BRASIL-JAPÃO: Yasushi Noguchi pretende apoiar participação de jovens nas atividades da comunidade

Se a primeira impressão é a que fica, a comunidade nikkei pode ficar tranquila. Depois de Kazuaki Obe (que faleceu em 2014), Noriteru Fukushima e mais recentemente, Takahiro Nakamae, Yasushi Noguchi, o novo cônsul geral do Japão em São Paulo, mostrou não só muita simpatia e disposição para trabalhar durante a Cerimônia de Boas-Vindas organizada pelas 34 principais entidades nipo-brasileiras na noite desta terça-feira, 17, no Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), como também deixou no ar comentários como “esse cônsul é gente boa”.

 

Para novo cônsul, ‘bons ventos soprama favor da cooperação com os nikkeis’. Foto: Jiro Mochizuki

 

Antes de ser homenageado no Bunkyo, Yasushi Noguchi visitou a redação do Jornal Nippak, onde falou sobre seus desafios no cargo e as expectativas em relação à comunidade.

E nem bem assumiu o cargo – desembarcou em território brasileiro no último dia 13, e o cônsul já se prepara para uma “missão” no cargo: participar, no próximo dia 28, do RevitaLiba, programa de revitalização do bairro da Liberdade idealizado pelo seu antecessor, Takahiro Nakamae, com o objetivo de mobilizar jovens líderes da comunidade no mutirão de limpeza.

 

Foto: Jiro Mochizuki

 

Noguchi disse que não só foi convidado como também participará da ação. Aliás, uma maior participação dos jovens nas atividades da comunidade nipo-brasileira e o fortalecimento dos laços entre o Brasil e o Japão, foram dois temas da conversa que Yasushi Noguchi teve com Takahiro Nakamae antes de embarcar para o Brasil.

“A comunidade japonesa está ficando cada vez mais velha e como cônsul é importante apoiar a entrada dos jovens nas atividades da comunidade”, disse Noguchi , que desde que chegou a São Paulo conheceu a Japan House São Paulo – na Avenida Paulista – o Parque do Ibirapuera – onde depositou flores no Memorial em Homenagem aos Pioneiros Japoneses Falecidos – sua primeira missão oficial, de fato – e o Museu Histórico da Imigração Japonesa, no próprio prédio do Bunkyo.

Em sua primeira viagem em missão ao Brasil – já esteve em outras ocasiões – Noguchi disse que ficou impressionado particularmente com a Avenida Paulista onde, segundo ele, sentiu “a energia das pessoas nas ruas” bem como com o movimento de carros. “A primeira impressão é que São Paulo é muito dinâmica e tem muitas atividades econômicas”, disse o cônsul, explicando que também conversou com Nakamae sobre os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil.

 

Foto: Jiro Mochizuki

 

Pressionado – “É necessário aproveitar esta oportunidade para fortalecermos os laços entre os dois países”, destacou Noguchi que, indagado pelo Jornal Nippak sobre a relação da comunidade nipo-brasileira com seus antecessores – o próprio Takahiro Nakamae e os ex-cônsules Noriteru Fukushima e Kazuaki Obe – afirmou, em tom de brincadeira, que “me sinto pressionado”.

“Vou ter que trabalhar muiito bem”, disse, descontraído, para depois observar que ainda não tem conhecimento suficiente sobre a comunidade nipo-brasileira que encontra-se sob a jurisdição do Consulado Geral do Japão em São Paulo, que abrange os Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e região do Triângulo Mineiro.

“Gostaria de conhecer o maior número possível de lugares, não só no Estado de São Paulo, que concentra o maior número de imigrantes e seus descendentes”, afirmou o cônsul, acrescentando que o governo japonês está ciente que no Brasil a comunidade nikkei está ansiosa em receber a visita de algum membro da família imperial. No entanto, Noguchi preferiu não adiantar nada a respeito.

“Como cônsul, meu papel é apenas ouvir as opiniões e levar informações aé a Agência Imperial”, ressaltou Noguchi, que nasceu na província de Yamaguchi e até setembro deste ano, por 2 anos, trabalhou na província de Miyazaki.

