BAIRRO ORIENTAL: Organizadores do Ano Novo Chinês comemoram sucesso e destacam crescimento do evento

E o Bairro Oriental, – um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo – que tradicionalmente recebe eventos da comunidade japonesa– como o Tanabata Matsuri e o Toyo Matsuri –, se coloriu de vermelho no último fim de semana (13 de 14) para celebrar a chegada do ano do macaco. Idealizado pela JCI Brasil-China, com realização da Tomates Fritos, a festa superou as expectivas dos organizadores, cuja previsão inicial era receber um público estimado em cerca de 200 mil pessoas – 20 mil a mais em relação à edição anterior.

 

O secretário municipal dos Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, dá alface para os leões (Foto: Aldo Shiguti)

O secretário municipal dos Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, dá alface para os leões (Foto: Aldo Shiguti)

 

 

O presidente de honra da JCI Brasil-China, Kawai Cheung, atribuiu o aumento do número de visitantes a dois fatores. “Primeiro, em razão do espaço, que este ano também foi maior pois além da Praça da Liberdade e das ruas Galvão Bueno, dos Estudantes e dos Aflitos, também a rua da Glória foi fechada para os veículos”, disse Kawai, explicando que outro motivo foi “a grande repercussão na mídia”.

 

Pela primeira vez, Rua da Glória também foi fechada para a festa (Foto: Aldo Shiguti)

Pela primeira vez, Rua da Glória também foi fechada para a festa (Foto: Aldo Shiguti)

 

Para o presidente da Tomates Fritos, Ricardo Chen, o evento ganhou dimensões gigantescas que foi necessário profissionalizá-lo. “Como a JCI Brasil-China muda de presidente todos os anos, a ideia de passar o comando da festa para uma empresa foi para que houvesse continuidade e para que pudéssemos agregar melhorias. Além disso, podemos firmar contrato de patrocínio de longo prazo”, disse Chen, que presidiu a JCI Brasil-China na primeira edição do Ano Novo.

 

Ricardo Chen, presidente da Tomates Fritos (Foto: Aldo Shiguti)

Ricardo Chen, presidente da Tomates Fritos (Foto: Aldo Shiguti)

 

“Na época, a comunidade chinesa já era bastante representativa, mas ainda não tinha nenhuma festa que a simbolizasse, a exemplo de outras comunidades estrangeiras. Então, decidimos criar a festa para divulgar e promover a cultura chinesa”, conta Chen, que calcula entre 250 e 300 mil o número de chineses e seus descendentes residindo atualmente no Brasil.

 

Exposição na Rua dos Aflitos mostrou um pouco da China (Foto: Aldo Shiguti)

Exposição na Rua dos Aflitos mostrou um pouco da China (Foto: Aldo Shiguti)

 

Durante dois dias, os visitantes puderam conferir uma festa tão grandiosa como as que ocorrem do outro lado do planeta. Além de comidas típicas, não faltaram atrações culturais como apresentação de kung fu, música, desfile de moda com trajes tradicionais e show de ilusionismo, além de exposição. Mas o que chamou a atenção do público foi mesmo a dança do Dragão e do Leão.

 

Dança do Dragão é sempre um momento muito aguardado (Foto: Aldo Shiguti)

Dança do Dragão é sempre um momento muito aguardado (Foto: Aldo Shiguti)

 

Abertura – A celebração do ano 4714 teve início no sábado, com a cerimônia de abertura. A solenidade, aliás, mostrou porque visitar o Bairro da Liberdade é como conhecer um pedacinho da Ásia sem sair da Capital.

 

(Foto: Aldo Shiguti)

(Foto: Aldo Shiguti)

 

Cosmopolita, a cidade construída por imigrantes abriga democraticamente gente de diferentes nacionalidades num mesmo espaço. Tanto que, além de representantes da comunidade chinesa, entre eles o representante do governo de Taiwan em São Paulo, Johnson Yang; o representante do Centro Cultural, Escritório Econômico e Cultural de Taipei, Francisco Lee; representantes de instituições religiosas; da ex-vereadora Heida Li e da embaixadora da festa, Jiang Pu – que participou da segunda edição do reality show da Band MasterChef Brasil; o palco da festa reuniu também representantes da comunidade japonesa, como o vereador Aurélio Nomura (PSDB); o subsecretário de Empreendedorismo e da Micro e Pequena Empresa, Roberto Sekiya II e o apresentador Marcos Aguena, o “Japa”, mestre de cerimônia da festa desde 2007.

