ARTIGO: Economia brasileira baseada no consumo gera estagnação

 

Por Luiz Nishimori

Há algum tempo percebo que há uma séria crise interna no Brasil, devido ao atual modelo de desenvolvimento econômico baseado no aumento de consumo da população. Os vários incentivos oficiais concedidos à indústria brasileira já não estão surtindo o efeito esperado em razão do endividamento da população do nosso País. Segundo o IBGE, a indústria brasileira caiu 4,3% em maio na comparação com igual período do ano passado. Esta foi a nona queda seguida conforme esta base de comparação e o pior desempenho desde setembro de 2009. O atual modelo econômico esgotou-se!

É necessário adotar uma política estrutural coerente e não tentar costurar uma colcha de retalhos como tem sido feito. Precisamos de ações políticas que nos permitam o desenvolvimento econômico e o equilíbrio da competitividade com os mercados externos, que hoje atendem a grande parte da demanda existente em nosso País, simplesmente por se fazerem competitivos de uma forma que a nossa indústria não consegue.

Os novos resultados divulgados pelo IBGE indicam que os pacotes lançados nos últimos anos não conseguiram impedir sequer que os setores privilegiados por benefícios também sucumbissem. A indústria brasileira tem condições de se soerguer, mas precisa de políticas públicas estruturantes que permitam uma espécie de competitividade.

Também não foi dada a devida importância a alguns fatores determinantes para o desenvolvimento econômico, entre eles fatores externos. No início da crise econômico-financeira mundial iniciada em 2008, o então Presidente Lula disse, com um tom maroto, que a crise mundial teria o impacto de uma marolinha em nosso País. O que vemos há algum tempo é séria crise no Brasil. O atual modelo de desenvolvimento econômico adotado à época do governo Fernando Henrique Cardoso e seguida por Lula esgotou-se. Foram 18 anos de Plano Real que possibilitaram que governos passados e o atual atingissem um razoável nível de desenvolvimento socioeconômico. Mas agora, para que possamos prosseguir, necessitamos de ousadia e criatividade.

Não será aumentando programas de assistencialismo que nosso País sairá da crise. A educação e a saúde são um caos nacional. Sem o devido investimento em uma boa gestão administrativa, planejamento e aporte financeiro, nada mudará. Estamos em uma economia que tenta ser aquecida por meio do aumento do consumo, ao estimular os bancos a baixarem suas taxas de juros e ao reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns segmentos de nossa indústria. Mas, infelizmente, os maiores incentivos se verificam apenas no segmento automobilístico e na chamada linha branca, que são do setor metalúrgico. Apesar de algum estímulo para as indústrias moveleira, calçadista e têxtil, a agroindústria e demais setores sofrem com a falta de encomendas e, principalmente, devido à desleal concorrência internacional promovida por outros países.

Os vários incentivos oficiais concedidos à indústria brasileira já não estão surtindo efeito. O setor industrial brasileiro, como um todo, continua sua trajetória ladeira abaixo, afetado pela falta de competitividade e atropelado pela força da concorrência externa.

A indústria brasileira opera hoje no mesmo nível em que estava em fins de 2009. Isso significa que toda a expansão registrada no pós-crise de 2008 foi anulada. Segundo o jornal O Globo, foram necessários apenas 14 meses de maus resultados para fazer tamanho estrago!

Neste primeiro semestre de 2012, a indústria brasileira já encolheu 3,4%. O recuo é generalizado. Em maio houve queda em 17 das 27 atividades pesquisadas, em 46 dos 76 subsetores e em 430 dos 755 produtos investigados pelo IBGE. Historicamente, entre 2003 e 2011, cerca de 60% dos ramos industriais conseguiam manter-se em alta; agora, apenas 40% estão nessa privilegiada condição. O que parece evidente é que não estamos indo a lugar algum. Foram anunciados 9 pacotes de incentivos desde 2009; destes, 7 foram adotados no Governo Dilma. Somados, eles representam 102 bilhões de reais em benefícios, de acordo com O Globo, em extenso artigo de

Viviane Oswaid, Cristiane Bonfanti e Lucianne Carneiro. “Não se enxerga reação da economia à altura dos incentivos”.

O IPEA divulgou um relatório no dia 4 de julho, no qual considera “esgotado” o modelo de crescimento baseado no incentivo ao aumento de consumo. A esse respeito o coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea, Roberto Messemberg, afirmou que “se o Governo não considerar essas medidas como parte de um plano maior, o que se faz é apenas enxugar gelo, apagar incêndio ou tapar o sol com a peneira”.

A saída para voltarmos ao crescimento econômico, segundo o IPEA, seria alavancar os investimentos públicos. Entretanto, está ocorrendo justamente o contrário. Basta consultarmos o SIAFI que iremos constatar que dos 80 bilhões de reais aprovados no Orçamento para 2012, menos de 17 bilhões foram executados até agora. Não temos um projeto político voltado a reestabelecer a competitividade da nossa economia, em especial a do setor industrial. Entre 2000 e 2009, a produtividade da indústria caiu 0,9% ao ano. Sem condições adequadas para produzir, com dificuldades logísticas sérias, custos financeiros altos e carga tributária muito onerosa, nossas fábricas curvam-se à concorrência externa.

Os produtos chineses abarrotam nosso mercado, nossas empresas, órgãos públicos e nossos lares. O comportamento do comércio exterior brasileiro comprova esse desequilíbrio. O saldo da Balança de Pagamentos acumulado no primeiro semestre foi o mais baixo em 10 anos, com recuo de 0,9% nas exportações e aumento de 4,6% nas importações. Ou seja: demanda existe, mas ela está sendo suprida pelos fornecedores estrangeiros e não pelas indústrias locais. A indústria brasileira tem condições de se soerguer, mas precisa, para tanto, de políticas públicas estruturantes, uma agenda da competitividade.

 

 

*Luiz Nishimori é deputado federal do Paraná pelo PSDB

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