BRASIL-JAPÃO: Aliança inaugura Centro Cultural em Pinheiros para reforçar ensino da língua e artes japonesas

A região Oeste da capital paulista, mais especificamente o bairro de Pinheiros, acaba de ganhar uma nova referência no ensino do idioma e das artes japonesas com a inauguração, no último dia 29, do Centro Cultural da Aliança Cultural Brasil-Japão. Localizado no número 328 da Rua Deputado Lacerda Franco, o mais novo pólo cultural da cidade já está aberto para os interessados em aprender o idioma japonês ou em conhecer um de seus 15 cursos de artes. “Nossa maior preocupação é dar vida à obra e já nesta quarta-feira iniciaremos nossas atividades com 120 alunos matriculados somente no curso introdutório”, disse o presidente da ACBJ, Yokio Oshiro, revelando que nos próximos dias a instituição deve começar uma campanha para divulgar os cursos de artes.

 

Centro Cultural da Aliança vai reforçar ensino do idioma e das artes japonesas. Foto: Jiro Mochizuki

 

Em seus  751 m2, o novo espaço terá também cursos de gastronomia, além de palestras e eventos culturais, com auditório, salas multiuso e um espaço voltado exclusivamente aos cursos de culinária japonesa.

Para atender a demanda do bairro, a ACBJ montou um time de primeira. O engenheiro civil e membro do Conselho Deliberativo do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) e membro da diretoria da ACBJ, Sussumu Niyama, é o diretor do novo centro. Produtor e administrador cultural e arquiteto de formação pelo Mackenzie, Jo Takahashi é o curador de Arte e Cultura. A Escola de Culinária Japonesa de São Paulo será comandada pelo chef Shin Koike, que recebeu do governo japonês o título de “Embaixador da Difusão da Culinária Japonesa no Brasil”.

Para a área de instrumentos tradicionais japoneses, foi convidado o flautista Shen Ribeiro. O professor e músico Ricardo Fukuda é outro parceiro da área musical. Para outras áreas, a Aliança pretende convidar professores que já trabalham na instituição, além de estudar novos nomes.

 

Aurélio Nomura, Yokio Oshiro, Rosana Nakano, Sussumu Niyama e Hitomi Sekiguchi. Foto: Jiro Mochizuki

 

Fiel às raízes – “Tenho certeza que nós vamos atender a demanda com aquilo que a Aliança sabe fazer de melhor, que é o ensino do idioma japonês para os brasileiros e 15  cursos de artes num só espaço com calendário preparado até o final do ano”, explicou Oshiro, acrescentando que “o centro cultural não pretende ser um espaço de exposições, “muito menos concorrer com a Japan House São Paulo”.

“A Aliança foi criada para ser uma instituição de ensino. A única coisa que fazemos com o espaço ampliado é ampliar também os cursos de artes, o que era o nosso desejo. Teremos sim palestras, eventos, workshops e até grandes exposições, mas tudo decorrente daquilo que fazemos, que é o ensino”, afirmou Oshiro, destacando que a instituição permanece fiel ao compromisso de seu fundador, o poeta Guilherme de Almeida, “que há 60 anos pensou em fortalecer a amizade entre os dois povos, o brasileiro e o japonês, através das artes e do ensino da língua japonesa”.

 

Yokio Oshiro com a arquiteta Rosana Nakano e o engenheiro Sussumu Niyama durante cerimônia de inauguração. Foto: Aldo Shiguti

 

Salva de palmas – Apesar de afirmar que o centro cultural “era um sonho de todos”, Oshiro admite que a inauguração, de certa forma, trouxe alívio “Trata-se de um projeto que já vem há décadas, não é uma obra pessoal tanto que adotei como lema a frase: ‘obra institucional, obra de todos’, que pretendemos levar a ferro e fogo no novo espaço. Mas não deixa de ser um alívio pela missão cumprida. Afinal de contas, a instituição Aliança confiou também na minha pessoa para que levasse adiante uma obra sem recursos, dependendo de terceiros”, disse Oshiro, que na inauguração fez questão de agradecer a todos os envolvidos, desde funcionários, diretores e patrocinadores.

 

A cônsul Hitomi Sekiguchi. Foto: Jiro Mochizuki

 

“É muito diferente construir um imóvel com recurso, basta pagar os executores. Aqui, não. Primeiro você não cobra de voluntários, você pede. Mas confesso que  cobrei demais de dois profissionais voluntários, o engenheiro Sussumu Niyama e a arquiteta Rosana Nakano. Por outro lado, a obra já começou em meio à crise e muitas portas se fecharam, mas algumas pessoas e empresas acreditaram no projeto, que só foi adiante porque assumimos compromissos e assumimos responsabilidades”, justificou Oshiro, que citou, em especial, o apoio e colaboração de duas instituições, a Fundação Kunito Miyasaka e o Consulado Geral do Japão em São Paulo, “na pessoa de Takahiro Nakamae” [que deixou o cargo em julho], a quem pediu uma salva de palmas.

