BEM ESTAR: O SEXTO SENTIDO

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Você já foi à feira?  Sim, à feira!

Me vi hoje, viajando através dos legumes, numa feira.

Comecei com os quiabos.  É a barraca da Suzy que vende quiabos fresquinhos, provenientes diretamente do produtor.  Desde a primeira vez que tive a alegria de experimentá-los, não consegui mais comprar de outras pessoas.  Às mãos, eles são tenros e macios, e, mesmo os maiores observam-se crocantes e não fibrosos.  “Pode-se cortar fininho ou ralar, para comer cru!” – ensina Suzy, ao que prometo que irei provar!

Em seguida, chego aos pepinos japoneses.  Ao toque apercebo-lhes o frescor pela firmeza.  Quando meus dedos vão se enroscando em suas suaves protuberâncias pontudas, imagino que foram cuidadosamente colocados na caixa, e que o pouco atrito entre eles tenha sido uma das causas da ‘sobrevivência’ destas protuberâncias.  Ou ainda mais: que tenham sido pouco manuseados, o que não deixa de ser um bom sinal…

Bem ao lado, o aroma das mandioquinhas amarelas me seduz.  Vejo-me sendo chamada por elas e, como que por encanto, elas pulam para dentro de minha cesta de compras.

Os sentidos, vistos assim, deixam a sua limitada efemeridade específica de lado, para que possam nos apoderar com algo maior que provém de sua combinação única: um sexto sentido.

Acredito que quando deixamo-nos guiar por esta combinação de sentidos, porém, atentos ao que eles querem nos transmitir, ganhamos um patamar ainda mais proeminente do que o que atingimos quando enxergamos o mundo com cada sentido, separadamente.

Mas, espere aí, me vem agora, enquanto escrevo: se nos aprofundarmos, por exemplo, somente pelo sentido da audição, não poderíamos passar a enxergar literalmente de olhos fechados, assim como fazem os cegos de nascença?

Sinto que a resposta está em nosso próprio corpo.  Ao nos deliciarmos com a crocância da mandioquinha, ou com as sementes fugidias do quiabo, sem querer já estamos contando com, pelo menos, mais dois sentidos: o do tato e o do olfato!

Que possamos despertar para o mundo de sensações que se nos oferece a cada precioso momento, e que, através deste nosso sexto sentido, possamos apreciar e zelar pela vida que se nos acerca, que nos protege, e da qual dependemos inexoravelmente.

 

 

Helena Tiemi Honda Kobayashi

Sócia e colaboradora da Associação Palas Athena, é instrutora de yoga, atenção e concentração nas práticas meditativas. Tem doutorado e mestrado pela Yokohama National University, tendo completado 15 anos de vivência no Japão.

 

 

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