CANTO DO BACURI > Francisco Handa: Febre Alta | Uma lembrança

canto-do-bacuri-chicoFebre alta

Esparrama-se a tarde

Numa massa lânguida

Nas carnes macilentas

Por cima das calçadas

Queimando de lava de piche

Pelas ruas de periferia

Nada mais resiste

A derredor

Dissolvendo-se em vapor

Qualquer resistência

Assim fundimos os corpos

Confundimos as mentes

Num contínuo viver

A compaixão existe

Quando a febre abate-se

Ultrapassa os 40 graus

Uma lembrança

Por onde andará Maria

Dos prazeres

Que se foi como surgiu

Deixou saudades

Na pele marcada

Pelas unhas felinas

Que machucava

Fundo atingia a alma

Será nas esquinas da vida

Num cruzamento qualquer

Uma rosa vermelha deixada

Na calada da noite?

FRANCISCO HANDA

FRANCISCO HANDA

chicohanda@yahoo.com.br
FRANCISCO HANDA

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