BRASIL-JAPÃO: ‘Questão do visto para os yonseis será uma luta árdua’, diz Ihoshi

Tema considerado “delicado” por gerar controvérsias, a concessão de visto de longa permanência para a quarta geração de descendentes de japoneses, os chamados yonseis, deve ser uma luta “longa” e “árdua”. Pelo menos na opinião do deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP), que retornou recentamente do Japão depois de integrar a comitiva do presidente Michel Temer ao país nipônico e de participar como convidado da “Missão Japão” organizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

 

Walter Ihoshi na Câmara de Comércio e Indústria de Nagoya com o cônsul e vice-cônsul e empresários. Foto: divulgação

Walter Ihoshi na Câmara de Comércio e Indústria de Nagoya com o cônsul e vice-cônsul e empresários. Foto: divulgação

 

Segundo o parlamentar nikkei, “há muita controvérsia em relação ao assunto, inclusive opiniões contrárias dos próprios brasileiros”. Por outro lado, explica Ihoshi, atualmente o Japão sente falta de mão de obra. “Essa mão de obra está vindo, principalmente, do Sudeste asiático, através da China, Filipinas e Vietnã que estão entrando para reforçar o mercado de trabalho já que a população japonesa está envelhecendo cada vez mais”, conta o deputado, lembrando que hoje existem no Japão cerca de 170 mil brasileiros.

“A impressão que se tem é que 60% ou 70% desses brasileiros praticamente já estão radicados definitivamente no Japão com visto de longa permanência e dificilmente devem retornar ao Brasil. Mas aqueles que voltaram com a crise, que tem seus filhos que já são yonseis e que cresceram, esses querem ter pelo menos a oportunidade de trabalhar no Japão”, destaca o parlamentar, referindo-se à crise mundial de 2008 que obrigou cerca de 100 mil brasileiros retornarem ao país em um período de seis anos.

Ihoshi disse que, durante a agenda com o presidente Temer não teve oportunidade de falar sobre a questão com as autoridades japonesas. “As reuniões com o presidente tinham como foco a economia e a busca de investimentos japoneses por parte do Brasil, sobretudo nas áreas de infraestrutura e minas e energia. O que fiz foi buscar caminhos alternativos, marcando encontros com parlamentares japoneses membros da Liga Parlamentar Japão-Brasil, especificamente com dois políticos muito próximos ao vice-primeiro-ministro Taro Aso. Pedi a eles uma orientação sobre como proceder”, observou o deputado.

 

Walter Ihoshi, Taro Aso, Takeo Kawamura e Luis Nishimori. Foto: divulgação

Walter Ihoshi, Taro Aso, Takeo Kawamura e Luis Nishimori. Foto: divulgação

Esperança – Na conversa, Ihoshi apresentou aos colegas japoneses uma cópia da carta encaminhada ao Consulado Geral do Japão em São Paulo em que as cinco principais entidades nipo-brasileiras – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, além do Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior) – tentam sensibilizar o governo japonês. Em São Paulo, a campanha conta com apoio de Ihoshi.

“Colocamos aos parlamentares japoneses que esse visto de yonsei não necessita de tramitação legislativa, ou seja, não é preciso mexer em lei. Segundo o Masato Ninomiya [presidente do Ciate] basta modificar uma portaria do governo, isto é, uma portaria do Poder Executivo. Naturalmente, o governo japonês deve ter uma série de restrições em relação a essa decisão”, afirmou Ihoshi.

“Então, o que nós queremos deixar bem claro aos yonseis com relação a essa questão é que se trata se uma luta árdua e longa e que deve levar anos para ser resolvida”, disse o deputado, destacando, porém, que sua meta pessoal é que, em 2018, quando serão comemorados os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, “nós possamos já ter um encaminhamento”. Segundo o deputado, os festejos devem contar com a presença de membros da família imperial.

“Tenho recebido muitas demandas através das redes sociais e, mais uma vez, gostaria de reinterar que a luta será longa mas tenho esperança que a gente possa sensibilizar as autoridades japonesas, sobretudo com apoio da Liga Parlamentar Japão-Brasil”, disse Ihoshi, que aproveitou a viagem ao Japão para se reunir com empresários japoneses e brasileiros que residem naquele país.

