CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Uma procura vã | A figueira

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Uma procura vã

Encontrar a palavra certa

Na incerteza dessa vida

Na intermitência de um caminhar

Descompassado

É garimpar fútil.

Se assim for nenhuma palavra é possível

Nenhuma prosa é verdadeira.

O pensamento é exercício

Matemático das possibilidades

Longe disso

Longe da verdade.

Toda palavra pensada

É engodo.

A palavra salta então

De uma necessidade fisiológica

Desta lógica corpórea

Em forma de grunhido

Uma pontada abdominal

Esticando os vasos sanguíneos.

O poema é necessidade

Da palavra dita

Sem serpentinas

Um carro alegórico

Dos carnavais passados.

O poema é voz dos esquecidos

Cuja palavra

Não a dos filósofos

 Diz algo de verdadeiro.

A palavra é criação

Do momento que significa

Deixa de significar

No momento seguinte.

 

 


 

 

A figueira

Sedento de sede

Uma figueira descoberta

No caminho que andava.

Nenhum fruto encontrado

Nem pequena

Nem grande.

A fruta desejada

Acalentada no momento

Não se encontra

O desejo não satisfeito.

A figueira amaldiçoada

Sem fruto

Sem nada

Seca neste momento.

 

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
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