ARTIGO: O início de uma nova etapa

 

*Walter Ihoshi

 

Esta semana, o Brasil recebe o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que viaja à América Latina e Caribe para visitar cinco países com o objetivo de desenvolver laços diplomáticos e comerciais com a região. O Brasil é considerado o mais importante de sua agenda. Não é de se admirar, afinal, Brasil e Japão possuem uma relação econômica de longa data, e trabalharam de forma complementar durante muito tempo. Nos anos 50, 60, o Brasil forneceu matéria-prima para a industrialização do Japão. E o Japão foi, por vários anos, o segundo ou o terceiro maior investidor do Brasil.

Hoje, a parceria não é mais a mesma das décadas anteriores. No entanto, jamais deixou de existir. O Japão é o quinto mercado para as exportações brasileiras, e o nosso país é o sétimo para as japonesas. Juntas, movimentam US$ 16 bilhões por ano. O Brasil possui 455 empresas com capital japonês. Quando se trata de investimento, o Japão ainda está entre os dez países que mais investem aqui. Isso significa que se algo importante foi construído na relação Brasil-Japão foi  a confiança, que pode ser fortalecida.

Há um enorme potencial para ambos aprofundarem um novo relacionamento. A visita de Shinzo Abe ao país e os festejos dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão, que serão celebrados no ano que vem, podem selar o início desta nova etapa.

O premiê, que vem acompanhado de uma comitiva de empresários do Nippon Keidanren (Federação das Organizações Econômicas do Japão), deve apresentar projetos de melhoria de portos, estradas ou ferrovias brasileiras – dos quais o Brasil precisa e muito, sobretudo, para escoar sua produção.  Por outro lado, há o interesse do Japão nas áreas de biotecnologia, alimentos e bioenergia – como o etanol e o biodiesel, em que o Brasil é referência mundial.

Ao olhar para o futuro, há dezenas de interesses mútuos. Juntos, os dois países podem se desenvolver e também contribuir para a construção da agenda global, que inclui a preservação do meio ambiente e a diminuição da pobreza. Além disso, as duas nações almejam uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. O Japão vai se candidatar no ano que vem, e o apoio do Brasil será fundamental nesse processo.

No que diz respeito à comunidade nipo-brasileira, também é hora de aproveitar o momento para olhar para frente e buscar parcerias com o governo japonês que acrescentem conhecimento às novas gerações. É importante que os mais jovens continuem tendo acesso ao idioma e às tradições japonesas. Mas, igualmente, às novidades, sejam elas culturais, gastronômicas ou acadêmicas. Com uma formação cada vez melhor, os jovens nikkeis podem transformar essas informações em oportunidades profissionais e atuar com sucesso, lá ou cá.

 

Há muito mais do que se imagina a extrair das relações entre Brasil e Japão. Shinzo Abe sinaliza querer estreitar o diálogo com os brasileiros. Agora resta ao Brasil fazer sua parte, e oferecer a contrapartida necessária para que esse desejo de reaproximação saia do campo das intenções e seja colocada em prática. Ambos só têm a ganhar.

 

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*Walter Ihoshi

é deputado federal pelo PSD-SP

 

 

 

 

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