CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Uma data de sempre | Marinheiros | Cidade do desencanto

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Uma data de sempre

 

Que afinal acontece

Em 31 de outubro

Em minha cidade?

Senão aquilo que sempre

Aconteceu

Alguém nasce

Alguém morre.

 

Em meus pensamentos

Encontro os mortos

Com suas caras de sempre

Que quero esquecer

Mas que retorna sempre.

 

Nesta data

Sem qualquer importância

Ninguém me liga

Nem me escreve

Se assim acontecesse discutiria

No calor das palavras

Carlos Drummond de Andrade

Este sim

Tem importância

 

 


 

 

Marinheiros

 

Enfileirados estavam

De branco

Impecavelmente brancos

Uniformes engomados

De colarinhos fechados

As luvas brancas

Segurando fuzis

Apontando para o alto

Caxangás desfilavam.

 

Naquele dia

Acima o mar azul de dezembro

Abaixo os marinheiros

Ou eram gaivotas

Sopradas pelo vento?

 

 


 

 

Cidade do desencanto

 

O que teria mudado

Em terras em que sempre

Vivi?

Nada mudou senão

A mim mesmo

Cada vez mais intruso

De um cadinho

Em que nem mais

Me reconheço.

 

Se percorro as ruas

Meus rastros de ontem

Desgastados agora

Nem mesmo a memória

Me consola

As caras desviam

Por desconhecimento

As caras desviam

Por desdém

E passo despercebido

Uma imagem diáfana

Cavalgando nuvens

 

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
FRANCISCO HANDA

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