“Acredito que 50% ou mais daquilo que fizemos no Centro Cultural só foi levado adiante foi com a entrada do Consulado e do Governo Japonês. Não foi apenas uma ajuda financeira, mas a partir do momento que o governo japonês, através do Consulado, acreditou no nosso projeto tivemos como  contrapartida compromissos, além do incentivo. Colocamos a nós mesmos o desafio de levar adiante a obra para honrar o povo japonês que acreditou no projeto”, disse Oshiro.

 

Aurélio Nomura: “Sonho”. Foto: Aldo Shiguti

 

Referência – Presente à inauguração, o vereador Aurélio Nomura (PSDB) – líder do Governo na Câmara Municipal de São Paulo e presidente do Conselho Superior da Aliança – lembrou que “o projeto era um sonho antigo, que teve início com o ex-presidente Jô Tatsumi e depois com o Anselmo Nakatani”.

“Desde que comecei a fazer parte da Diretoria da Aliança, juntamente com o Dr Jo Tatsumi, que assumiu a presidência e me convidou para ser diretor administrativo, nós enfrentamos dificuldades e mais dificuldades. A obra tinha problemas extremamentes sérios e havia necessidade de uma intervenção mais rigorosa. A questão foi colocada em discussão e partir daí foi-se criando o embrião de se buscar uma alternativa para este local. Passou o Anselmo Nakatani, que juntamente com o Sussumu Niyama e mais a arquiteta Rosana Nakano, começaram a idealizar este projeto. Isso aqui era um sonho”, enfatizou Nomura, lembrando que, além das empresas e das “pessoas físicas que entenderam o projeto”, também os associados e diretores – atuais e anteriores – fizeram questão de contribuir e ajudaram a buscar recursos com a tutela do atual presidente, Yokio Oshiro que se desdobrou”.

“Para nós é um grande marco. A Aliança Cultural Brasil-Japão está retomando um grande marco da difusão da cultura japonesa na zona Oeste, que já teve a Cooperativa Agrícola de Cotia e tem a Associação Cultural e Esportiva Piratininga”, disse o parlamentar, que destacou a atuação dos coordenadores. São raros os espaços que podem contar com pessoas tão notáveis em suas áreas. Acredito que este centro será realmente cada vezes mais uma referência na cultura japonesa”, afirmou Nomura.

 

Nishio: “Homenagem”. Foto: Jiro Mochizuki

 

O presidente da Fundação Kunito Miysaka, Roberto Nishio, lembrou que “estivemos entre as primeira entidades que apoiou expressamente o lançamento do projeto e o início das obras”. Segundo ele, o que motivou a Fundação Kunito Miyasaka a ser uma das patrocinadoras do Centro Cultural, “a par da amizade”, foi também em consideração à pessoa do patrono da fundação, o senhor Kunito Miyasaka, uma magnífica personagem da história da imigração japonesa no Brasil”.

 

Diálogo – O curador Jo Takahashi, que destacou crescente interesse dos brasileiros pela cultura e língua japonesas, “uma tendência que precisa ser respeitada”, a posição geográfica do centro cultura,  “bastante peculiar” – no limite entre o bairro de Pinheiros e bairro de Vila Madalena – permite “uma ambientação muito propícia para desenvolver projetos que vão fazer com que o Japão eu Brasil se dialoguem”;

“Uma coisa importante que gostaríamos de salientar é que o Centro Cultural da Aliança não será um difusor só da cultura japonesa, mas a gente vai dar foco nos projetos que vão fazer intersecção entre o Brasil e o Japão. Nós tivemos décadas de atuação na Fundação Japão e vamos trazer referências de vários projetos que desenvolvemos lá e dar continuidade aqui na Alianca. Os brasileiros serão convidados a participar, com propostas e com ideias de como nós podemeos melhorar o intercâmbio com o Japão. Esse será o nosso grande foco, o nosso diferencial. A proposta é fazer com que o público interaja, e não fiquem apenas assistindo”, comentou Jo Takahashi.

 

Arrow
Arrow
ArrowArrow
Slider

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
ALDO SHIGUTI

Últimos posts por ALDO SHIGUTI (exibir todos)

     

     

    Centro Cultural Aliança

    Endereço: Rua Deputado Lacerda Franco, 328 – Pinheiros

    Telefone: 11/3031-5550

     

     

    Related Post

    SILVIA IN TOKYO: ESTUDANTE SOTERRADO SE DESPEDE PO... Alojamento em Aso, onde 12 estudantes foram soterrados. Foto: Asahi   Tomoyuki Washizu, 22 anos, estudante do terceiro ano de Agronomia da...
    FOTOGRAFIAS: Exposição itinerante internacional ap... A exposição internacional “Tohoku -  através do olhar dos fotógrafos japoneses” chega ao Brasil este mês para percorrer quatro capitais. A estreia, pr...
    EXPOSIÇÃO: Artista Yoshitaka Amano apresenta traba... A Fundação Japão e Joh Mabe Espaço Arte & Cultura realizam a exposição “Yoshitaka Amano in Brazil”, com 35 trabalhos do artista japonês no período...
    POLÍTICA: Aurélio Nomura é eleito primeiro secretá... O vereador Aurélio Nomura (PSDB) ficou com a vaga de primeiro secretário da Câmara Municipal de São Paulo. Ele substituirá o também tucano Claudinho d...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *