CANTO DO BACURI > Mari Satake: Dezembro

canto-do-bacuri-maki

Dezembro

 

Dezembro chegou e como sempre, acabo entrando no climão de final de ano. Por estes dias, olhando o que anda acontecendo a minha volta, quero mais é que o ano acabe logo e que uma boa fada madrinha venha  com sua varinha mágica e limpe a bandalheira que se instalou por todos os cantos.

Sei. Fadas madrinhas com varinhas mágicas não existem. Limpar a bandalheira que estão fazendo pelo país é missão quase impossível para mortais que querem apenas viver suas vidas de cidadãos cumpridores dos deveres civis. Mas, cuidar do que depende apenas de mim, ainda é possível. E, creia, continuo com meus velhos rituais. Final de ano é tempo de colocar na balança tudo o que fiz ou deixei de fazer; é tempo de fazer a grande limpeza em minha casa. É tempo para exercitar o desapego. Olho à minha volta e constato, a casa está em desordem. Livros, papéis, correspondências, vasos, coisas que fui juntando e amontoando pelas prateleiras dos armários. Para quê? Não preciso de quase nada disso para viver.

É um exercício constante. Todo final de ano, a mesma história. Chegará um mês de dezembro em que nada disso me afetará? Veremos. Por enquanto, ainda desejo muitos dezembros em minha vida. Simples ou complicados, quero sentir o gostinho de cumprir os rituais.

Na realidade, descartar as coisas materiais é simples. Mais complicado é se libertar ou, ao menos, tomar consciência de algumas crenças e meias verdades a que nos agarramos como máximas em nossas vidas. Estas, sim, são mais complicadas para abrir mão e muitas vezes, não há dezembro algum que chegue para elas. Mas agora, não é disso que estamos tratando.

Agora, vamos deixar tudo pronto para que chegue um ano novo melhor. Vamos ao mais simples, fazer a grande limpeza. Separar para doação as coisas que não tem mais utilidades em nossos armários e podem ser úteis a outras pessoas. Enquanto estivermos trabalhando, lembremos de Marie Kondo*, que diz: “olhe bem para a peça e avalie se ela traz alegria. Se sim, guarde-a. Caso contrário, coloque para circular.”  Ou ainda,  “antes de se desfazer de algo, olhe com gratidão para o objeto a ser descartado e se foi presente de alguém, agradeça mentalmente, também à pessoa que lhe presenteou.”

Então, mãos à obra. Até dia 28 de dezembro, tudo deve estar muito bem limpo e o que não tiver mais utilidade, já deve ter sido descartado. Bom trabalho a todos!

Feliz Natal a todos e um ótimo 2016 a todos nós.

 

*Marie Kondo, “ A mágica da arrumação”, editora Sextante, 2015

 

MARI SATAKE

MARI SATAKE

marisatake@yahoo.com.br
MARI SATAKE

Últimos posts por MARI SATAKE (exibir todos)

     

    Related Post

    SILVIO SANO > NIPÔNICA: Malufismo, petismo = Fanat... Sempre afirmei que não gosto de invadir “praias” alheias, apesar de, igualmente, ou quase sempre, estar perto disso... rsrs. Afinal, minha formação é ...
    NIPPAK PESCA: Papa-terra (Menticirrhus americanos)   Por *Marcelo Szpilman - Ilustração de Antônio Woyames     Coloração: Dorso e flancos cinzaprateados (variando de acor...
    AKIRA SAITO: TER FÉ Este texto creio que cabe perfeitamente para esta semana, apesar dele ter sido publicado em Outubro de 2013.   “Alguns possuem a capacidade d...
    JORGE NAGAO: Você é um Nikkei se: Juliana Higa, Andrea Kurihara, Karina Nakahara, Jéssica Aoki e Jacqueline Sato ("missigenação")Vanessa Maeji/NJ | Fotos: Divulgação e Arquivo Pessoal...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *