CANTO DO BACURI > Mari Satake: Um reencontro?

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Um reencontro?

 

Pequenino no colo da tia, o garotinho agita pernas e braços. Seu corpo parece querer voar. Aparentemente, é a primeira vez que ele a vê. A tia tenta contê-lo dizendo que a outra tia precisa ir embora. Ele ignora. Dá gritinhos, agita seu corpo, quer voar para o outro colo.

A outra tia o acolhe. No novo colo, o garoto se aquieta, dá risadas. Aninha-se, aponta os dedinhos. Parece querer explorar os arredores. A outra tia se põe a andar, fala com ele. Como se fossem velhos conhecidos os dois passeiam. O garotinho emite seus sons. Racionalmente, a outra tia não entende o que ele diz, mas com palavras e atos tenta se comunicar com ele.

Acompanhando o bebê e sua nova amiga, caminham a tia que o levava anteriormente e a avó. A avó chama o garoto, estende seus braços. O bebê recusa a cada investida da avó. Quer continuar no novo colo e aponta. Quer conhecer, explorar o ambiente.

A outra tia não tem a mínima noção de quem sejam aquelas pessoas, o garoto e suas acompanhantes. Mas, não se importa. Sabe que naquele momento importa apenas se entregar à vontade do pequeno. Pergunta-lhe onde estão pai e mãe. A tia responde. O pai está logo ali, ocupado. Aproximam-se. O pai olha para o garoto e continua com seus afazeres. A mãe não se encontra, deve estar por perto diz a tia. O garoto não se abala apontando para a outra direção e lá vão os dois com o pequeno séquito.

De dentro do outro salão saem uma jovem e uma criança. O bebê se agita no colo, faz festas.  É a mãe e sua irmã mais velha. O pequeno continua no colo. A mãe e a tia que ainda o carrega conversam. Também elas não se estranham. Falam com naturalidade. A garotinha fala com orgulho de seu irmãozinho.

Ficam ali conversando e aos poucos, ela se despede do pequeno. Já no colo da mãe, o pequeno sorri para a mãe.

Ela então, pega suas coisas e retoma suas intenções antes da chegada do pequeno.

Era um final de tarde, depois de um dia de intensas atividades, ela e uma amiga esperavam pelo elevador. Antes do elevador, chegou o pequeno. Estranhamente, a amiga que é sempre apressada, neste dia a acompanhou tranquilamente neste hiato com o pequeno. No caminho para suas casas, a amiga lhe perguntou se o garoto e a família eram pessoas conhecidas. Ao saber que não, apenas comentou e sorriu. – Não nesta vida.

E ela apenas retrucou dizendo que é por este e tantos outros mistérios que encontra pelo caminho que acredita que é preciso sempre estar sempre atenta. Para dar conta desta vida, pelo menos.

 

 

MARI SATAKE

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