BRASIL-JAPÃO: Águia de Ouro fecha projeto ‘120 Anos de União’ e mira Oizumi

Usando aquela velha e manjada expressão, a Águia de Ouro “fechou com chave de ouro” o projeto “Brasil e Japão – 120 Anos de União”, que teve início em fevereiro deste ano com o desfile da escola no carnaval paulistano. A segunda etapa foi encerrada no mês passado, com a participação da agremiação no Carnaval de Asakusa, considerado o segundo maior carnaval de rua do planeta – atrás somente do brasileiro. Realizado este ano no dia 29 de agosto, nas ruas do tradicional bairro de Asakusa, na capital japonesa, o evento atraiu mais de 500 mil pessoas.

 

Quarta colocada no carnaval paulistano deste ano, a Águia de Ouro abriu o desfile de Asakusa (Foto: Facebook/Cinthia Santos)

Integrantes da escola ministraram workshop para crianças japonesas (Foto: Facebook/Cinthia Santos)

 

A “ala” da Águia de Ouro reuniu 15 componentes, incluindo o presidente da escola, Sidnei Carriuolo, a rainha da bateria, Cinthia Santos, o mestre Juca Guerra e o puxador de samba oficial Douglas Santos, além de passistas, ritmistas e a rainha do carnaval de São Paulo de 2015, Theba Pitylla Ferreira da Rocha. Parceiro da escola há cinco carnavais, o presidente do IPK (Instituto Paulo Kobayashi), Victor Kobayashi, e o diretor de projetos, Celso Mizukami, também fizaram parte da comitiva.

A Águia abriu o carnaval deste ano, que teve como campeã o Grêmio Recreativo Escola de Samba Saúde, da qual faz parte Miku Oguchi, uma japonesa bem conhecida da família azul e branco da Pompéia – Miku foi a Madrinha da Bateria da Águia no desfile deste ano.

 

Quarta colocada no carnaval paulistano deste ano, a Águia de Ouro abriu o desfile de Asakusa (Foto: Facebook/Cinthia Santos)

Quarta colocada no carnaval paulistano deste ano, a Águia de Ouro abriu o desfile de Asakusa (Foto: Facebook/Cinthia Santos)

 

Oizumi – O intercâmbio da Águia de Ouro com o Asakusa Samba Carnival começou há cerca de dez anos. O pontapé foi dado pelo próprio Sidnei Carriuolo, que comanda a escola. No início, conta, ficou fascinado pela forma romântica, às vezes até amadora como os japoneses se relacionam com a folia. “É um carnaval que você não vê mais hoje em dia”, afirma Carriuolo, acrescentando que o projeto não termina com a participação da Águia no Carnaval de Asakusa.

“Desde o início sabíamos que esse projeto poderia abrir outras possibilidades, como acabou acontecendo”, diz o presidente, revelando que durante a viagem foi convidado para incrementar também o carnaval de Oizumi, na província de Gunma, que reúne a maior concetração de trabalhadores brasileiros no Japão.

Para Sidnei, porém, não se trata simplesmente de exportar um dos principais produtos nacionais. “Sentimos que os brasileiros que residem lá carregam uma saudade muito grande do Brasil. É um sentimento que acaba deixando um vazio e acho que a nossa cultura pode ser uma importante ferramenta para que possamos levar um pouco de alento e fazer algo bem maior por eles”, explica Sidnei, acrescentando que “o samba pode ser um ponto de partida para suprir essa carência”. “Podemos agregar outras manifestações, como a capoeira, e assim criar um ponto de cultura. Não será algo para 15 ou 20 dias, mas permanente”, entusiasma -se Carriuolo, para depois ponderar: “Isso depende, é claro, de investimento”.

 

O vice-ministro Takashi Uto (centro) com a comitiva brasileira (Foto: Facebook/Cinthia Santos)

O vice-ministro Takashi Uto (centro) com a comitiva brasileira (Foto: Facebook/Cinthia Santos)

 

Consolidação – Para o presidente do IPK, a viagem ao Japão também foi proveitosa. “Além do desfile em Asakusa, cumprimos outras agendas, como um workshop na Embaixada do Brasil para crianças japonesas entre 7 e 14 anos, e uma visita ao Ministério das Relações Exteriores, onde agradecemos a vinda do vice-ministro Takashi Uto e, de quebra, fizemos uma apresentação inédita naquele órgão”, disse ele, explicando que este ano foi muito importante para consolidar a parceria com a Águia de Ouro.

O desfile da Águia, que ficou na quarta colocação em 2015, foi o primeiro projeto oficial das celebrações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão e contou com apoio do Consulado Geral do Japão em São Paulo através do então cônsul geral Noriteru Fukushima – atualmente embaixador do Japão na Argentina.

“Mobilizamos a comunidade nikkei, levando para a escola cerca de 650 foliões, quebrando o recorde que pertencia ao meu pai, que em 1998 reuniu 500 nikkeis para desfilar na Vai-Vai, que se sagraria campeã naquele mesmo ano”, conta Kobayashi, explicando que também intermediou a vinda do carro alegórico Tachi Neputa, uma doação da cidade de Goshogawara para a Águia de Ouro e para o IPK. “Também intermediamos a vinda da estilista Junko Koshino, que depois seria a responsável pelo desenho do Hanabi Matsuri, e do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Takashi Uto”, disse Kobayashi.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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