CANTO DO BACURI > Mari Satake: Dias Sombrios

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Dias Sombrios

 

Não sei que notícias estarão nos jornais da amanhã, pelo andar das coisas, não serão nada boas para o país. Nas tevês, vozes histéricas dos telejornais provavelmente estarão gritando o grande feito da grande maioria da classe política que grassa no país nestes dias sombrios.

Num certo domingo de abril, vimos homens e mulheres que em nome de deus, em nome da família, dos filhos, do pai, da mãe ou até do marido (e, na manhã seguinte vimos o citado marido seguindo para a carceragem, conduzido pela Policia Federal) pedindo ao presidente do grande circo pelo afastamento da presidente da república. Afastamento movido pelo preconceito, pela insensatez, pela traição, pelo ódio. Apenas isso. Querem derrubar a presidente por ser trabalhadora, por ter um histórico de luta e honestidade.

Nas ruas ou nos lares, outros homens, mulheres e crianças, vestidos de verde amarelo, vibravam a cada sim, proferiam palavrões contra a mulher eleita com mais de 54 milhões de votos. Entre os de verde amarelo, a ostensiva maioria, faz parte de uma categoria já alfabetizada que se acredita informada, eles leem Veja e assistem a Globo. Aliás, habitualmente suas horas de lazer e informação acontecem em frente dos circos trazidos pelas enormes telas de TV. As enormes TVs pagas em longas e suaves prestações. Ah! Esta pobre de ideias classe média brasileira. São beneficiários de tantas melhorias promovidas nos últimos anos e, acreditando que são poderosos como os donos do dinheiro, eles preferem rezar a cartilha dos patrões. Mal sabem eles o que os aguarda nos dias vindouros.

Triste, triste republiqueta das bananas. Sinhozinhos habituados a brandir seus pulsos letais querem continuar a jogar suas cartadas. Descaradamente rasgaram o meu voto e o de mais de 54 milhões de pessoas que sonharam e sonham um país melhor para todos. Sinhozinhos sabem que se deixarem não sobrará espaço para que seus rebentos sucessores possam continuar a reinar com seus mandos e desmandos assim como ele e seus antepassados vinham fazendo desde sempre. A eles é insuportável a ideia de ver filhos de empregados concorrendo à mesma vaga na universidade onde seu filho pretende ingressar. É insuportável ver na lista de aprovados, o nome do filho do empregado e não o de seu filho. Por não suportarem isso e tantas outras pequenas coisas rasgam a Constituição Federal. Descaradamente rasgam.

A derrubada da presidente é o primeiro grande passo. A gangue se arvora. O usurpador, o chefe, o que ocupará o assento da presidência da republiqueta, no alto de seu pedestal, talvez acredite que feliz em sua poltrona conduzirá a republiqueta a seu bel prazer, mandando e desmandando conforme reza a cartilha do senhor maior. Tripudiará a todos que em sua sandice e na de seus assemelhados, representem uma ameaça a seu modo operandis. Para eles, tudo; para os outros, o extermínio.

Os 54 milhões e meio eleitores de 2014, aceitarão passivos o golpe da republiqueta?

 

MARI SATAKE

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marisatake@yahoo.com.br
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