CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Sem palavras | O céu por inteiro | A bailarina | O sangue que corre

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Sem palavras

O silêncio que buscamos

Seja nos conventos

Seja em meio ao tumulto

Alcançamos às vezes.

Nada mais incomoda

Das vozes em soprano

Construindo discursos

Justificativas de erros

Cometidos.

Mas o silêncio

Este purifica

Silenciemos nossa mente

Também.

 

 


 

 

O céu por inteiro

Era tempo de saltar

Pipa

Chamavam de quadrado

Chamavam de maranhão

Sou do interior

Em cujo céu inteiro

As pipas disputam

O menino mais habilidoso

Eram as pipas que

Empinavam meninos.

Malgrado eu nunca

Empinei uma pipa

Nem planei os céus.

 

 


 

 

A bailarina

Há quanto ela se foi

Maldizendo se foi

Sem se despedir se foi

Somente deixou uma

Chave

Quem sabe

Usarei um dia

Numa caixinha de música

Dessas antigas

Assim a bailarina

Dançará

Mais uma vez.

 

 


 

 

O sangue que corre

Levando passageiros

O ônibus minhocão

Vai desovando por onde

Passa

Passageiros.

Serpenteando corredores

Pulsa com mais força

Aparelho cardíaco

Acelerado em ritmo

Pulsante.

 

 

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
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