Apesar de preferir não comentar a crise política que o país atravessa, Noguchi disse que, “economicamente o Brasil tem sofrido um crescimento negativo”, mas que a perspectiva é de melhora. Assumo o cargo num momento interessante em que a tendência é que o Brasil volte a crescer e as empresas japonesas voltem a investir. Assim como o Brasil, também a Argentina passou por mudança no governo e o resultado tem sido positivo”, destacou Noguchi, acrescentando que o Nafta – North American Free Trade Agreement ou Tratado Norte-Americano de Livre Comércio – um bloco econômico formado por Estados Unidos, Canadá e México, deve dar mais atenção para a América Latina.

 

Yasushi Noguchi (C) no Memorial em Homenagem aos Pioneiros Japoneses Falecidos. Foto: Jiro Mochizuki

 

Respeito – Noguchi destacou ainda que, em São Paulo existe a Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil que agrega o maior número de empresas associadas da América Latina. “Como um dos principais trabalhos deste Consulado, pretendo também empenhar-me à auxiliar as atividades das empresas japonesas que desenvolvem seus negócios considerando um mercado de 200 milhões de pessoas. Este Consulado pretende se unir à Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil além de outros órgãos governamentais e associações nipo-brasileiras para oferecer o melhor serviço aos japoneses residentes e empresas instaladas no Brasil e deste modo, promover o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países”, frisou Noguchi, afirmando que, em sua visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, “deu para entender o sofrimento que os imigrantes japoneses tiveram para poder chegar onde chegaram, contribuindo com o desevolvimento do país”. “Reconhecendo esta trajetória, renovo meus respeitos aos imigrantes japoneses e à comunidade nikkei”.

 

O novo cônsul em visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa. Foto: Jiro Mochizuki

 

No Bunkyo – À noite, no Bunkyo, Noguchi surpreendeu ao ler o discurso em – bom – português. Falou sobre sua felicidade em assumir o cargo “na maior cidade da América do Sul e na cidade com a maior comunidade nikkei do mundo”. Destacou que, por outro lado, é uma responsabilidade e que pretende trabalhar com todas as forças para o sucesso das atividades em comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no ano que vem.

Lembrou que, antes de vir para o Brasil, encontrou muitas pessoas no Japão e sentiu que “bons ventos sopram a favor do apoio à cooperação com os nikkeis”. “Quero dar suporte para que essa situação continue favorável”, afirmou, acrescentando que ficou profundamente comovido com a história dos imigrantes quando trabalhou como conselheiro na Embaixada do Peru. “Me chamaram a atenção a sua modéstia, a disciplina e integridade. Manifesto o meu respeito a essas virtudes que podem estar desaparecendo entre os japoneses”.

 

Noguchi com ex-bolsistas do Gaimusho Kenshusei. Foto: Jiro Mochizuki

 

Futuras gerações – Destacou ainda que, no recente painel de intelectuais sobre a cooperação com as comunidades nikkeis da América Latina e do Caribe estão incluídos aspectos que até então não vinham sendo discutidos o suficiente pelo governo japonês, como, por exemplo, as formas de cooperação com as futuras gerações de nikkeis e políticas que envolvem a comunidade nikkei residente no Japão.

“Antes de aqui chegar, visitei localidades onde residem muitos brasileiros, tais como a cidade de Oizumi (Gunma), a cidade de Kamisato (Saitama), a cidade de Hamamatsu (Shizuoka), as cidades de Nagoya e Toyoake (Aichi). Nesses lugares pude trocar informações e ouvir opiniões sobre temas que envolvem os brasileiros no Japão. A falta de mão-de-obra no Japão é um fato sem precedentes e neste contexto, a atuação dos brasileiros residentes no Japão é de uma importância à economia do país, e devido a isso, pretendo me empenhar ao máximo para a resolução dos problemas enfrentados pelos brasileiros”, afirmou.

E por fim, disse que gostaria de conhecer “cada um dos senhores” da comunidade nipo-brasileira “o mais rápido possível, ouvir seus ensinamentos e aprender mais sobre São Paulo”. E pediu apoio nesta sua jornada pois pretende se dedicar “ao máximo”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    1. Mikio Shimoji, o deputado apressadinho que disse que o visto yonsei iria sair fácil, perdeu a eleição,não vai ser reeleito. O proximo a perder vai ser o Walter Ihoshi. kkkk

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