ARTIGO: Ensino profissionalizante: a chave para a economia brasileira

*Walter Ihoshi

Em março deste ano, tivemos a constatação de que o Brasil se consolida como a sexta maior economia mundial. É um País com um amplo parque industrial, mas infelizmente ainda despreparado quando o assunto é mão de obra qualificada.

Investir na expansão do ensino profissionalizante trará condições fundamentais para a expansão dos investimentos no Brasil, e será um dos alicerces para o crescimento da economia.

A educação profissional pode ser vista como um fator estratégico de competitividade e desenvolvimento humano na economia mundial. Muitos são os desafios nesse novo modelo econômico. Estar bem preparado para as novas exigências de mercado é uma tarefa primordial a ser cumprida, e a mão de obra qualificada é uma exigência desse novo mercado globalizado.

Nas últimas décadas, a indústria passou por diversas transformações e adaptações que, hoje, possibilitam uma produção mais sustentável e moderna. Os avanços tecnológicos e a inovação demandam adaptações e renovações contínuas nesse processo.

Podemos citar como exemplo disso a criação do primeiro curso de “Mecanização de Agricultura de Precisão” aqui no Brasil, uma parceria entre a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, o Centro Paula Souza e a Prefeitura Municipal de Pompéia – localizada a cerca de 396 km da capital paulista, pequena em número de habitantes, mas altamente pontuada quando se fala em inovação e tecnologia.

Esta formação só existe aqui no Brasil e em Oklahoma, nos Estados Unidos, e prepara profissionais para as novas tecnologias de ponta na agricultura. Elas beneficiam, sobretudo, propriedades com produção de grande escala, comuns no agronegócio brasileiro. Toda essa modernização do processo atua na junção de informações sobre as plantações e os solos, em diversos pontos da lavoura. Com esses dados, é possível dar o tratamento adequado a cada porção agrícola, na medida exata de suas necessidades, e isso gera uma maior produtividade ao agricultor.

Mas não são todos os produtores que têm profissionais qualificados para trabalharem com esta nova técnica. Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, com 205 grandes usinas e destilarias, revelou que 56% das empresas utilizam técnicas de agricultura de precisão em alguma etapa do processo de produção. Entretanto, 94% delas apontaram a falta de mão de obra qualificada como um obstáculo à expansão do sistema.

Cursos como esse do município de Pompeia oferecem uma alternativa para preencher a carência de mão de obra existente no País. Mas ainda há muito a ser feito. E algumas medidas estão sendo tomadas.

Neste ano, o Ministério da Educação (MEC) aumentou em 21% a verba de investimento em educação profissional no País. Serão disponibilizados R$ 320 milhões para os estados investirem em reforma, ampliação, construção de escolas técnicas e aquisição de recursos pedagógicos. O objetivo é alcançar meio milhão de matrículas nas escolas estaduais. Atualmente, as redes estaduais de ensino profissionalizante têm 289 mil matrículas. No total, 1,14 milhão de estudantes estão envolvidos com educação profissional no País.

Há, também, o lançamento do Programa Nacional ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Criado em outubro do ano passado pela Presidente Dilma Rousseff, a ideia é expandir e democratizar a oferta de cursos de Educação

Profissional e Tecnológica (EPT) e, em quatro anos, oferecer oito milhões de vagas aos brasileiros. O processo está em andamento, mas o Congresso já aprovou uma Medida Provisória que destina recursos ao programa.

Este é o momento de o ensino técnico avançar no Brasil. Existem ofertas de emprego, porém a mão de obra qualificada ainda é insuficiente para preenchê-las. E com a vinda da Copa e das Olimpíadas ao País, esta demanda tende a crescer cada vez mais, e em diversas áreas. Com profissionais preparados para cumprir as novas exigências de mercado, não há dúvidas de que o Brasil só tem a ganhar em geração de emprego e na sustentabilidade do nosso crescimento econômico.

 

 

*Walter Ihoshi é deputado federal suplente pelo PSD-SP

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