ARTIGO: Por um mundo de inovações

*Walter Ihoshi

 

O deputado federal Walter Ihoshi esteve em missão oficial aos EUA (Foto: divulgação)

O deputado federal Walter Ihoshi esteve em missão oficial aos EUA (Foto: divulgação)

Entre o final de março e início de abril, integrei a delegação brasileira – composta por dois senadores da República e outros seis deputados federais – que foi aos Estados Unidos, em missão oficial, para debater e trocar experiências com especialistas sobre a evolução no mundo da ciência aplicadas às políticas públicas. Diante das conversas e dos seminários que lá tivemos, afirmo convicto: a inovação tecnológica é o verdadeiro motor do desenvolvimento econômico de um país.

Tais inovações ocorrem de forma descontinuada no tempo e dão origem a um processo de “destruição criadora” no qual as velhas estruturas são abandonadas e substituídas pelo novo. O surgimento e o desenvolvimento da internet é um exemplo atual deste processo. Seu advento provocou mudanças profundas em toda a economia. Nas comunicações, no comércio, na forma de organização da produção, na geração e transmissão do conhecimento as mudanças são substanciais.

A inovação, no entanto, não é algo que surge por geração espontânea. É necessário investir em pesquisa e desenvolvimento para que ocorra. Temos nos Estados Unidos, como exemplo para o mundo, o Vale do Silício, na Califórnia. A região concentra diversas empresas de tecnologia da informação, telecomunicação, computação entre outras, como Apple, Google, Symantec, HP, Intel que não poupam esforços nos quesitos da reinvenção e viabilização de novas ideias, as quais exigem muito conhecimento e investimento. Já no Brasil, temos dois exemplos que deram certo: a Embrapa, que se tornou modelo no país, e fez com que nossos produtos agrícolas tivessem uma competitividade global muito forte, principalmente na área de grãos, e o outro com a Embraer em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA.  Essas duas instituições conseguiram construir um modelo de negócios voltado para inovação. A Embraer é hoje um exemplo de empresa brasileira que adota uma tecnologia globalizada.

Em princípio, acreditava-se que o papel central era desenvolvido pelo empresário e seu espírito empreendedor. Hoje, é explícito que a inovação é fruto de um conjunto amplo de relação entre empresas privadas, governos e as universidades. O processo de geração de inovações requer relações sinérgicas entre estes três agentes.

O Brasil já ocupa, em função dos esforços recentemente realizados, um papel relevante na produção científica mundial ou pelo menos uma posição adequada à sua parcela no produto mundial. Hoje, cerca de 2% da produção científica mundial são derivados dos esforços de pesquisadores brasileiros. Porém, quando olhamos o quanto destes artigos científicos transformam-se efetivamente em inovações e dão direito ao requerimento de patentes, os números são desalentadores. Comparado apenas com os países do BRIC, os principais centros internacionais apontam registros de patentes brasileiras em patamar muito aquém dos países que compõem o bloco econômico. Segundo a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (WIPO), entidade ligada à ONU, o Brasil detém o registro de 397 patentes contra 28.085 da Rússia, 5.206 da China e 2.808 da Índia. Tal número demonstra a falta de vínculo entre a produção científica nacional e o desenvolvimento das atividades produtivas.

A importância da ciência de base é inegável, porém o maior vínculo entre a produção científica e o desenvolvimento produtivo é um passo fundamental para a constituição de um Sistema Nacional de Inovações que garante o pleno desenvolvimento da economia brasileira.

 

*Walter Ihoshi é deputado federal pelo PSD-SP

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