CANTO DO BACURI > Francisco Handa: A flauta dócil / Tombo da rainha / A busca da palavra perdida

A flauta dócil

Quem detém a flauta

Ao soprar encantamento

Os ouvidos encantados

Seguem como ratos

Que se atiram mar adentro?

O flautista de Hamelin

Faz negócio a quem paga

Às vezes a favor

Às vezes contra.

Os ratos afogados não

Retornam

Outros ratos hão de retornar.


Tombo da rainha

Quando a rainha hesitar

-Puxem-lhe o tapete

Quem desgostar-se dela

-Puxem-lhe o tapete

Simplesmente

– Puxem-lhe o tapete

Assim ao cair

Numa postura engraçada

Todos possam rir

Culpar alguém

Pelas fraquezas da alma.

Que existem em si.


A busca da palavra perdida

Dizer o não dizível

É tarefa inglória

Que se entregam a procurar

Arqueólogos da palavra.

Em alguma geografia

Desaparecida

Escombros de civilizações

Idas.

No fundo do mar

Mais profundo

De uma consciência esquecida

Haverá de surgir

Silenciosamente

A palavra a ser dita.

Em nenhum outro lugar

Nem no murmúrio guardado

Nas frinchas da parede

Cúmplices de um olhar

Segredado

Nem na multidão exaltada

A gritar pelas ruas.

Quando a poeira abafar

Nos passos de uma ave haverá

O cuneiforme de uma

Nova palavra

Que há tanto ansiava

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FRANCISCO HANDA

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