CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Tão breve foi | A morte do cão

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Tão breve foi

Meia vida se foi

No soprar de uma tormenta

Tão passageira

Como um papel se inflamando

A consumir-se por inteiro

Sem nada deixar

Senão cinzas.

O que passou

Não se detém mais.

As lembranças são sombras

Que surgem e desaparecem

Fantasmas insistentes

Em ficar.

 

 


 

 

A morte do cão

Um cão conduzia um cego

Um cego conduzia um cão

Onde o cão ia

Ia também o cego

O cão adoeceu

O cão foi-se.

Sem nenhum cão

O cego deixou de caminhar

O único amigo do cego

Era o cão

Nenhum outo cão

Haveria de tomar o lugar daquele

O cego nunca mais

Saiu de casa.

 

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
FRANCISCO HANDA

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