Entre as autoridades, o subprefeito da Sé, Alcides Amazonas (PCdoB); o secretário especial de Direitos Humanos, Rogério Sottili; o coordenador de Política para Migrantes na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, Paulo Illes e o ex-senador e  secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, entre outros.

 

Francisco Lee, que pôde sentir a “energia dos brasileiros” (Foto: Aldo Shiguti)

Francisco Lee, que pôde sentir a “energia dos brasileiros” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Em seu discurso, Francisco Lee, disse, em bom mandarim, que está há 15 anos na América Latina como representante de seu país. Antes de vir para o Brasil, ele passou pelos Escritórios da Argentina, República Dominicana, Panamá e Paraguai. Disse que, no Brasil, foi o único país a sentir tanta energia e aproveitou para convidar os brasileiros a visitarem Taiwan, “que faz uma festa tão bonita e grandiosa como no Brasil”.

Rogério Sottili lembrou que “São Paulo é a cidade de todos os povos, que recebe todos aqueles imigrantes que escolheram viver aqui”. Já o subprefeito da Sé, Alcides Amazonas, destacou as inúmeras parcerias do governo municipal com as mais diversas comunidades estrangeiras radicadas no Brasil.

 

Rogério Sottili: “São Paulo é a cidade de todos os povos” (Foto: Aldo Shiguti)

Rogério Sottili: “São Paulo é a cidade de todos os povos” (Foto: Aldo Shiguti)

 

AgradecimentoAo Jornal Nippak, o vereador Aurélio Nomura disse que sua presença na festa era “somente para agradecer e desejar uma paz duradoura entre as nações”. O parlamentar, no entanto, aproveitou para cutucar o governo federal. “Com o ano do macaco, vamos torcer para que 2016 seja menos sofrido do que foi 2015. Mas, pelo jeito, este ano também já se mostra extramamente difícil com duas grandes preocupações, que são a dengue, uma doença transmitida por um mosquitinho e que virou dor de cabeça nacional, e a crise econômica e social, que está se agravando em todos os setores. Então, vim pedir também para que possamos superar todas essas adversidades em clima de paz”, destacou Nomura.

 

Aurélio Nomura, Kawai Cheung e a simpática Jiang Pu (Foto: Aldo Shiguti)

Aurélio Nomura, Kawai Cheung e a simpática Jiang Pu (Foto: Aldo Shiguti)

 

Gigantes – Em entrevista ao Jornal Nippak, o secretário municipal de Direitos Humanos lembrou que o intercâmbio entre Brasil e China vem aumentando nas últimas décadas, “sobretudo na área cultural”. “E aqui na Liberdade existe uma extraordinária integração entre os povos de diferentes continentes. É muito importante que hajam comemorações com esses significados, tão tradicionais para os seus povos, como fazem também os japoneses”, destacou Eduardo Suplicy.

 

O ex-senador Eduardo Suplicy também marcou presença (Foto: Aldo Shiguti)

O ex-senador Eduardo Suplicy também marcou presença (Foto: Aldo Shiguti)

 

Para o deputado federal William Woo (PV-SP), que visitou a festa no domingo e também prestigiou a celebração no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo), “as relações internacionais são primordiais para a recuperação da economia brasileira  nesse momento de crise”.

 

(Foto: Aldo Shiguti)

(Foto: Aldo Shiguti)

 

“A festa do Ano Novo Chinês fortalece toda a comunidade asiática no país, onde a presença não chega a 2% da sociedade brasileira”, disse Woo, lembrando que a China é o maior parceiro econômico do país e duas gigantes chinesas, a maior empresa do mundo em transmissão de energia e  a segunda maior em geração estão instaladas no Brasil”. “Futuramente, esperamos que esses laços aumentem ainda mais com os investimentos em ferrovias”, destacou o parlamentar, antecipando que em março estará embarcando para o Japão, onde pretende mostrar aos empresários daqueles país as oportunidades geradas devido à crise e as expectativas para 2016 e 217.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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