CANTO DA BACURI > Mari Satake: Hiato

Agora, nem pense em contar com ela. Para nada ou quase nada. Neste período, há anos é assim. Sua vida parece se resumir nessa mania. E nem deixe ela escutar você dizendo que é mania. Este ano, ainda que ela se lembrou do evento apenas há menos de cinco dias do início. No final da semana anterior, nem se lembrou. Ficou sem o caderno que certo jornal da cidade costumava trazer. Quando se deu conta, correu até o site. Viu a programação, gostou das novidades e boas surpresas que andaram preparando para o público. Mas, não! Ironicamente, ela sempre se diz, o mundo virtual não é para ela. Ela precisa do papel. Do caderninho. Do guia impresso, para nestes dias, andar com ele, para cima e para baixo, em suas mãos, em sua bolsa. Ela precisa dele para marcar, rabiscar. Ler, reler, fazer suas anotações. Tudo gira em torno do que quer ver ou rever. Mas, se é para rever, por que não na tela de sua sala? Já lhe perguntaram.  Foi o suficiente para deixá-la aborrecida. E, é claro, diante de perguntas como esta, ela nem se dá ao trabalho de responder.

É amanhã que as portas se abrem para o público comum como ela. E ela ainda não conseguiu comprar o guia impresso, não conseguiu correr até a Central do evento para adquirir o pacote que lhe dá direito às sessões que desejar.

Mentalmente, faz o roteiro das atividades que tem para cumprir ainda por estes dias, corre para ler os seus anotados. Verifica. Ainda há os exames do check-up anual por estes dias. Que sorte que acabou de olhar, há exame agendado para as 16 horas de hoje, médico para sexta-feira bem cedinho. Vai dar tempo, ela pensa.

Agora, seus planos se resumem ao dia de hoje. Rearranjar alguns combinados, remanejar um e outro horário em sua agenda. Correr para realizar o exame programado há meses, e mais importante, correr em busca do guia impresso, rezar para encontrar disponível ainda o pacote de sua singular maratona anual. E se não encontrar o pacote que deseja, tudo bem. Fará como tantas outras vezes, se lançará a aventura de correr até as salas em busca do ingresso desejado em cada uma das datas programadas.

Aos amantes das horas no escurinho do cinema, vem aí a Mostra Internacional de Cinema.

 

MARI SATAKE

MARI SATAKE

marisatake@yahoo.com.br
MARI SATAKE

Últimos posts por MARI SATAKE (exibir todos)

     

    Related Post

    HAICAI BRASILEIRO O Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô...
    JORGE NAGAO: Rio+20, agora vai?! “Sejamos a mudança que queremos ver no mundo” (Mahatma Gandhi) Cético, na década da Eco-92, quando falar do meio-ambiente não estava na moda, produz...
    CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Sem certeza alg...     Sem certeza alguma   Quando a esperança morre morre também a última chama que ainda havia num pavio que resist...
    SILVIO SANO > Nipônica: Serviços Públicos De repente, Hiroaki achou que estava silencioso demais lá fora. Resolveu dar uma olhada. — Mário! Mário! — gritou, ao mesmo tempo em que retornava ...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *