CANTO DO BACURI > Mari Satake: Hitono nozomino yorokobiyo

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Hitono nozomino yorokobiyo

 

 

Em português, O desejo da minha alma. É o primeiro filme longa metragem de Masakazu Sugita, jovem diretor estreante que esteve no Brasil para o lançamento de seu filme.

Logo nas primeiras cenas é quase impossível não nos lembrarmos das imagens de Koreeda. Aqui também, são crianças, os principais protagonistas dirigidos com grande maestria pelo diretor. Um casal de irmãos.

Ela, uma quase adolescente de doze anos, num certo dia, ainda de pijamas, vê ao seu redor, a destruição de tudo que a cerca. Sua casa está soterrada. Desesperada, tenta salvar os seus pais. Em vão. Nada poderá trazê-los de volta. Mais tarde, ficamos sabendo, seu irmão menor, um garoto de cinco anos, sofreu leves machucados e ficará internado no hospital por alguns dias.

Sabemos que o país sofreu um grande terremoto, nas regiões atingidas tudo ou quase tudo foi destruído. Mas as imagens que vemos não são as da destruição física. Com os avanços tecnológicos alcançados pelo país, logo tudo poderá ser reconstruído, talvez até em melhores condições que antes. Não são as imagens desta destruição que interessam ao diretor do filme. São os efeitos provocados na vida das pessoas que interessam. E são as crianças habilmente conduzidas no filme que nos levam a refletir sobre a dor da perda, a dor da culpa por nada poder fazer para deter o que não está em nosso alcance.

Uma vez passado o terremoto, aos que restaram cabe tomar as providências para que a vida prossiga. Os parentes se reúnem à pequena Haruna, a garota de doze anos, para a cerimônia fúnebre. Em seguida, é preciso decidir o que fazer com as crianças. Diante da sugestão do orfanato, uma das tias decide pela adoção. Outra decisão tomada pelos adultos é a de não contar ao pequeno Shota, irmão de Haruna, sobre a morte dos pais. Logo após a alta do garoto, as crianças seguem com os tios para sua nova moradia em outra cidade.

Na nova vida, as crianças são bem acolhidas pelos adultos. No entanto, apesar dos muitos cuidados, sentem o impacto da mudança em suas vidas. O pequeno Shota sente falta dos pais e pergunta para a irmã quando eles chegarão. A irmã sente também o peso da responsabilidade e da mentira. Mas ela nada pode dizer. Assim, vão ao cais na esperança de que os pais cheguem com os navios. A irmã atende ao apelo do irmão e escreve cartas aos pais e que ela sabe nunca serão respondidas. Felicidade é algo que está muito longe daquelas crianças, apesar de todos os cuidados dos adultos.

A pressão que Haruna sente é tão intensa que ela acaba adoecendo. Diante dos cuidados da tia ela explode e pede que a deixem. Não quer se tratar. Talvez por não suportar sozinha, o peso da mentira contada ao irmão mais novo.

A vida na casa da tia, entre eles, também sofre abalos. Há outra criança. É o primo deles com idade intermediária entre Haruna e o pequeno Shota. Diante dos cuidados da mãe dedicada agora aos novos habitantes, ele se sente ameaçado. Sem compreender direito a triste realidade que os cerca, um dia ele explode movido pelo ciúme crescente desde a chegada dos primos. Foi o estopim para que pai, mãe e filho se explodissem entre eles.

A Haruna não cabe deixar Shota sozinho em meio àquela guerra e os dois saem. Não sabemos para onde e nem o que pretendem. Eles andam muito. Até que, Haruna não aguentando mais, cai em prantos e chorando muito, pede desculpas ao irmão. Desculpas pela morte dos pais, pela mentira contada. Sente o peso de toda culpa sobre si. O pequeno Shota a olha e se afasta aos poucos. Também ele precisa de um tempo entregue a si mesmo. Mais tarde, refeito, se aproxima da irmã e com um pequeno gesto parece ser ele agora, o cuidador.

Ainda em cartaz nos cinemas da cidade.

 

MARI SATAKE

MARI SATAKE

marisatake@yahoo.com.br
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