AUTOMOBILISMO: Nikkei busca patrocínio para subir de categoria

Imagine a seguinte cena: Manhã de domingo, em um autódromo qualquer. O piloto Igor Omura Fraga cruza a linha de chegada e comemora mais uma vitória na Fórmula 1. O locutor Galvão Bueno, conhecido por suas “piadinhas de mau gosto” sobre pilotos japoneses, berra ao melhor estilo Galvão Bueno enquanto sobe a trilha que embalava as vitórias do tricampeão Ayrton Senna. A cena, é lógico, foi inventada, mas se depender do personagem em questão, pode virar realidade em breve.

 

Debutando na categoria, Igor Omura Fraga terminou em terceiro na F3 Light na temporada passada (Foto: divulgação)

Debutando na categoria, Igor Omura Fraga terminou em terceiro na F3 Light na temporada passada (Foto: divulgação)

 

Aos 17 de idade, Igor é considerado uma promessa do automobilismo nacional. No ano passado, o piloto disputou a categoria F-3 Light e terminou a temporada na terceira colocação em seu ano de estreia. Foram quatro vitórias na categoria, sendo que o último pódio foi conquistado no encerramento da temporada, no Autódromo de Interlagos, em dezembro

Este ano, a meta é continuar na F3, mas na categoria “A” (Foto: divulgação)

Este ano, a meta é continuar na F3, mas na categoria “A” (Foto: divulgação)

“O ano foi bastante positivo, se levarmos em consideração os problemas mecânicos que tivemos já que quase não tivemos recursos financeiros”, explicou o piloto nikkei, lembrando que para correr na F-3 Light é necessário desembolsar cerca de R$ 500 mil por ano.

“Para mim foi um aprendizado”, disse o piloto, cuja trajetória é um tanto peculiar. Igor nasceu em 1998, na cidade de Kanazawa, província de Ishikawa, no Japão. É filho único do casal Diana Katsumi Fontes Omura e Fabrizio Maciel Fraga. Ela sansei, intérprete, e ele funcionário da Nippon Steel, no Vale do Aço. Ambos de Ipatinga (MG), onde moram atualmente.

O casal foi para o Japão em 1991 para tgrabalhar como dekasseguis. Nos últimos oito anos, a família abriu uma empresa própria, no ramo de automação. Em 2010, com a crise no setor, os pais acharam por bem voltar. “Minha intenção era mesmo retornar por causa do Igor, para que ele tivesse mais contato com a família e também pudesse conviver com a nossa cultura”, explica Diana, lembrando que tanto ela como o marido sempre apoiaram a escolha do filho.

“Ele sempre levou o automobilismo muito a sério e decidimos abdicar de tudo para investir em sua carreira. Se ele vai chegar em algum lugar é outro problema, mas esse é um arrependimento que não queremos carregar”, diz a mãe, que afirma ser “muito pé no chão”. “Essa determinação ele puxou do pai”, conta.

No Japão, Igor começou a correr com apenas três anos de idade, no kart. Foi paixão à primeira vista. “Lá se aprende a dirigir muito cedo”, conta ele, que fala japonês fluentemente. Desde então, vem colecionando títulos e mais títulos, a maioria conquistado em pistas asiáticas. No Japão, foi bicampeão do Mini Rok Biwako Cup, bicampeão do Mini Rok Inagawa Cup e campeão do Mihama Series (prova única onde se reúne todos os campeões da Ásia), todos os títulos conquistados em 2007; além de vice-campeão do Macau International AKOC em Macau (China). Conquistou também o 13º lugar no mundial da categoria do Rok Cup International, na Itália, campeonato
que reuniu 420 pilotos de todo o mundo (Igor foi o único brasileiro a participar). Em 2008, sagrou-se tricampeão do Mini Rok Biwako Cup (Japão) e campeão do AKOC (Asian Karting Open Championship) disputado em 5 países da Ásia (Macau, Philipinas, Indonesia, Thailand e China).

 

O piloto nikkei com a mãe, Diana Katsumi: início ainda no Japão (Foto: divulgação)

O piloto nikkei com a mãe, Diana Katsumi: início ainda no Japão (Foto: divulgação)

 

Mudança – De volta ao Brasil, sua carreira sofreu uma interrupção. A retomada aconteceu em 2014, com participações em algumas corridas dos campeonatos de Fórmula Vee e 1600.

Na F-3 Light, era o piloto mais novo da categoria. Este ano, seu objetivo é subir uma categoria e disputar a F-3 A. Para isso, busca patrocinadores. Hoje, o piloto conta com sete empresas que o ajudam, mas vai precisar de mais. Na categoria A o investimento é maior, entre R$ 700 mil e um milhão de reais por temporada, que começa em abril e termina em dezembro.

 

(Foto: divulgação)

Terceiro colocado na Fórmula 3 Light do ano passado, o piloto nikkei Igor Omura Fraga (Foto: divulgação)

 

Senna – Fã do brasileiro Ayrton Senna, Igor diz que pretende correr atrás de seu sonho, que é um dia chegar no concorrido mundo da Fórmula 1 ou até mesmo na Indy. Segundo ele, o fato de ter nascido no Japão é motivo de orgulho. Para Igor, tudo é questão de oportunidade, de estar no lugar certo, na hora certa. “Sei que são poucos os pilotos japoneses que atingiram o topo mas também sei que para chegar lá é preciso estar numa equipe de ponta. Para mim, defender as bandeiras dos dois países é motivo de muito orgulho”, diz ele, que ostenta em seu capacete as cores da bandeira brasileira.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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