BUNKYO: ‘A quantidade de eventos superou minha expectativa’, diz Harumi

Último dia 20, quarta-feira à tarde. Depois de algumas tentativas, a presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Harumi Goya, enfim, encontra uma brecha em sua atribulada agenda para atender a reportagem do Jornal Nippak. Inicialmente, a pauta era sobre o balanço de 100 dias de sua gestão, mas acabou virando um balanço de quatro meses, completados nesta terça-feira, dia 25.

 

Harumi Goya é a primeira mulher na presidência do Bunkyo em 60 anos de história da entidade (Foto: Aldo Shiguti)

Harumi Goya é a primeira mulher na presidência do Bunkyo em 60 anos de história da entidade (Foto: Aldo Shiguti)

 

À primeira vista, percebe-se que a casa ainda está em reforma, mas nota-se muita vontade por parte da mandatária em deixá-la logo em ordem. Apesar disso, algumas mudanças já são observadas. Como na Secretaria, que ficou com um ar mais “clean”, e na na própria Sala da Presidência, que ganhou flores e quadros de Okinawa.

Não era, exatamente, a reforma dos sonhos. Mas foi o que deu para arrumar sem ter que mexer no orçamento, já comprometido, diga-se de passagem – sua cadeira, aliás, foi um presente do marido, Milton. Primeira mulher a assumir a presidência da principal entidade nipo-brasileira em 60 anos de história, Harumi conta que já sabia que o cargo exigia sua presença em outros eventos. Mas nem tanto. “Superou minha expectativa. A gente sempre é solicitada para falar em nomes das cinco entidades ”, diz, referindo-se ao Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, além do próprio Bunkyo.

Não bastasse, excepcionalmente este ano comemora-se os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, o Centenário da Instalação do Consulado Geral do Japão em São Paulo e os 60 Anos de fundação do Bunkyo além, é claro, das atividades regulares dos 107 Anos da Imigração Japonesa no Brasil.

Segunda presidente do Bunkyo de origem okinawana – o primeiro foi justamente o responsável por sua entrada na entidade, o professor Kokei Uehara – Harumi explica que gostaria de ter mais tempo para equacionar com mais agilidadeos problemas que aparecem. E olha que não são poucos. Conta que sente falta de um relatório gerencial como o que criou e implantou no Departamento de Tecnologia da Informação da Secretaria Estadual da Fazenda na época em que trabalhava como Agente de Fiscal de Renda, em 1998. “Era só apertar um botão”, destaca Harumi, garantido que não é discriminada pelo fato de ser mulher.

 

A presidente admite que “até pensaria numa reeleição” (Foto: Aldo Shiguti)

A presidente admite que “até pensaria numa reeleição” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Lição de casa – Formada em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia de Barretos, Harumi também foi a primeira mulher a ocupar a presidência da ABJICA (Associação dos Ex-Bolsistas da Jica), entre 2002 e 2006. “Nunca senti discriminação por onde passei. Sempre fui tratada de igual para igual”, garante ela, que concedeu a entrevista pouco antes de uma reunião com os atuais diretores – a primeira em que lançaria efetivamente suas ações. A ideia, explica,  é envolver todos em busca de mais sócios, tanto jurídicos como físicos. A “lição de casa” para cada diretor é apresentar pelo menos dois novos sócios jurídicos e outros dez físicos. “Esperanmos que todos cumpram essa meta”, diz Harumi, destacando que a entidade conta atualmente com pouco mais de dois mil associados, sendo cerca de 700 pessoas júridicas.

Outra proposta antecipada por Harumi Goya e que seria apresentada na reunião é a realização, ainda este ano, de um jantar com a finalidade de arrecadar fundos para as atividades da entidade. “Ainda não estamos operando no vermelho, mas ficaríamos mais tranquilos”, conta ela, que lamenta a atual crise financeira vivida pelo país.

É uma agravante, mas nada que tire o sono”, afirma ela, que espera ter em breve uma análise mais detalhada para saber onde é possível economizar mais. “O Bunkyo é sustentado em três pilares: Administrativo, o Cultural e o Social e Relacionamento.  Juntamente com as Comissões, é preciso criar uma consciência para que a realizaçãos de servam para ajudar”, destaca a presidente, afirmando que “não ficar no prejuízo já é uma grande ajuda”.

De acordo com Harumi, as comissões mais deficitárias são a Comissão de Administração do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, a Comissão de Administração do Pavilhão Japonês e a Comissão de Administração do Centro Esportivo Kokushikan Daigaku. “São as que mais consomem. A campeã é o Museu, depois o Kokushikan e em terceiro o Pavilhão”, diz Harumi, que espera encontrar empresas para reduzir os gastos, como aconteceu com a Fundação Kunito Miyasaka, que desde janeiro deste ano investe, mensalmente, uma quantia para o Museu Histórico da Imigração Japonesa e para o Pavilhão Japonês. “É uma ajuda providencial que nos dá fôlego”, afirma Harumi, acrescentando que o projeto para a implantação do Centro de Cultura Nipo-Brasileira Bunkyo Kokushikan encontra-se “adormecido”.

 

Harumi posa ao lado de um dos quadros que ganhou de Okinawa (Foto: Aldo Shiguti)

Harumi posa ao lado de um dos quadros que ganhou de Okinawa (Foto: Aldo Shiguti)

 

Família – Em andamento está o Projeto Espaço Cultural Bunkyo, que prevê a instalação de um Centro de Gastronomia e Culinária Japonesa no subsolo da entidade, onde antes ficava o ambulatório do Enkyo. A ideia é deixar o local “apresentável” até o final de outubro, quando está prevista a vinda do príncipe Akishino e de sua esposa, a princesa Kiko para as comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países. “Já arrecadamos praticamente metade do total de R$ 2 milhões previstos pela Lei Rouanet, mas a crise econômica atrapalhou porque as empresas só podem contribuir se tiver lucro, o que está difícil”, justifica ela, afirmando que o cargo a fez mujdar até mesmo a rotina de casa.

“Não está sobrando muito tempo para me dedicar à família, mas meu marido não só está sendo compreensivo como também está me apoiando bastante, indo, inclusive, a muitos eventos comigo”, explica a presidente que, apesar de tudo, revela que “até pensaria em uma reeleição”.

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    One Comment

    1. Ótima publicação, Aldo Shiguti​ san, Redator-chefe do Jornal Nippak​:

      Alegra existir Harumi Goya san, Presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira De Cultura Japonesa​: Exemplo e Estímulo!!! Seja imensamente abençoada!!!
      Com admiração,
      Teruko Okagawa Monteiro

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