 

Repercussão – “Foi uma viagem muito produtiva, fazia quase três anos que não ia a Tóquio. A última foi em 2013, quando, juntamente com o deputado federal Luiz Nishimori, conseguimos a manutenção do funcionamento do Consulado japonês da cidade de Belém (PA)”, lembra o deputado, afirmando que, desta vez a missão “foi praticamente uma visita institucional”. “Do ponto de vista político, a viagem foi muito positiva, especialmente por estar ao lado do presidente Temer. A repercussão da visita entre os japoneses foi muito boa porque, tanto os empresários como o governo japonês já aguardavam essa sinalização do presidente Michel Temer, o que acabou acontecendo apenas dois meses de sua posse”, explicou o parlamentar. “A rápida viagem acabou sendo um gesto emblemático e muito importante”, justificou ele, que, como convidado da FecomercioSP participou de diversas reuniões empresariais, entre elas com empresários da Câmara do Comércio Brasileira na Embaixada do Brasil, e com empresários do BBG – Brazilian Business Group Asia Japão, no Consulado Brasileiro em Tóquio.

 

Sinergia – “Tanto a Jetro, com quem tive oportunidade de me reuir ainda nbo Brasil, como a BBG podem ser grandes perceiros no futuro. Sabemos que os grandes negócios no Japão são feitos através da Keidanren [a Federação Nacional das Indústrias do Japão – equivalente à Confederação Nacional da Indústria (CNI)], que reúne as grandes empresas empresas. Mas também temos grandes oportunidades de negócio através da FecomercioSP, que reúne cerca de 2 milhões de empresas, a maioria de pequeno e médio porte do setor de comércio e serviço”, disse Ihoshi, que também vislumbrou uma “sinergia interessante” entre a FecomercioSP e a BBG Asia Japão.

“A BBG, que também tem um braço em Miami, nos Estados Unidos, é uma entidade relativamente nova, que reúne cerca de 100 empresários, a maioria brasileiros – mas há também japoneses – ex-dekasseguis que foram trabalhar no Japão e se tornaram empreendedores. Acredito que a BBG e a FecomercioSP podem estabelecer parcerias, convênios e participar de muitos projetos em comum”, conta o deputado, afirmando que a FecomercioSP demonstrou interesse em dar continuidade à Missão Japão.

 

Timing – Para Ihoshi , o Brasil está perdendo terreno e competitividade com relação aos outros países da América do Sul que já estabeleceram acordos bilaterais com o Japão. Segundo Ihoshi, a desvantagem acontece “por conta de uma política que já vem de governos passados no Brasil”. “Uma política de fazer acordos do Mercosul com os países parceiros e cujos acordos multilaterais não tem funcionado. Tanto não está dando certo que, ao assumir o Ministério das Relações Exteriores, José Serra colocou que o Brasil deveria buscar acordos com países estratégicos e eu tenho certeza que o Japão é um país muito importante para o Brasil”, assegurou Ihoshi, acrescentando que “nós temos uma missão trabalho muito grande do ponto de vista bilateral.

“É claro que isso depende de uma decisão do governo brasileiro. Tenho certeza que o governo japonês aguarda uma decisão do governo brasileiro nessa questão do Mercosul. Caso o Brasil decida iniciar essas tratativas acho que todos nós teremos grandes oportunidades, não só em termos de transações comerciais e econômicas como do fluxo de pessoas, tanto de empresários como de trabalhadores”, destaca o deputado, explicando que não se trata de um trabalho a curto prazo. “Os japoneses querem, sim, respostas por parte do Brasil, de compromissos de trabalho sério. E é isso que tem que ser feito. Esse é o timing do Japão”, avaliou Ihoshi, que a partir do próximo ano pretende intensificar seu trabalho nos acordos Brasil-Japão.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    5 Comments

    1. Então né poderia nos libera pq nos somos bisneto de japonês 4 geração nos não proibimos os japoneses no Japão então vamos liberaaaa yonssei temos parente no Japão só pra ir e não poder trabalha então nos fica por aki no Brasil vamos shizo abe nos pedimos sua colaboração com os 4 geração nos somos família não é 5 geração se fosse nos nem tentava mas nós somos 4 geração juntossss somos mas forte liberar yonssei???????

    2. Que vergonha, um país sério não mendiga empregos de baixa qualifição em países desenvolvidos. 30 anos de movimento dekassegui não deu para aprender a lição?

    3. BBG não deve se levado a sério. É um grupo formado por dekaseguis no Japão liderados por um sujeito chamado Hashimoto que vive de dinheiro público.

    4. Que vergonha Deputado Ihoshi, desde quando é política do governo brasileiro mandar seus nacionais mendigarem trabalhos braçais em países do primeiro mundo? Os politicos brasileiros devem é batalhar para que os brasileiros prosperem no próprio Brasil. Desde já o senhor não conta com meu voto para 2018. Vou votar em um candidato que trabalhe pelo Brasil e que o torne um país decente com trabalho decente para todos.

    5. Endo San, o Japão não precisa de analfabetos funcionais como o senhor. Aprenda a escrever melhor.

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