BEM ESTAR: JOIAS NA FRUTA

 

Diz o texto de Heinrich Zimmer, “O rei e o cadáver (em A conquista Psicológica do Mal, Palas Athena, 2005)”:

 

Crédito de imagem: http://www.pakutaso.com/assets_c/2012/03/OJS_ichigonodanmen500-thumb-500xauto-1388.jpg

Diariamente, durante dez anos, aparecia no salão de audiências de um rei, um asceta mendicante que, sem dizer palavra, lhe oferecia uma fruta.  O soberano aceitava o presente trivial, passando-o sem pensar nem um instante, a seu tesoureiro.

Porém um dia, um macaco domesticado, escapando dos aposentos das damas no interior do palácio, entrou aos pulos no salão e saltou sobre o braço do trono.  O mendicante acabara de apresentar seu presente e o rei, brincando, entregou-o ao símio.

Quando o animal mordeu a fruta, uma valiosa joia caiu de dentro dela e rolou pelo chão.

Os olhos do rei abriram-se de espanto.  Voltou-se com dignidade para o tesoureiro: “O que foi feito de todas as outras frutas?”, perguntou.  O tesoureiro não soube responder.  Sempre atirara aqueles presentes inexpressivos através da gelosia da alta janela da sala do tesouro.

O rei correu para o subterrâneo do tesouro real e, abrindo-o, encontrou no chão uma massa de frutas apodrecidas.  Entre os detritos de tantos, anos, uma grande porção de joias incalculavelmente preciosas.

 

Assim são as preciosas situações que se nos apresentam ao longo dos dias.  Frutas que nos são presenteadas pela vida, que, na maioria das vezes, terminamos por desprezar, tamanha a insignificância que possam representar.

Dentre estas situações, talvez as mais significativas sejam aquelas que nos causam desprazer, que nos fazem desconfortáveis e instáveis.  Que mexem interiormente conosco.

Se bem observarmos, estas preciosas frutas são o que há de mais precioso, pois falam sobre a nossa própria natureza.  Elas nos contam sobre nós mesmos, sobre como reagimos perante as situações no dia-a-dia.  E aquilo que não apreciamos – embora embalados em cores e sabores que preferiríamos ignorar e, em verdade, descartar – são, indubitavelmente, as verdadeiras joias que podemos aprender a colecionar.

E então? Qual será a joia oculta na fruta que iremos receber, hoje, da vida?

Que saibamos apreciar cada pequena surpresa que a vida nos reserva por detrás das embalagens mais improváveis!

 

 

 

 

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Helena Tiemi Honda Kobayashi

Sócia e colaboradora da Associação Palas Athena, é instrutora de yoga, atenção e concentração nas práticas meditativas. Tem doutorado e mestrado pela Yokohama National University, tendo completado 15 anos de vivência no Japão.

 

 

 

 

 

 

 

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