ARTIGO/WALTER IHOSHI: ‘Assumimos um compromisso com a comunidade’

Ihoshi, que luta para a obtenção do visto permanente para yonseis. Foto: divulgação

*Walter Ihoshi

 

O ano de 2016 foi marcante para a nossa história. Os fatos e as ações que compuserem o cenário contextual do período geraram marcas nas políticas brasileira e mundial fundamentais para a sinalização às lideranças de nações, estados e municípios que a governabilidade de administrações públicas devem sempre estar pautadas na democracia.

As eleições municipais, ocorridas em outubro passado, nos deixaram um recado incisivo e direto de que os anseios dos brasileiros pela recondução do nosso país ao caminho do desenvolvimento somente pode ser feita através de trabalho sério e respeitoso. Forma esta qual vimos aplicando no exercício de nossas funções parlamentares desde o início lá em 2007.

Em 2016 – mesmo ocupando a suplência na Câmara dos Deputados – nos preocupamos por demais em manter ativos nossos trabalhos de apoio aos municípios, entidades e grupos que nos confiaram seus votos no pleito eleitoral de 2014, contribuindo para com o desenvolvimento de políticas que propiciem crescimento ao nosso país.

Conquistamos assistências à saúde, educação e infraestrutura de diversos municípios através de emendas parlamentares quais intermediamos junto aos órgãos responsáveis pela liberação dos recursos em Brasília. Essas verbas foram fundamentais para as cidades em um momento quais muitas delas sofrem com déficits em seus orçamentos para manter os serviços básicos à população.

Também em 2016, integramos a comitiva brasileira da Presidência da República, que viajou ao Japão após 11 anos de uma visita oficial de Estado, para reestabelecer uma parceria mútua e estratégica entre ambos os países já vivida em tempos passados. O Japão é um parceiro fundamental para o Brasil em projetos de infraestrutura.

O Japão é a terceira economia mundial e, assim como o Brasil, sempre buscou contribuir com o fomento no desenvolvimento mútuo. Segundo dados do governo, em 2015, o intercâmbio comercial entre os dois países foi de US$ 9,7 bilhões. Nesse mesmo ano, os investimentos diretos japoneses no Brasil alcançaram US$ 2,8 bilhões.

Com a crise econômica instalada em nosso país por conta dos escândalos da Operação Lava Jato, empresas japonesas dos setores automobilístico, indústria naval e energético instaladas aqui perderam muito de seus investimentos, o que gerou a desconfiança do governo japonês.

Nessa missão de resgatar a credibilidade do Brasil, a comitiva nacional apresentou às autoridades e investidores japoneses o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) que faz parte da nova política macroeconômica brasileira. Tais medidas – positivas para a retomada do crescimento – mostram aos países-parceiros a responsabilidade do Brasil para querer retomar os rumos do crescimento com projeções econômicas realistas cujos resultados virão em médio à longo prazo.

Outro fator positivo que diz muito sobre a relação diplomática entre o Brasil e Japão é a iniciativa global do governo japonês de trazer a São Paulo o projeto Japan House. O projeto – com inauguração prevista para março de 2017 – trará aos visitantes um novo olhar sobre o Japão contemporâneo sem esquecer das raízes e das tradições orientais.

Além de São Paulo, Londres e Los Angeles são as três metrópoles selecionadas pelo Japão para receber as primeiras Japan House no mundo. São Paulo foi escolhida porque é no Brasil – e majoritariamente em São Paulo – que vive a maior população de origem japonesa fora do Japão cujas ligações econômicas, sociais e humanas entre os dois países são fortes. E também porque a imagem do Japão no Brasil é positiva.

Assumimos também um compromisso junto a comunidade nipo-brasileira de reforçar a frente para que os descendentes japoneses de quarta geração, os yonsei, possam adquirir o direito do visto permanente para poder trabalhar no Japão. Há mais de 25 anos a quarta geração sofre para conseguir adentrar à terra natal de seus ancestrais e lá permanecer. Tal barreira se dá após a reforma da Lei de Controle da Imigração, instituída e promulgada pelo governo japonês em junho de 1990.

A nossa iniciativa poderá representar um grande avanço nas relações Brasil-Japão, pois há anos trabalhadores brasileiros nisseis e sanseis – filhos de imigrantes que vieram do Japão e netos de imigrantes, respectivamente –  têm sido inestimável na economia japonesa, bem como o intercâmbio cultural dos dois povos através da presença brasileira em terras japonesas.

A aprovação para o visto permanente aos yonseis, no curto prazo, é difícil. Mas esta é uma das bandeiras que estamos defendendo, pois, entendemos que assegura não apenas uma possibilidade de crescimento para os descendentes da 4ª geração, mas como permite uma aproximação não só cultural, mas, também afetiva com o país oriental.

Em janeiro de 2017, retomamos a titularidade na Câmara dos Deputados. Vamos dar continuidade àquilo que já começamos. O trabalho será árduo. Mas carregamos no peito um otimismo de que muitas coisas boas acontecerão. Acreditamos que o nosso vigor, a nossa obstinação, a nossa postura ética aliados aos trabalhos das esferas do Poder Público que buscam o bem do Brasil nos trará resultados positivos nos anos que estão por vir.

 

*Walter Ihoshi – Deputado Federal (PSD/SP)

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2 Comments

  1. que vergonha deputado, mendigar serviços de baixa qualificação para nossos jovens Nippo brasileiros no Japão. quanto dinheiro o senhor esta recebendo das empreiteiras e agências de recrutamento de dekasseguis?

  2. ¨ possibilidade de crescimento para os descendentes da 4ª geração,
    mas como permite uma aproximação não só cultural,mas, também afetiva com o país oriental.¨

    Que hipocrisia, se o Japão fosse um país miserável africano haveria gente intereressada em vistos? Se fosse assim pq não tem negros afro descendentes brigando pelo visto para a quarta geração para viver em Angola, Nigéria? Seja honesto deputado Ihoshi, o Brasil está uma bagunça por causa dos politicos, e o seu partido foi cumplice por fazer parte da quadrilha do Lula e Dilma. Promover a saída de jovens justamente agora que vai ser necessario gente para reconstruir o Brasil é um contra senso, pior ainda é destinar esses jovens para serviços braçais sem qualquer possibilidade de crescimento profissional , o que considero UM CRIME contra a nação brasileira. Outros deputados nikkeis não embarcaram nesse canto falso de sereia. Apenas alguns membros do Bunkyo movidos por interesses escusos é que apoiam esse negocio de visto de yonsei. Gente séria comprometida realmente com a comunidade nikkey não apoia isso.

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