BEM ESTAR: AS DUAS HORTÊNSIAS

 

No Japão a Natureza faz-se reverenciar não tão somente através das características bem marcadas entre as estações, mas sem dúvida, também pela sensibilidade inata e ternamente cultivada por seu povo.

Por exemplo, é comum que utilizem a expressão ‘Fuji no hatsu-geshô (o Fuji se maquiou)’ quando a neve recobre o monte Fuji pela primeira vez com a chegada do Inverno.

Nossa Natureza brasileira, vasta e exuberante, por vezes nos esconde ao olhar a generosidade que se nos oferece com fartura.  Mas, nem sempre é assim.

Por ocasião de seu aniversário, papai ganhou de minha irmã uma elegante flor de hortênsia de rara coloração, entre o carmim e a cor-de-rosa.  Papai ficou encantado com o doce presente, porém, quando se lembrou de replantá-la, já se encontrava murcha, praticamente com todos os seus galhos ressequidos.

Ainda assim, com o enxadão, pediu licença à terra, abrindo um cuidadoso espaço em seu ventre e, para acomodar bem as raízes sob a terra, firmou-lhe bem a terra à sua volta.  Cuidou de regá-la bem.

O tempo passou, e como a hortênsia parecia não demonstrar sinais de que tivesse pegado, oportunamente comprei uma hortênsia cor-de-rosa para que ela, de alguma maneira, suprisse em mim o vazio deixado pela expectativa mal sucedida.

Decidi plantá-la ali, perto de onde a primeira hortênsia estava: um local onde o sol derrama sua luz com suavidade e ao mesmo tempo com vitalidade intensas.

Foi quando me deparei com as pequeninas folhas pontiagudas da primeira hortênsia brotando da base da planta que papai havia firmemente fixado sobre a terra!  A hortênsia carmim-rosa silenciosamente havia continuado o seu esforço de vida, fazendo a sua parte dentro do cenário da Natureza, com a ajuda amorosa da terra e da Natureza que se mostrou, uma vez mais, generosamente presente.

Acredito que cada pequeno ser no planeta deva estar aqui para fazer cumprir a sua viagem.  Dentro da abundância de nossa Natureza brasileira, sinto que ganhei duas companheiras de trilha que já começam a me ensinar sobre sensibilidade, sobre força, sobre silêncio.

A elas o meu agradecimento.

 

 

Helena Tiemi Honda Kobayashi

Sócia e colaboradora da Associação Palas Athena, é instrutora de yoga, atenção e concentração nas práticas meditativas. Tem doutorado e mestrado pela Yokohama National University, tendo completado 15 anos de vivência no Japão.

 

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2 Comments

  1. Fiquei encantada pela forma doce de escrever!!! Foi lindo sentir o nascer das ” pequeninas folhas pontiagudas da primeira hortênsia”…

    Que bom, Helena Kobayashi san, ter escrito esse envolvente artigo: desejo que as duas plantinhas respondam ao seu carinho e de seu Papai!!!

    • Bom dia, Teruko! Aliás, quentes dias, estes…
      As hortênsias estão indo lentamente, mas firmemente bem! A segunda hortênsia ‘sofreu’ um ataque do nosso cãozinho – ele arrancou-lhe as flores…, mas, ainda assim, fincou bem as raízes na generosidade da terra, e, folhas novinhas começam a nascer. Ufa! rs
      Agradeço-lhe pelo comentário e por ter nos acompanhado nesta aventura!
      Helena

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