BAIRRO PRIMEIRA ALIANÇA: Moradores, Ex-Moradores e Amigos realizam 17º Encontro

Moradores, ex-moradores e amigos do bairro da Primeira Aliança, formado entre os municípios paulistas de Getulina e Guaimbe, reuniram-se no último dia 28, nas dependências da Associação Aichi Kenjinkai, na Liberdade, em São Paulo, para mais um encontro anual, o 17º.

 

Palco com autoridades. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Palco com autoridades. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

O evento reuniu cerca de 300 pessoas, entre eles o prefeito de Getulina, Fábio Augusto Alvares; o vice-prefeito Antonio Evangelista de Pina; o prefeito de Santarém Novo (PA), Sei Ohaze; o deputado estadual Jooji Hato (PMDB) e o vereador George Hato (PMDB), além de lideranças da comunidade nikkei, como Yoshio Senaha.

 

Grupo com Senaha. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Grupo com Senaha. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

Em seu discurso, Alvares falou dos laços de sua família com a comunidade, pois seus pais e tias lecionaram na escola da Aliança, destacando ainda que seu avô foi o primeiro prefeito de Guaimbê, cidade vizinha. “Participo tanto dos eventos da colônia em Getulina como aqui, vou com minha família e fico até o fim. Quero dizer que não sou candidato a nada. Aprendi muito com eles sobre disciplina, ética e moral, valores essenciais à formação do caráter de uma pessoa.”

 

Prefeito e vice de Getulina. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Prefeito e vice de Getulina. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

O vice-prefeito Pina, professor aposentado, contou que lecionou por vários anos na escola do bairro onde formou muitas amizades. “Essa convivência vem de há muito tempo, só me trouxe gratidão, orgulho de estar junto a eles. São pessoas honestas, trabalhadoras e cumpridoras de seus deveres”, diz.

 

Prefeito de Santarém, Sei Ohaze. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Prefeito de Santarém Novo, Sei Ohaze. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

O prefeito de Santarém Novo, Sei Ohaze, não mede esforços para participar dos encontros do bairro Aliança, onde morou de 1960 a 1977. Viajou mais de três mil quilômetros. “A motivação é encontrar companheiros. De uns tempos para cá, não perco um”, diz, falando do quanto os japoneses aprenderam com as manifestações de carinho, afeto, fraternidade, dos brasileiros. “Na miscigenação entre japoneses e brasileiros, a juventude de hoje tem mais afeto, carinho; é outro sistema de vida diferente ao que fomos criados.”

 

Morishigue Arashiro e Massako Arashiro. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Morishigue Arashiro e Massako Arashiro. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

Yoshio Senaha, ex-morador da Aliança, lembra do ano de 1960 quando saiu de lá com os pais para morar em São Paulo, em busca de trabalho, pois a lavoura de café tinha diminuído. Ele e a esposa Zilda Miyoko recordam a primeira reunião dos ex-moradores da Aliança no fim dos anos 1980, iniciativa de Tsuguiko Nozaki, Kimiko Sato e Yoshie Kayano. “Hoje meu filho vem com a família aos encontros e ajuda na organização”, diz Senaha, uma maneira de mostrar aos mais jovens o que foi a Aliança nos primeiros tempos. Segundo ele, a colônia diminuiu muito; atualmente 14 famílias continuam no bairro e outras tantas em Guaimbe. “Trocaram o cafezal pelo canavial, ou pasto, ou ainda o seringal, para evitar mão de obra que não tem mais”, observa ele, cujos pais estavam na leva dos primeiros moradores da Aliança.

 

Paulo Sonehara e Tetsuo Nohara. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Paulo Sonehara e Tetsuo Nohara. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

Das famílias que ainda moram na Aliança está o casal Morishigue Arashiro e sua esposa Massako. Ele nasceu no bairro em 1931 e está prestes a completar 64 anos de casamento. Hoje seu sítio é dedicado a seringais. Para ele, esses encontros são importantes. “Arranjo coragem para vir até São Paulo e rever amigos da juventude. Antigamente a gente vivia mais na intimidade, não tinha vitrola, não tinha nada; a gente inventava os próprios brinquedos”, compara ele, enquanto no salão da festa tocava músicas japonesas. Ele destaca a iniciativa de Mario Nohara, em Getulina, de organizar campeonatos de tênis e gateball para reunir a velha e a nova gerações. De pouca fala, Massako resume bem os encontros de moradores e ex-moradores da Aliança: “São muito gostosos”.

 

Laide Bigolin Correa e a prima Aparecida Bigolin Casita. Foto: Helia Regina Sinibaldi

Laide Bigolin Correa e a prima Aparecida Bigolin Casita. Foto: Helia Regina Sinibaldi

 

Os organizadores do evento não poupam energia para procurar gente que viveu na região. Laide Bigolin Correa é um exemplo. Ela morava no bairro Terceira Aliança e vizinha da família Hitonaga. “Aprendi crochê com as meninas; até hoje guardo isso comigo”, conta. Na sétima edição do encontro, Laide foi localizada. “Fiquei muito feliz por ter sido descoberta pela internet. Na colônia japonesa, a amizade é muito sincera”, finaliza.

 

História – O bairro nasceu pelo assentamento dos primeiros colonos japoneses que chegaram à região para se dedicar ao cultivo de café em 1917. De lá para cá, muitas histórias são rememoradas nesses encontros que também são uma maneira de transmitir a cultura japonesa para os descendentes mais jovens e de compartilhar com aqueles que construíram laços com a comunidade.

 

(Hélia Regina Sinibaldi, especial para o Jornal Nippak)

 

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