CANTO DO BACURI > Mari Satake: As velhas

Mulheres. Filhas ou netas de imigrantes japoneses. Cada uma com sua história, estudaram, casaram, tiveram seus filhos e foram também empregadas. Todas tiveram seus empregos e se submeteram ao mundo do trabalho dominado por homens em sua grande maioria. O máximo que uma ou outra chegou, foi ao cargo de encarregada de setor. Sobreviveram. São as aposentadas. Hoje, sem maiores compromissos, nem responsabilidades, desfrutam. Cuidam da casa, dos botões dos maridos, das sobras dos filhos e netos e nas horas vagas, dedicam-se a algum hobby.

Enquanto dedicam-se as suas atividades estéticas parece haver certa harmonia entre elas. Aparentemente, estão ali em busca de um algum prazer estético que sua produção lhes possa trazer. Porém, ledo engano, acreditar que possa haver harmonia ali. Basta uma única palavra de lamento pela situação vexatória que o país atravessa, para que um grupelho de parte das aposentadas faça a sua defesa.  Acreditam que o usurpador que tomou de assalto o poder é preferível ao poder nefasto que atribuem ao PT. Iludidas. Estúpidas e aviltadas em sua condição, apenas rezam a cartilha do pensamento único.

Triste é constatar que são mulheres que aparentemente, tiveram e tem condições intelectuais de analisar a realidade que vive o país. Mas não, imersas em seus fantasmas alienantes fazem-se cegas e surdas. Se alguém tentar lhes falar algo que difere de suas crenças, elas partem para a agressão. Agem como tem agido a torcida brasileira nestes dias de disputas olímpicas. Vaias e insultos ao outro que represente o diferente de si.

Vaias e insultos ao outro que é espelho de si. Vaias e insultos para externar o quanto se sente infeliz e sem esperanças. Vaias e insultos para mostrar a própria impotência.

Vai passar. Dias piores hão de vir.

Resta-nos um consolo, não há tempestade que dure eternamente. Dias melhores hão de vir novamente.

 

MARI SATAKE

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