AVENTURA: Japonês que deu a volta ao mundo em uma kombi busca ‘companheiro de volante’ para repetir o feito

 

Quem for ao 17º Festival do Japão, que acontece nesta sexta, sábado e domingo (de 4 a 6), no Imigrantes Exhibition & Convention Center (ex-Centro de Exposição Imigrantes), zona Sul de São Paulo, pode se deparar com um convite inusitado. O japonês Yutaka Okano, de 75 anos, quer encontrar um “companheiro de viagem” para dar a volta ao mundo sobre quatro rodas. Pode parecer, mas Okano, que estará no maior evento de cultura japonesa como representante Daiichikosho – segundo ele a maior empresa do ramo de karaokê do mundo – não está delirando.

 

Yutaka Okano rodou cerca de 110 países (foto: Aldo Shiguti)

 

O próprio foi autor de tal façanha. Em 1962, Okano, então com 23 anos, e o belga Michel Delpiere, entraram para a história ao percorrerem o mundo em uma Kombi. A aventura começou em 1962, na Bélgica, e terminou cinco anos depois. “Chegamos no Brasil em 1963, via Uruguai”, lembra Ocano, que na capital paulista entregou uma carta do governador de Tóquio “não sei se para o prefeito de São Paulo ou se foi para o governador” convidando para a Olimpíada de Tóquio, que seria realizada em 1964.

Foram 350 mil quilômetros percorridos, que dariam sete voltas e meia ao redor do mundo, e 110 países visitados. A façanha rendeu à dupla o recorde de viagem mais longa em terra no mundo. Tudo registrado nos jornais da época.

“O Japão vivia uma situação de pobreza e eu queria sair do país”, lembra Okano, que teve que sair do país com apenas US$ 200 no bolso. “Não era permitido sair do Japão com uma quantia maior que essa”, conta ele, que escreveu mais de 2 mil cartas para presidentes, chefes de estado, reis e empresários solicitando apoio.

“Recebemos ajuda financeira da Jordânia, Afeganistão e Egito, mas por onde passássemos as pessoas sempre nos ajudavam, a maioria com alimentos”, explica Okano. “Durante a viagem dormíamos na própria Kombi ou na casa de amigos”, observa o aventureiro, afirmando que, na viagem, ele o amigo (já falecido) contraíram várias doenças, como malária.

Caso encontre alguém disposto a se revezar no volante, Okano avisa que a viagem já tem até data marcada. “Será entre as Olimpíadas do Rio e de Tóquio”, conta ele, que terá que buscar também um patrocinador disposto a bancar a aventura.

O que Okano certamente não espera repetir é o destino que deu a Kombi. “Toquei fogo porque não queria que sobrasse nada dela”, diz. “Hoje sei que isso não é correto”, se arrepende.

(Aldo Shiguti)

 

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