Begin: ‘Nossa missão é levar esse espírito dos nikkeis para o Japão’

Com a mesma simpatia que conquistaram uma legião de fãs no Brasil, o vocalista Eisho Higa, o guitarrista Masaru Shimabukuro e o tecladista Hitoshi Uechi receberam a reportagem do Jornal Nippak e do Nikkey Shimbun, no último dia 10 – um dia antes do embarque para Lima, no Peru, onde se apresentaram nos dias 14 e 15 –, no Nikkey Palace Hotel, em São Paulo, para uma entrevista exclusiva.

 

Músicos da Banda Begin levam ‘espírito dos nikkeis’ para o Japão (Foto: Aldo Shiguti)

Músicos da Banda Begin levam ‘espírito dos nikkeis’ para o Japão (Foto: Aldo Shiguti)

 

O trio estava acompanhado do produtor e empresário Hidenori Sakao e do diretor Marcio Kimoto, da Welcomepro, empresa responsável pela turnê do trio okinawano na América do Sul.

Os músicos falaram de tudo um pouco. Falaram, por exemplo, sobre a terceira visita ao país e os shows que fizeram no 13º Okinawa Festival (realizado nos dias 7 e 8, no CEE Vicente Italo Feola), da parcerira com a dupla Chitãozinho e Xororó e sobre os planos para o futuro.

Masaru Shimabukuro disse que ficou impressionado com o porte do evento realizado pela Associação Okinawa Vila Carrão. “Não imaginávamos que do outro lado do planeta pudesse ter uma festa tão gigantesca. Devemos isso aos nossos antepassados, que nos proporcionaram a oportunidade de tocarmos aqui. E ficamos extremamente felizes com isso”, disse o guitarrista. Indagado se já se sentiam “um pouco mais brasileiros” após a terceira visita – a primeira foi em 2011 e a segunda, em 2013 – Hitoshi Uechi explicou que “sempre que temos chances de vir para o Brasil, aprendemos a gostar um pouco mais desse país”.

Para Eisho Higa, um dos motivos que possibilitou a vinda do Begin este ano foram as comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão. “E isso nós devemos aos antepassados que criaram raízes no Brasil, o que nos faz acreditar que é possível unir os dois sentimentos. E nós tentamos fazer isso através da música”, disse Higa, acrescentando que “tivemos a felicidade de subirmos no palco de um evento grandioso como foi o Okinawa Festival”.

 

O guitarrista Masaru Shimabukuro, o vocalista Eisho Higa e o tecladista Hitoshi Uechi, da banda okinawana Begin (Foto: Aldo Shiguti)

O guitarrista Masaru Shimabukuro, o vocalista Eisho Higa e o tecladista Hitoshi Uechi, da banda okinawana Begin (Foto: Aldo Shiguti)

 

Espírito – Para Uechi, a banda levará muitas lembranças do país, como a parceria com a dupla Chitãozinho e Xororó e a acolhida da comunidade. “Os nisses e sanseis que vivem aqui possuem o verdadeiro espírito japonês nos corações. Gostaríamos de aprender um pouco mais sobre esse espírito com esses descendentes”

Já Higa explicou que “nossa missão será transmitir para os japoneses esse espírito que encontramos na alma dos descendentes”. Para o vocalista,  a parceria com a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó também promete ser inesquecível. “Para nós foi a realização de um sonho. Ficamos muito felizes com essa experiência”, revelou, acrescentando que no Brasil experimentou um prato típico de Okinawa, a sopa de cabrito, e achou o tempero  daqui “mais suave”.

 

Higa: “Onde viemos parar?” (sobre a parceria com a dupla sertaneja) (Foto: Aldo Shiguti)

Higa: “Onde viemos parar?” (sobre a parceria com a dupla sertaneja) (Foto: Aldo Shiguti)

 

Tesouros – Batizado de “Intercâmbio Musical”, o inusitado encontro com a dupla sertaneja teve participação dos produtores Hidenori Sakao e Ney Marques. O trio okinawano gravou, em japonês, “Evidências”, e a dupla sertaneja interpretará o hit “Nada Sou Sou”, que será trabalhada em português e japonês.

