BRASIL-JAPÃO: ‘Passo o bastão confiante’, diz Satoru Satoh em sua despedida

Já era de “conhecimento” que o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, retornaria ao Japão no domingo, 9. A “novidade”, que pegou muita gente de surpresa, foi anunciada no último dia 8 pelo deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP) durante a cerimônia de abertura do 20º Festival do Japão. Depois de agradecer o “grande amigo” Takahiro Nakamae, Ihoshi destacou que, “também despede-se do Brasil, abreviando sua missão aqui no país,  nosso grande diplomata, o embaixador do Japão Satoru Satoh”.

 

‘Passo o bastão confiante’, diz Satoru Satoh em sua despedida. Foto: Aldo Shiguti

 

 

Ao Jornal Nippak, Ihoshi disse que, “do cônsul já sabíamos que ele praticamente encerrou sua missão no Brasil com a inauguração da Japan House São Paulo e nós seremos eternamente gratos”. “Sabemos que ele terá uma missão muto importante no Japão. Provavelmente um cargo que estará vinculado à América Latina e, desta forma, será muito bom para nós porque abrirá outros canais para o Brasil”, explicou Ihoshi, admitindo que, no “caso do embaixador também fui pego de surpresa”. “Pude anunciar sua despedida porque fui autorizado, até para fazer um agradecimento em público pelo trabalho que ele prestou não só ao seu país mas também para o incrementar ainda mais as relações bilaterais”, disse Ihoshi.

 

takahiro Nakamae, o vice-ministro Kenichi Hosoda e Satoru Satoh durante o 20º Festival do Japão. Foto: Jiro Mochizuki

 

Em entrevista exclusiva ao Jornal Nippak, Satoru Satoh, disse que teve que encerrar sua missão no Brasil após apenas oito meses no cargo por “motivo de ordem pessoal”. “Minha mulher está doente, por isso tenho que deixar o cargo de embaixador”, afirmou ele, que deixará o cargo no dia 21 de julho.

Para o seu lugar, assume o diplomata Akira Yamada, que estava ocupando o posto de embaixador do Japão no México. Yamada deve assumir em meados de agosto. “Por isso estou passando o bastão confiante”, disse Satoh, explicando que uma das coisas que vai guardar com carinho são justamente as últimas imagens que teve no Brasil, ou seja, a sua participação no palco do maior evento da cultura japonesa do mundo. “Este festival é muito bacana. É algo inimaginável”, disse ele, afirmando que também levará a relação e as amizades que construiu na comunidade nipo-brasileira, “de quem recebi muito apoio, sobretudo de São Paulo”.

Assim como Takahiro Nakamae, Satoru Satoh também acredita em um futuro promissor para a comunidade nipo-brasileira e para as relações entre os dois países. “Atualmente, Brasil e Japão mantém uma ótima relação, isto é, não temos problemas sérios. Só temos amizade e a vontade de trabalharmos juntos”, destacou Satoh, acrescentando ainda que “Japão e Brasil têm acordos de parcerias estratégicas”.

 

Satoh disse que leva as imagens do Festival do Japão: inimaginável. Foto: Jiro Mochizuki

 

Visto – “As duas nações ainda podem crescer juntas”, disse ele, que aproveitou para informar que o governo japonês “está estudando favoravelmente” a concessão de visto também para os yonseis (descendentes de quarta geração). “Ainda não sei detalhar as medidas concretas, mas o governo está estudando seriamente o assunto”, garantiu Satoh, que na sexta-feira, 7, visitou as redações do Nikkey Shinbum e do Jornal Nippak onde deixou um relatório sobre a política do Japão para o Brasil.

De acordo com o texto, no que diz respeito à comunidade nikkei, “o Japão pretende continuar apoiando o desevolvimento das diversas gerações, fortalecendo, ao mesmo tempo, suas parcerias com as mesmas”. Cita, como exemplo de ações, a ampliação do envolvimento das novas gerações e dos intercâmbios humanos, apoio a eventos como os Festivais do Japão, difusão do ensino de japonês e de pesquisas sobre o Japão, além de fortalecer os laçcos econômicos e promoção dos intercâmbios entre as diversas regiões dos dois países”.

Sobre 2018, que marcará as comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, “o Japão deseja aproveitar a oportunidade para fortalecer ainda mais os intercâmbios entre os cidadãos dos países”. E conclui dizendo que o Japão continuará fortalecendo as relações bilaterais, como nas áreas de economia, desecolvimento, cultura e educação através de suas organizações governamentais com representações no Brasil, casos da Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão), Jetro (Organização de Comércio Exterior do Japão), JBIC (Banco Japonês de Cooperação Internacional) e a Fundação Japão.

 

O cônsul takahiro Nakamae fez o brinde no Festival do Japão. Foto: Jiro Mochizuki

 

Cônsul – Quem aproveitou até seu último dia de trabalho em São Paulo foi Takahiro Nakamae. No domingo passado (9), último dia do 20º Festival do Japão realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) no Expo São Paulo, Nakamae fez questão de se despedir das entidades e kenjikais, percorrendo todos os estandes da praça de alimentação.

“Foi uma feliz coincidência, porém, muito oportuna e adequada. É como seu eu tivesse planejado para que o meu último dia de serviço coincidisse com este evento, o ápice, que é o Festival do Japão. Para mim é motivo de muita alegria e muita emoção”, disse Nakamae, que reiterou seus agradecimentos “a cada uma das pessoas que me acolheu com tanto carinho”. “Acho que eu sou muito feliz por poder concluir minha missão desta maneira”, afirmou, explicando que “ao longo destes dois anos da minha missão em São Paulo tive conhecimento da grandeza do legado deixado pelos pioneiros e os esforços, a paixão dos nipo-brasileiros para preservar, divulgar e integrar a cultura japonesa na sociedade brasileira”.

“Esse esforço considero único e excepcional. No sábado, na abertura, o vice-ministro parlamentar Kenichi Hosoda, do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, “ficou simplesmente alucinado com o Festival do Japão”, disse Nakamae.

 

Walter ihoshi com Satoru Satoh durante Shinnenkai na Embaixada. Foto: divulgação

 

Segundo ele, Hosoda confidenciou que, “todos os anos, pelo menos um político do Japão precisa participar e testemunhar este evento que, apesar de proporcionar um espetáculo desta grandeza, infelizmente não é suficientemente conhecido no Japão”. “Ele voltou para o Japão com a consciência que tem que divulgar esta informação, tem a consciência que precisa despertar nos japoneses o legado da imigração japonesa no Brasil”, disse Nakamae, que também reforçou sua aposta nos jovens nikkeis.

“Em muitos estandes das províncias são os jovens que trabalham. E com alegria.Os jovens e os Fujinbus. Isso me motiva, olhar e saber que os jovens tem muita vontade de participar e contribuir na divulgação da cultura japonesa. Talvez de uma maneira um pouco diferente das gerações anteriores, mas é certo que eles também tem um orgulho muito forte de ser descendentes da imigração. O que precisamos fazer é fomentar e encorajar suas iniciativas”, afirmou Takahiro Nakamae.

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    One Comment

    1. Desejamos de coração ao Sr. Embaixador Satoru Satoh que sua esposa restabeleça a saúde!! E a todos – que batalham pelo engrandecimento das relações Brasil-Japão – muito Sucesso e Alegrias!!!
      Teruko Okagawa Monteiro

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