ARTIGO: Impactos da economia colaborativa na hotelaria e turismo

A OMT (Organização Mundial de Turismo) em conjunto com o Ministério do Uruguai, com a FEHGRA (Federación Empresaria Hotelera Gastronómica de la República Argentina)e AHRU (Asociación de Hoteles y Restaurantes del Uruguay), realizaram na cidade de Montevideo, no Uruguai, o “I Encontro Ibero-Americano da OMT Sobre Economia Colaborativa em Alojamento Turístico”, onde o presidente da ABIH-SP e diretor de Operações da ABIH Nacional, Bruno Omori, representou o Brasil no evento.

O evento teve a participação como palestrantes de líderes do turismo, da academia e do governo dos seguintes países Ibero-americanos (Espanha, Portugal, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Colômbia, Paraguai e Equador) que abordaram os impactos da economia colaborativa no setor hoteleiro e de turismo.

O turismo sem dúvida é a atividade econômica com maior potencial de gerar empregos e renda no planeta, cria experiências únicas, relações interpessoais, transmite cultura, difunde conceitos e ao mesmo tempo seus maiores canais de distribuição estão ligados com as tecnologias online , isto é fato, realidade e nada mudará a evolução e surgimento de ideias inovadoras e novos formatos de negócios para este mercado como: as OTAs (Online travel agencies como a booking, decolar, trivago), Mídias Sociais (facebook, trip advisor, whatsapp, instagran, entre outras), Economia Colaborativa ou Compartilhada.

Sendo assim porque é necessário a OMT discutir os impactos da economia colaborativa para a hotelaria e turismo?

Por que amigos, no mundo online e globalizado as informações e ferramentas tecnológicas são expandidas exponencialmente, mundialmente e momentaneamente, os consumidores utilizam, compartilham e experimentam novas experiências todos os dias, mas na grande maiorias das vezes nem as empresas, as entidades e o governo conseguem acompanhar em tempo real estas mudanças drásticas de paradigmas de consumo a tempo de atualizarem seus procedimentos de atendimento, treinamento de colaboradores e principalmente a regulamentação de Leis e Impostos que são realidade de todos os segmentos formais. Portanto é necessário que todas as atividades ligadas às novas tecnologias precisam SER REGULAMENTADAS, ou seja estar de acordo com a legislação de segurança do empreendimento e dos turísticas, respeitar a lei do consumidor, recolher os impostos devidos, entre outros fatores que regulam formalmente a macro e microeconomia de um país.

Quando a atividade como a Economia Colaborativa não tem regulamentação, podem trazer diversas demandas negativas para a sociedade e economia, como foram abordadas no Congresso Ibero-americano da OTM como:

– Turismo Sexual com crianças e adolescentes, pois se não existe controle de check-in com análise dos documentos e das pessoas, não existem ferramentas que impedem esta pratica;

– Queda da arrecadação de impostos, hoje não são recolhidos impostos pela economia colaborativa, no hotel de cada R$ 100 em diária gera mais de R$ 18 em impostos diretos, ou seja se vender R$ 10 bilhões na economia colaborativa o governo está deixando de arrecadar R$ 1,8 bilhões em impostos diretos;

– Falta de segurança para o condomínio e a população, os condomínios residências passam a receber pessoas estranhas com frequência, um exemplo é que os terroristas da Bélgica fizeram suas locações utilizando sites da economia colaborativa;

– Falta de segurança para o turista, em um apartamento ou casa residencial não tem detector de fumaça, brigada de incêndio, seguro de responsabilidade, não tem rota de fuga e escada de segurança formais como os meios de hospedagens formais;

– Queda de emprego e renda, com a queda da demanda de hospedes na hotelaria formal, evidentemente vagas de emprego são retiradas do mercado. Fazendo uma analogia enquanto uma rede internacional emprega 180.000 pessoas uma empresa da economia colaborativa menos de 600 no mundo todo com uma oferta de apartamentos maior que a rede hoteleira

– Aumento do custo de aluguel para os moradores da cidade, com parte da oferta disponibilizada como aluguel de quartos para economia colaborativa, diminui a oferta de quartos para alugar para os moradores que aumentam o preço do custo de moradia na cidade;

– Concorrência desleal com os Meios de Hospedagens Formais, como exemplo um hotel de 100 Uhs tem pelo menos 30 funcionários diretos registrados cujo custo é de quase 100% do valor do salário, pagam impostos altos na energia, agua, Iptu, IR, ISS, tem vistorias do bombeiro e vigilância sanitária, compram de mais de 52 segmentos diversos, tem grande investimento imobilizado e deve fazer retrofit a cada 7 anos.

O evento fora acompanhado na sua íntegra pela ministra de Turismo do Uruguai, onde além das demandas foram apresentadas diversos cases de como regulamentar do ponto de vista jurídico a Economia Colaborativa, em países como Japão, Espanha, Portugal, Argentina, França, entre outros países que levam o turismo como prioridade para o desenvolvimento social, de emprego e renda.

Portanto, a partir do momento em que os sites da Economia Colaborativa atenderem as legislações e necessidades de segurança dos turistas participarão efetivamente e legalmente da cadeira produtiva do turismo. Urge o Brasil seguir a tendência mundial e regulamentar a Economia Colaborativa.

 


Bruno Omori é o atual presidente da ABIH-SP (Foto: divulgação)

Bruno Omori – Presidente da ABIH-SP e Secretário Executivo do Conselho Estadual de Turismo do Estado de SP.

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