Para Shimabukuro, as parcerias com músicos brasileiros são um “benção”. “Em Okinawa, ficamos arrepiados ao nos apresentarmos ao lado de artistas brasileiros como o Luizinho 7 Cordas e seu filho, Andrezinho do Cavaco, e de Oswaldinho da Cuíca, com os quais já tínhamos tocados juntos quando estivemos no Brasil em 2013. Agradecemos a Welcomepro e ao (Hidenori) Sakao a oportunidade de tocarmos com músicos que são verdadeiros tesouros culturais do Brasil”, explica Uechi, que aponta algumas semelhanças entre a trajetória da dupla sertaneja e do trio okinawano.

 

Shimabukuro: “Parcerias com músicos brasileiros são uma bêção” (Foto: Aldo Shiguti)

Shimabukuro: “Parcerias com músicos brasileiros são uma bêção” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Semelhanças – “Quando fomos apresentados pela primeira vez ao Chitãozinho e Xororó descobrimos que eles vieram de uma cidade pequena do Paraná (Astorga) para conquistar a cidade grande, assim como nós”, destacou Uechi, acrescentando que “o mais importante da dupla sertaneja é que eles jamais esqueceram suas raízes”. “E isso também é uma característica do Begin”, afirmou o tecladista, explicando que a identicação com a dupla foi “imediata” e “forte”.

Para Eisho Higa, as comparações terminam por aí. “Quando mais pesquisamos sobre o trabalho da dupla, mais nos perguntamos: ‘Onde fomos parar?’”, brinca. “De certa forma, isso nos deixou um pouco inseguros”, revelou o vocalista, afirmando que o Begin ouviu boa parte do repertório da dupla. “Gostamos muito do trabalho acústico deles e dos instrumentos, como a viola caipira”, completou Shimabukuro. Perguntado sobre com que outros artistas gostariam de tocar juntos, Eisho Higa emendou: “Só o Chitãozinho e Xororó já basta”.

Na turnê que comemora 25 anos do Begin, a banda também fez uma série de apresentações no Havaí. Sobre isso, comentaram: “O motivo de irmos ao Havaí também tem muito a ver com os nikkeis de lá. Quando a gente soube que, tão logo terminou a Guerra eles doaram 550 porcos para Okinawa, a gente decidiu que um dia iria para o Havaí não só por diversão, mas também para fazer shows”, explicaram.

 

Uechi: “Aprendemos a gostar cada vez mais do Brasil” (Foto: Aldo Shiguti)

Uechi: “Aprendemos a gostar cada vez mais do Brasil” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Até 2016? – Para os fãs brasileiros, os músicos contam que ainda não tem planos para voltar, mas esperam que o retorno seja breve. “Como artistas queremos vir sempre, mas achamos que nosso público ainda está restrito aos descendentes e, em especial, aos okinawanos. Particularmente, é um caminho de mão dupla que estamos abrindo e esperamos que outros artistas, sejam brasileiros ou japoneses, possam seguir. Viemos de uma ilha pequena e estamos podendo distribuir alegrias. Se fizermos outras pessoas felizes, isso já nos dá satisfação”, conta Higa que foi indagado pela reportagem do Nikkey Shimbun se 2016 não estaria logo aí, já que no próximo ano a Associação Okinawa Kenjin do Brasil estará comemorando 90 anos de fundação e a subsede de Vila Carrão estará comemorando 60 anos de existência.

“Muito nos alegra sabermos dessas datas, mas ao mesmo tempo, ficamos pensando: ‘Será que merecemos tudo isso?’. Se tiver algo que possamos fazer, estamos à disposição. Mas não podemos negar que a distância é um grande obstáculo, mas gostaria de ajudar no que for possível”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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