CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Marginalizados | Olhos vislumbram | As paredes tão sujas

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Marginalizados

Penetro fundo nesta cidade

No fundo das almas despedaçadas

Que percorrem esquinas

Numa ânsia repentina

De esconder-se nas sombras.

Na ausência de um norte

Aos montes

Amontoados pelas esquinas

Um cheiro agridoce

Das epidermes em atrito

Fundem-se histórias malditas.

O coração maltratado

Não sente calor

Continua batendo

Em acelerado

Anoitecendo junto à tarde

E assim entrega os sentidos

Indefinidamente.

As estrelas faíscam

Nesse instante

Dentro do poço ardente.

 

 


 

 

Os olhos vislumbram

Das janelas infinitas

Em turbilhão de uma delas

Alguém espia

O movimento que logo

Se inicia.

O dióxido de carbono

Movimenta as membranas

Barbatanas de propulsão

A cidade desperta

De uma agitação interna

Que continua a perdurar

Por um dia todo

O dia se fez da noite

Em que a letargia constante

Há de perdurar

 

 


 

 

As paredes tão sujas

Preguiçosas são as ruas

Em que os vapores exalados

Pelas frinchas

Respiram em profundo

Esgotamento

Ausência de um amigo verdadeiro.

Por isso converso com

Paredes que revelam sentimentos

De um coração duro

Endurecido no tempo

Deste exato momento.

Os olhos deixaram de lado

Uma ternura

Antes tão acalentada

As palavras não são verdade

São nuvens se desfazendo

Mas é o que tenho

Na impossibilidade de dizer

Qualquer coisa que se mantenha

Por mais algum tempo.

 

 

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
FRANCISCO HANDA

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