escola Profissional Masculina do Brás. Cursou a Escola de Belas Artes de São Paulo e em 1935, ao lado de outros artistas funda o Grupo Seibi (Seibi-Kai) – Grupo de Artistas Plásticos de São Paulo – que reunia nomes como Hajime Higaki, Shigeto Tanaka, Kiyoji Tomioka, Takahashi, Yuji Tamaki e Yoshiya Takaoka.

 

Roberto Nishio, Masaru Susaki (diretor da Japan Foundation), Lidia Yamashita e Pedro Handa. foto: Aldo Shiguti

 

Dotado de extraordinária sensibilidade, e sendo ele próprio imigrante, soube como ninguém retratar a vida do imigrante na zona rural. Tanto por meio de textos, como tão bem registrou em “O Imigrante Japonês – História de sua Vida no Brasil” – para muitos, “a bíblia” para quem quer saber a história da imigração – como em telas. Mais de 400, pelos cálculos do filho Pedro Handa.

Agora, o público em geral, especialmente as novas gerações, poderão ter acesso a parte do legado deixado pelo artista na exposição “Tomoo Handa – 100 Anos de Brasil”, que permanecerá aberta à visitação até o próximo dia 22 no nono andar do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (no prédio do Bunkyo).

Esta exposição reúne parte das obras que Handa doou ao MHIJB, de que foi um dos fundadores. Segundo a vice-presidente da Comissão de Adminstração do museu, no total Handa doou cerca de 50 obras das quais 27 estão em exposição, bem como materiais didáticos e, é claro, “a bíblia” da imigração.

 

Pedro com a irmã, Mitiko. Foto: Aldo Shiguti

 

“Estamos fazendo essa homenagem porque Tomoo Handa foi uma pessoa importante para a comunidadc japonesa e, em particular para o museu porque ele foi um dos fundadores. Além disso, ele sempre falava sobre a importância de preservar a história da imigração”, disse Lídia Yamashita, explicando que “através de suas pinturas você consegue captar sentimentos que não conseguiria lendo um livro”. “Através da pintura você sente a vida que os imigrantes levavam. Alguns chegam a me dar conforto só de pensar que a vida do imigrante não foi só sofrimento. Ele retratou crianças brincando e isso me conforta bastante”, conta Lídia acrescentando que a mostra a faz lembrar de seu pai.

“Gostaria que todos vissem e sentissem a história da imigração através de seus quadros, que é muito mais fácil e muito mais rico e profundo do que a literatura. Nesse sentido que nós decidimos fazer esta homenagem. Infelizmente não conseguimos prolongar por um período mais longo como gostaríamos, mas é importante para marcar o Centenário de sua chegada ao Brasil”, explicou.

Nesta terça-feira, 10, a inauguração reuniu não só familiares – estavam presentes dois de seus três filhos – além do advogado Pedro Handa compareceu também a filha Mitiko –como também muitos amigos da família.

 

Tuyoci Ohara, Lidia Yamashita, Pedro Handa e esposa. Foto: Aldo Shiguti

 

Visionário – Para Pedro Handa, trata-se de uma exposição para a comunidade em geral. “Meu pai era um visionário e na minha infância não tinha ideia do que suas obras representariam no futuro. Essas imagens que ele conseguiu transpor para a tela, dos pioneiros trabalhando de sol a sol nas lavouras praticamente já estão esquecidas, mas através de suas pinturas ele conseguiu deixar um legado para a posteridade”, explicou Pedro, acrescentando que era desejo de seu pai que todos os quadros ficassem juntos. “Existem muitas obras com colecionadores e em museus, mas a maioria está em poder da família. Ele queria que as obras fossem doadas para que elas não se  pulverizassem”, destaca Pedro, acrescentando que a família também está pensando em lançar uma nova edição do livro “O imigrantes japonês”, que encontra-se esgotada há muito tempo.

“Vejo meu pai como uma pessoa com personalidade forte e um artista talentoso, além de uma visão panorâmica do futuro que ninguém tinha. Muitos escritores e artistas escreverram e pintaram sobre outros temas, mas poucos retrataram a vida do imigrante. Esse foi seu legado”, define Pedro Handa.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Tomoo Handa – 100 Anos de Brasil

    Quando: Até o dia 22 de outubro. De terça a domingo, das 13h30 às 17 horas

    Onde: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (Rua São Joaquim, 381- 9º andar)

    Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (crianças e estudantes mediante carteirinha)

    Informações pelo telefone: 11/3208-5465

     

     

     

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